Nova jornada eleitoral se aproxima. Magos do marketing político ocupados, produzindo pronunciamentos bombásticos, extrapolando as conquistas e as qualidades dos seus candidatos em horários eleitorais e outras vertentes midiáticas. Hipérboles, truísmos, desenxabidezes e deslizes da verdade invadindo nossos lares, durante os preciosos momentos de  ociosidade doméstica que nos restam. Embaçados pela fumaça e os vidros dos ilusionistas da comunicação social, agentes políticos carentes de planos, ideias ou mérito, prometendo melhorias sociais, oferecendo benesses e repetindo soluções populistas para todo e qualquer problema. Mantendo o País e o povo nas profundezas do subdesenvolvimento humano e na periferia do progresso.

            Perguntamos: você compraria um carro usado ou um terreno oferecido à preços módicos por um candidato político, após assistir uns tantos segundos de propaganda no horário eleitoral obrigatório? Faça essa pergunta antes de votar, vote de acordo com a sua resposta.

            Democracia é um sistema frágil, as vezes ineficaz, mas é o melhor que temos. Atravessamos o século XX relativamente imunes às vertentes totalitárias do fascismo, nazismo e estalinismo. Convivemos com a guerra fria, sem nos engajarmos nos grandes conflitos bélicos do mundo bipolar. Éramos nós, nossos inimigos. Desigualdades entre classes, raças e regiões nos levaram a um desiquilíbrio interno com consequências drásticas para a nossa nascente democracia, vivemos vinte e um anos pisoteados pela intolerância de uma ditadura militar.  

            Temos uma democracia cada vez mais ameaçada pela combustão explosiva do cinismo dos políticos tradicionais, indiferentes aos anseios da cidadania, e à emergência de movimentos populistas ou anarquistas à esquerda e à direita. Manifestações violentas, militarização da segurança pública e a falta de um diálogo genuíno entre o povo e a elite politica, não auguram nada de bom para um futuro de convivência pacífica e do progresso democrático.

            A democracia cresce e prospera quando seus elementos constitutivos: a sociedade civil, a liberdade e o progresso se interlaçam em mosaicos mutuamente sustentáveis, sem exclusivismo, domínio de um sobre o outro, ou abdicação de princípios básicos e vocação republicana, embutida na separação dos três poderes. Desequilíbrios e limitações podem transformá-los em ameaças sérias à democracia e à felicidade geral da nossa grande nação. 

             

Palmari H. de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores

palmari@mail.com

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