A "política" insiste em nos mostrar dissabores indigestos. Os muitos escândalos que se vê em nosso cotidiano, não bastasse incomodar os olhos e ouvidos, têm ainda como problemática subjacente o empobrecimento da ordem social.


Os médicos sociais de plantão socorrem-se muito da apologia à Ética para tentar salvar a sociedade dando-lhes alguns beliscões pontuais. Contudo, parece-me que a missão da Ética não é essa. Ela não pode servir como tábua de salvação em face da conduta torta do Homem.


Repetidamente, em discursos, entrevistas, artigos, palestras, convenções, etc., sugere-se como remédio penas e censuras que não se prestam a muito, e nem põe termo ao problema. No máximo, inibe, de forma tímida, que tais desvios saiam do interior do Homem para o seio da sociedade, mas a experiência tem demonstrando, já de longa data, que essa prática não está
trazendo bom efeito.


Hoje em dia, fala-se como nunca se falou em condutas desvirtuadas. Isso, de certa forma, lembra-me Shakespeare: "menos ama quem só fala de amor". E a nossa sociedade está assim, a falar de "amor"... Parafraseando o dramaturgo, poderíamos dizer que somos a cada dia menos ético porque só falamos de ética, menos probo porque só falamos de probidade, menos honestos porque só falamos de honestidade.


Confesso que é difícil dizer se essa conclusão está correta. Mas, penso que ao invés de nos limitar a falar de ética - cuja missão é apenas catalogar os problemas da virtude humana para posteriormente submetê-los à apreciação de uma ciência que trate da solução -, melhor seria construirmos seres humanos virtuosos através da Educação. Não a "educação" da demagogia política e nem construção de meros prédios escolares.


"Educação" em discursos não educa ninguém, constitui apenas mero requinte de sofística. Quando falo em educação falo em Professores motivados, em técnicas pedagógicas eficientes, em conteúdo programático e em mobilização para uma causa comum.


Não adianta criarmos mecanismos como leis mais duras se não nos preocuparmos em criar pessoas mais humanas que precisarão cada vez menos dessas leis. É certo que precisamos punir o homem torto, mas, mais do que isso, precisamos formar na sociedade homens corretos e íntegros.


Não devemos nos cingir à busca de medidas que visem apenas afastar os sintomas das doenças sociais. Precisamos de medidas profiláticas para eliminar a causa dessas doenças, plantando no interior de cada pessoa conceitos virtuosos para começarmos a melhorá-las já dentro delas próprias.Semeando bons conceitos e valores evitaremos condutas nocivas à saúde da sociedade.


Talvez assim, falaremos cada vez menos de ética, de probidade, de honestidade, e poderemos voltar a falar de Amor.

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