Hoje vi um lindo colar de esmeraldas e me apaixonei....queria muito aquelas gemas no meu pescoço, muito. Olhei, olhei de novo e mais uma vez, calculei mil formas de encaixar a compra no meu orçamento; estava completamente seduzida quando uma das gemas se desprendeu, nas mãos da vendedora que não sabia como agir na minha presença ou o que dizer de uma peça tão cara que se desfazia assim nas suas mãos. Decepcionada por não possuir a peça e aliviada pelo que não gastei, me peguei pensando nas "esmeraldas" com que nos deparamos na vida. Pessoas lindas, sedutoras, aparentemente preciosas e pouco efetivas. A riqueza de alguns está para a vida como o brilho raro e translúcido de mar profundo das esmeraldas; basta um engaste mal feito e resta apenas uma moldura mal acabada e feia, um grande e estúpido vazio.
Ao longo da vida tive muitos momentos difíceis, aceitei empregos insatisfatórios, comi por meses a fio sanduíches de atum, me privei de muitas coisas e aprendi a valorizar o conforto material; sem ele muitos de nossos sonhos seriam irrealizáveis. E ponto, mesmo. Aprendi a valorizar, não a priorizar; pois com a superação das dificuldades, aprendi, que as amizades valem muito mais, assim como o amor verdadeiro. Tudo isto é meio clichê eu sei, mas a miséria de muitos continua sendo o dinheiro. Gente rodeada de amigos que desaparecerão assim que os primeiros sinais de cataclisma financeiro surgirem, gente que não investe de fato no outro, porquê aprendeu a ser amado de mentirinha, pouco e pobremente. Gente que aprendeu rapidamente o preço de um sorriso falso, de uma amizade efêmera, de um amor condicional e as vezes de uma companhia (ainda que insatisfeita) para toda uma existência.
Estas esmeraldas aprenderam diferentemente, na dificuldade e na superação o preço de cada coisa; mas por alguma razão deixaram de amar a si mesmos - deixaram um pouco de si em cada preço pago e se não pagam caro por algo na vida só lhe destinam o desvalor, a menos-valia, a depreciação. São pedras presas em engastes mal feitos, não ficam para toda vida...E o que fariam de si mesmos e de suas convicções se admitissem que alguém os olha com amor? Aceitar um simples carinho, sem um escambo direto seria admitir que todo o resto foi desamor. Receber um crédito assim seria manter um débito eterno, inadministrável e impagável por quem não tem nada a oferecer exceto talvez dinheiro.
Já tive muito e pouco dinheiro e aprendi o valor de cada coisa recebendo tanto amor que ele nunca me faltou. Nunca encontrei uma porta completamente fechada ou uma mão que não se estendesse ou ainda braços que não me abraçassem e um colo na hora certa -ou errada, porque nas piores horas sempre é mais necessário-. Aprendi pela grandeza de outros que poderia ser grande, mesmo na pobreza. Hoje sei o valor de cada coisa e não quis pagar por pedras que se soltam assim tão facilmente; vou pensar da mesma forma quanto aos milionários da dor. Àqueles a quem nada falta exceto a si mesmos, pobres-ricos, ocos vazios que pagariam qualquer preço por gemas falsas ou um falso amor. Vou pensar muitas vezes e calcular outras tantas para não doar o melhor de mim a alguém que não sabe receber e que será tão miserável a ponto de tentar quantificar meu carinho. Construir um novo caminho importa em saber dar as costas a lindas esmeraldas e seguir sem olhar para trás até encontrá-las solidamente engastadas. A vida, como a alma da gente pode ser grande ou pequena e depende muito de quem colocamos nela. Não gosto de incluir em minha preciosa existência pessoas que se desfazem ao toque e deixam um grande vácuo atrás de si. Apesar do tanto que já passei, sei reconhecer um sorriso sincero e a imensidão contida em um simples abraço fraterno. Posso me enganar e me deixar encantar pelo brilho de esmeraldas bonitas, mas não as quero mais em minha vida. As pedras em que esbarrei e contra as quais desferi duros golpes para abrir meus caminhos me ensinaram mais do que elas. Quero continuar assim e sinto que este tipo de milionários -miseráveis podem roubar tudo o que tenho. Não quero um dia acordar e pensar no preço dos beijos que recebo. São impagáveis como meus débitos; minha vida jamais terá saldo médio.* (neste final uma pequena e modesta homenagem ao J.C.B.)

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