O Brasil pode se orgulhar da Copa do Mundo. Obtivemos a média 9,25, uma melhoria em relação a África, leitura condescende anunciada pelo Presidente da FIFA e seus acólitos. Enorme suspiro de alivio ressonou no Palácio do Planalto e entre os patrocinados do maior “pão e circo” da terra, seguido de enfadonhas avaliações positivas e declarações autocongratulatórias. O desenlace desastroso da partida entre a Alemanha e o Brasil, quase submerso pelo entusiasmo da multidão babélica de torcedores; gigantesca audiência televisiva global; lucros delirantes dos patrocinadores e empresários e o clima de antecipação circense com a pompa e circunstância da decisão final do grande certame. Prelúdio de uma gigantesca e duradoura Quarta-feira de Cinzas.
            A mordida vampiresca de Suarez; a joelhada covarde de Zuñiga; o jato negro carregado de dólares e a parca inteligência emocional dos jogadores brasileiros, fatos relegados a meros coadjuvantes. Surgindo um novo herói, Mario Gotze, jovem de vinte e dois anos, o autor do toque mágico que transformou a Alemanha no novo ícone do futebol. Menino Dourado sem nunca ter sido um Menino do Brasil, em um país carente de heróis nascidos pós-reunificação. 
            Algo cheira mal na FIFA. Improbidade administrativa, interferência de governos, suborno de juízes e dirigentes, as mais graves acusações contra a entidade gestora do futebol mundial. Eclodindo durante a Copa do Mundo, um escândalo de vendas ilegais supostamente comandadas por um executivo da Match, a companhia responsável pelo fornecimento de ingressos do evento, atualmente preso no Rio de Janeiro. A CBF não está imune às mesmas criticas e acusações. Tentativas de investigar a entidade, no entanto, continuam bloqueadas por parlamentares da "bancada da bola" do Congresso, todos ligados à CBF e a times de futebol.
            Desde a ascensão de Sepp Blatter em 1998, quase a metade dos membros do comitê executivo da FIFA já foram acusados de deslizes éticos. Embora nenhuma das acusações sejam dirigidas ao seu mandatário, a relutância institucional em  investigar ou punir os dirigentes atiçam as chamas de suspeição que permeia todos os aspectos do esporte, mesmo uma exitosa Copa do Mundo. Futebol é uma força importante no cenário esportivo mundial, fonte de inspiração para milhares de jovens à procura de rota de escape da exclusão social. A FIFA e seus afiliados devem higienizar e transformar o esporte em uma atividade honesta, saudável e respeitosa com a integridade física e moral dos seus atletas. Fair-play, dentro e fora do gramado, a ordem do dia.

Palmarí H. de Lucena é membro da União Brasileira de Escritores

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