Estou enferma ou a Ditadura ou a (In)diferença ou simplesmente o caos...ou o Amor...ou...

Estou enferma; sinto que meus sedimentos mais profundos se movem e o suave tremor em meu peito não traduz a imensidade do abalo; Estou enferma...

Enfermo provém da palavra latina 'infirmum', 'infirmu-', que significa: aquele que não está firme Não estou firme, estou viva e minha enfermidade me lembra o quanto. Firmeza é o que sentia quando estava perdida e não me sentia viva...Estou enferma e não encontro frases, desperdiço palavras ...as sílabas me fogem, as letras não fazem sentido, dançam na sopa cotidiana da vida...Estou enferma e na febre noturna busco teu corpo; quero a brutalidade do gozo e sentir que estás aqui quando me dóis...Estou enferma porque quando sofres meu corpo chora e minha alma é vendaval que devassa e destrói...Estou enferma porque me sangras e quase morro ...e há tanta vida neste vermelho vibrante que escorre pelas nossas novas paredes... Estou enferma e seguro a mão incerta e delicada da vida em uma noite que não tem fim ...Estou enferma e me perco no ódio das horas que gastamos sem ‘nós’...Estou enferma da distopia... de morte e de vida... Estou enferma de ser quem eu sou e da ditadura que anestesia....Estou enferma da minha Maria...definitivamente não estou firme desde que Maria é Vitória...Estou enferma de uma intensidade que vicia...Estou enferma e minha dor aumenta quando penso que pode passar um dia...como passaram estes fugazes anos de liberdade perdida...como passaram as festas loucas e a alucinação de dias bonitos...Estou enferma com a mudança que a doença, a ditadura e a (IN)diferença trouxeram...novos tempos em que as lindas cores da terra: todos os tons de pretos, marrons e vermelhos estão sendo borrados pela soturna escolha que se dá aos que não tem escolha...Estou enferma, com a mulher tardia que nasce em tempos tardios...não estou firme...neste mundo de homens e da força, neste mundo da regra sem sentido que subjuga a terra....Estou enferma porque sinto e o tempo agora é indolor...Estou enferma porque a vida pulsa ainda que seja o tempo de fechar os olhos e cerrar os lábios...Estou enferma porque a vida corre como um rio que deixa sulcos profundos e não estou firme à margem...minhas diferentes cores se perdem na correnteza...Estou enferma...estou viva no tempo da morte e a febre dos dias me perde e me encontra Viva! Meus pulsos marcados e a face da morte lembram que estou viva e que piedade também é distopia...Estou viva e este sentir em tempos de inexistir é fatal...Estou enferma e a regra é a mentira...Estou enferma e perdida...a verdade é o caos...Não estou firme e o tempo é de firmes convicções...Estou firme porque em mim tudo muda; só não muda o frêmito da procura e o amor...este impulso louco que me adoece...mas sou pleonasmo...não estou fria...estou enferma e o resto é ocaso.

 

 

 

 

 

 

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