Embaixador de Israel na ONU: Não há como interditar reconhecimento do Estado palestino

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Embaixador de Israel na ONU: não há como interditar reconhecimento do Estado palestino

 

Barak Ravid - Haaretz

 

O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Ron Prosor, enviou uma mensagem confidencial em vídeo para o Ministro do Exterior na semana passada, dizendo que Israel não tem chance de reunir um número substancial de estados para se opor à resolução na Assembleia Geral da ONU que reconhecerá o estado palestino, em setembro. Enquanto isso, fontes no gabinete do primeiro ministro Benjamin Netanyahu dizem que ele está considerando não participar da Assembleia Geral, neste ano. Provavelmente Shimon Peres o representaria.

Sob a título “Informe da linha de frente na ONU”, Prosor – considerado um dos mais experientes e antigos diplomatas israelenses – apresentou uma avaliação muito pessimista quanto à capacidade de Israel de afetar significativamente os resultados da votação. Embora não o tenha dito explicitamente, Prosor sugere que Israel enfrentará uma derrota diplomática. “O máximo que podemos esperar obter [no voto na ONU] é um grupo de estados que vão se abster ou estar ausentes durante a votação”, escreveu Prosor, acrescentando que seus comentários estavam baseados em mais de 60 encontros que teve nas últimas semanas com seus pares na ONU. “Só alguns poucos países votarão contra a iniciativa palestina”, escreveu.

Espera-se que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas contate o secretário geral da ONU em 20 de setembro e peça o reconhecimento da Palestina como membro pleno das Nações Unidas. No Ministério de Relações Exteriores a avaliação é que, para evitar o veto dos EUA, os palestinos buscarão o voto na Assembleia Geral e não no Conselho de Segurança, mesmo que aquela seja menos vinculante. O voto na assembleia geral provavelmente ocorrerá em outubro. Fontes no Ministério das Relações Exteriores estimam que entre 130 e 140 países votarão a favor dos palestinos. Permanece em aberto qual a posição dos 27 membros da União Europeia.

A alta comissária para assuntos de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, vai se encontrar com Benjamin Netanyahu e com o ministro de Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, em Jerusalém hoje (28/08), tendo em vista o encontro de ministros do exterior em 3 de setembro. Uma fonte de funcionário antigo no Ministério de Relações Exteriores, que está trabalhando para frustrar os movimentos palestinos na ONU, disse que até agora só cinco países do ocidente tinham prometido a Israel que votariam contra o reconhecimento do estado palestino os EUA, a Alemanha, a Itália, a Holanda e a República Tcheca. “A maioria dos países ocidentais não quer estar na sala e votar contra o estado palestino”, disse a fonte sênior do ministério de relações exteriores. No entanto, a posição de quatro países europeus pode mudar, de acordo com os termos da resolução que os palestinos proporão. Se o texto for moderado e incluir a possibilidade de retorno à mesa de negociações imediatamente depois da votação na ONU, esses quatro estados podem alterar sua posição e se abster.

No ministério de Relações Exteriores eles acreditam que os 27 membros da União Europeia vão se dividir entre um grande grupo que apoiará os palestinos e dois pequenos grupos que vão se abster e se opor à resolução. O ministro de Relações Exteriores palestino Riyad al-Maliki disse neste fim de semana que a Autoridade Palestina está perto de obter o apoio de 130 estados que reconhecerão o estado palestino. Isso inclui o recente reconhecimento do estado palestino por Honduras e El Salvador. A China também anunciou que apoiará a resolução palestina na ONU. Os palestinos avaliam que a Guatemala e vários países caribenhos também anunciarão seu reconhecimento do estado palestino nas próximas semanas. Israel continua a sua campanha internacional para evitar o apoio da resolução e uma série de ministros estão sendo enviados para a África e a Ásia.

Contudo, parece que Benjamin Netanyahu desistiu desse esforço, com sua decisão de não ir à Assembleia Geral no mês que vem. “A estas alturas, o primeiro ministro não acredita que sua ida a ONU contribuirá para uma mudança na votação da resolução pelo reconhecimento do estado palestino”, disse um dos assessores de Netanyahu. O presidente Peres provavelmente irá substituir Netanyahu. Lieberman, que também viajará para a ONU, recomendou ao primeiro ministro que Peres se dirigisse à Assembleia Geral, de modo que a posição israelense ouvida na ONU fosse a mais conciliatória e moderada possível.

A maioria dos funcionários experientes de Israel acredita que o país deve tratar o voto na ONU como o fez com o Informe Goldstone – como algo inevitável que deve ser condenado. Um grupo menor de oficiais, que inclui membros do gabinete do ministro de relações exteriores, da Shin Bet [a polícia federal israelense] e ligados ao gabinete de planejamento das Forças de Defesa de Israel acredita que Israel deve tentar influenciar a linguagem da resolução, visando à retomada das negociações depois do voto.

Tradução: Katarina Peixoto

 

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