É para isso que a Polícia luta para ter exclusividade na investigação criminal?

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0212200926.htm
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Após 4 anos, polícia apura fraude em exame
Alertada de suspeitas sobre concurso para perito no IC em 2005, Corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito após reportagem da Folha

Osvaldo Negrini Neto, segundo na hierarquia do Instituto de Criminalística, diz que acusações de que fraudou seleção são "absurdas"

ANDRÉ CARAMANTE
ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo instaurou ontem, quatro anos após ter sido informada oficialmente sobre o problema, um inquérito policial para investigar as denúncias de que o concurso para selecionar peritos para o IC (Instituto de Criminalística) realizado em 2005 foi fraudado por Osvaldo Negrini Neto, o segundo na hierarquia do órgão.
A abertura da investigação foi motivada por reportagem publicada ontem pela Folha.
Negrini Neto, que presidiu a comissão de seleção, é acusado por seis integrantes da banca de vender gabaritos e incluir irregularmente nomes de reprovados na lista de aprovados. À época, 11.632 candidatos disputaram 159 vagas.
O diretor do IC classificou as acusações como "absurdas" e negou ter cometido qualquer irregularidade na seleção.
O mesmo documento entregue à Corregedoria em novembro de 2005 com as acusações de fraude também foi apresentado para o então diretor da Academia da Polícia Civil, Maurício José Lemos Freire, mas nada foi feito.
Em 2005, as acusações contra Negrini Neto não viraram inquérito policial dentro da Corregedoria.
Por esse motivo, o Ministério Público Estadual, que tem o dever de fiscalizar as ações da polícia, não soube dos problemas no concurso, fato que, com o novo inquérito policial, ocorrerá agora.
Naquele período, o caso foi tratado em sindicância interna na Corregedoria e acabou arquivado em sigilo.

Lista
Segundo o documento entregue à Corregedoria em 2005, Negrini Neto publicou no "Diário Oficial" de 2 de novembro daquele ano, sem o conhecimento da comissão do concurso -a mesma que o acusa de fraude-, uma lista com 619 nomes de aprovados -202 a mais do que os 417 que já estavam na primeira lista, publicada em 15 de outubro.
Dos 202 concorrentes da lista suspeita atribuída a Negrini Neto, 180 foram reprovados na prova oral. Os outros 22 foram aprovados no concurso e hoje são peritos do IC -entre eles há dois candidatos mencionados nominalmente na denúncia da comissão como beneficiados por terem recebido pontos a mais na prova escrita.

Seleção de fotógrafos
A seleção para fotógrafos do IC, finalizada em julho deste ano, também é investigada pela Corregedoria por fraude.
Conforme a Folha revelou na segunda-feira, o concurso foi fraudado para beneficiar parentes de diretores da instituição, entre eles o diretor-geral José Domingos Moreira das Eiras.

Secretaria da Segurança não comenta apurações
DA REPORTAGEM LOCAL

A Secretaria da Segurança Pública informou que não se manifestará sobre a acusação de fraude no concurso de 2005. Segundo Enio Lucciola Lopes Gonçalves, um dos porta-vozes da pasta, Osvaldo Negrini Neto já havia falado com a Folha.
O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, o superintendente da Polícia Científica, Celso Perioli, o delegado-geral da Polícia Civil, Domingos Paulo Neto, e o delegado Maurício Lemos Freire não atenderam ao pedido de entrevista.
Negrini Neto disse que tudo foi apurado à época em sindicância. "Fizeram todas as investigações. Mas não tinha o que apurar. Foi um concurso com toda lisura possível."
O diretor do IC criticou os seis integrantes da comissão do concurso, que o acusam de fraude. "Eu comecei a desconfiar de que o pessoal da banca tinha feito alguma coisa [errada], por isso quis trocar a questão. Não foi a banca que trocou as questões. Fui eu."
Ao contrário do que disse anteontem à Folha, quando atribuiu ao perito Conrado Pires (um dos membros da banca, já falecido) a responsabilidade pelo aumento de 417 para 619 aprovados na primeira fase do concurso para peritos, ontem Negrini Neto disse que ele elaborou a lista sozinho "porque ninguém foi ajudá-lo". Ele disse ter incluído os nomes porque as questões da primeira fase foram malfeitas. (RP e AC)
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Comentário de Janice Agostinho Barreto Ascari em 2 dezembro 2009 às 10:43
O Ministério Público do Estado de São Paulo terá agora duas frentes de investigação: a da fraude em si e a do abafamento do caso.

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