foto de Balduvino Barani - via www.designerhk.com

 

 

 

*

 

Palavras são tecidas

para que se dispa,

a lua, de

seu luto.

 

 

Uma palavra,

a perdi - sábado,

creio - ao cruzar

sala e cozinha.

 

E, com certeza,

fora valiosa!

Compromitente,

o olho da escolha,

ao que fazer

do estar no mundo,

mo engajou e a usança,

compos-me ela.

 

De modo algum

a ter achado,

hoje ainda,

lastimo tanto.

 

Busca baldada,

no ar, esvaeceu.

Murcho, o vínculo,

não veiu e já não a

pronuncio; nem

mais me é vocábulo,

saiu, secou-me,

de mim, partindo.

 

Desde então - noto -

foi assim, a cada

extravio, como

me diminui.

 

E vigorosa,

face à esta, outra

nenhuma! Sóbria,

mas incisiva

e conducente,

até ontem,

fora utilíssima

lexia.

 

Das letras

ora migradas

para a distância

do nunca ao insólito,

das estrangeiras,

o esvaido préstimo,

não acá

lhe teço queixas.

 

Ao desarrimo,

sim, um exílio

que sobreveiu ao

deixar de ser

com alegria

o lha poder

viver,

pedra de toque.

*


 

 

Ney Maria Menezes

2009

Santana de Parnaíba

 


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