Poderíamos dizer que neste país, e, com certeza, em muitos outros tudo acaba em pizza, ou guacamole, big mac, ou outro quitute qualquer, que lembre uma reunião entre amigos que, comendo, como dizia Gilberto Freire, assim como os brasileiros, resolvem seus problemas em volta de uma mesa.

            Mas, nosso país inventou outra forma de consumir as falcatruas. É quando as mulheres dos envolvidos ou envolvidas em situações extremas são desnudadas. E temos muitos exemplos, desde a roupa tirada da “Fogueteira”, do episódio no Maracanã, ou seja, lançou um foguete e não se sabe por oportunismo da revista, ou da curiosidade do brasileiro, todos quiseram conhecer as partes da personagem, e, por que não, as íntimas, até a amante da hora do doleiro da Lava-jato. E, algumas vezes, são as próprias personagens que se despem ou se exibem em selfies, colocam suas imagens nuas na nuvem da web, ou até mesmo maridos e namorados que exibem suas divas para o instagram.

            Para se conhecer, é preciso comer, como era gostoso o francês, como a maçã, esse antropofagismo tão presente na nossa cultura. De comer o outro, seja a cultura ou o corpo para se conhecer melhor, comer com os olhos.

            A exposição dos corpos nus dos personagens do cotidiano televisivo ou não é a forma desse antropofagismo acontecer, quando até mesmo um simples “cofrinho” é motivo de fotos. Desse matar a curiosidade, a intimidade dos meliantes envolvidos em delitos, desde os profissionais do tráfico aos profissionais da corrupção do Estado e as celebridades de quinze minutos ou não.

            Incendeia-se o imaginário, reproduzido na mídia, que vai desde a exposição da famosa, em um trivial caminhar na praia, ou mesmo um jogo descontraído com os amigos, aos caminhos da burocracia e do crime e entra nos lares prosaicos.

            Conhecer passa a ser o desnudar, o retirar tudo que deslinda os corpos, suas formas, suas curvas, é uma espécie de ambição em entrar no íntimo para ter intimidade.

            E cabe aos paparazzi, aos chamarizes das manchetes à Playboy, aos próprios e seus familiares entregarem os corpos à curiosidade.

Nilson Lattari@Nlattari

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