Embrapa aponta palmeira como matriz mais rentável

VIVIANE MAIA
Da Redação - ADV


A tecnologia de produção do biodiesel vem sendo intensamente estudada com o objetivo de substituir o diesel derivado do petróleo, oriundo de fonte não renovável. Alternativas energéticas que atuem de forma eficiente e com menores danos ambientais são a aposta diante da crescente preocupação com a crise energética.

De acordo com a pesquisa desenvolvida por Otoniel Ribeiro Duarte, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Roraima) e divulgada em janeiro pela UDOP – União dos Produtores de Bioenergia, a palmeira Maximiliana maripa, mais conhecida como inajá, é uma espécie promissora e estratégica dentro do Programa Nacional de Produção e Uso de Biocombustíveis, pois preenche os quesitos relativos a desenvolvimento regional, inclusão social e preservação ambiental.

A espécie, muito comum no Estado de Roraima, pode produzir mais de 3.500 litros de óleo por hectare, ficando bem à frente, por exemplo, de outros "concorrentes" como dendê (produção de dois mil litros por hectare), pinhão (dois mil litros por hectare) e mamona (750 litros).

Segundo dados divulgados pela Embrapa Roraima, serão desenvolvidas ações, através de subprojetos, em rede pela Embrapa Roraima, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, com um orçamento de R$ 631 mil, financiado pelo Prodetab – Projeto de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologia Agropecuária para o Brasil.

De acordo com a Embrapa, o inajá é tolerante a inundações, queimadas e a condições de baixa fertilidade do solo. Um exemplo, segundo o pesquisador Otoniel Ribeiro Duarte, responsável por um dos subprojetos, é que as plantas jovens ao serem queimadas para o cultivo de pastagens, rebrotam com vigor e as sementes, que estavam em processo de dormência, germinam rapidamente.

"O inajá tem potencial econômico. Ele é rico em fósforo, magnésio e ácidos graxos, podendo ser usado como ração para aves, suínos e peixes, além de fornecer o palmito, farinha e óleo na alimentação humana e garantir matéria-prima à indústria de cosméticos e de produtos farmacêuticos", acrescenta Otoniel.

O inajá seu óleo aproveitado para operação em uma usina de biocombustível para geração de energia, implantada em Roraima, como resultado de uma parceria entre a Embrapa Roraima e o Instituto Militar de Engenharia (IME). A ação faz parte de um projeto piloto do IME para geração de energia com oleaginosas da Amazônia em comunidades isoladas de fronteira, que conta com recursos da FINEP e Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

A princípio, a produção prevista para a usina de biocombustível em Roraima será de quatro mil litros de óleo refinado, por mês, o suficiente para atender uma comunidade de até quarenta famílias. A usina será instalada no Campo Experimental Serra da Prata, da Embrapa Roraima, em Mucajaí (RR).

Segundo o folclore brasileiro, Inaiá era uma índia que reinava nos bosques e matas do Brasil como símbolo de beleza. O inajá já é utilizado nas comunidades indígenas há muito tempo.A polpa dos frutos é usada no preparo de alimentos. As folhas são aproveitadas na construção de paredes e coberturas das malocas. Já o pecíolo, que é a base da estrutura de sustentação das folhas, vira ponta de flecha. E a espata transforma-se em assento, em recipiente para transportar água ou pode ser utilizada também como cesto. A planta também é conhecida por outros nomes como anaiá, aritá, inajazeiro, maripá e najá.

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Comentário de Bernardo F Costa em 18 fevereiro 2009 às 17:12
Alguém tem o link para o estudo no site da embrapa ?
Comentário de Silvio Ricardo Taboas em 21 fevereiro 2009 às 9:13
Algum link para obter um resumo da pesquisa? Grato

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