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*

DO QUE ME COUBE

 

 Coube-me a casa,

onde há sobra

de espaço, onde há

camas e coisas de antes

lá no despejo;

 ficaram pais,

ficou irmão, como

  nomes  em documentos,

como a intuição

de que poderia a paz

ser um presente.

 

Frente ao que assim

se impôs, a paz

 - quis crer – também

 seria deitar,

 recolhido entre

 doze dobras da noite

  e o fim do tempo, só,

  em benéfica falta

de cores, comoções

ou movimentos.

 

Vou conservando

a minha crença

 recolhendo a mim mesma

à sombra

 que não tem chave,

não abre  janela,

e falo apenas

por signos mudos,

para não se ir

a calma,

nem despertar

nenhum

agudo grito.

 

Coube-me a pá

com que fazer descer

o pó até coser-se

às bordas a coberta,

até ater-se,

definitivamente,

tudo a seu termo.

*

Santana de Parnaíba

28/03/2012

NeyMaria Menezes

 

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