Hildegard Angel e a militância de seu irmão e de Dilma contra a Ditadura

Foram gravados para a campanha de Dilma Rousseff à Presidência vídeos com artistas e personalidades públicas apresentando as razões para votarem na candidata. Um vídeo em especial chamou minha atenção. Trata-se da participação da jornalista Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel e irmã do militante político Stuart Angel. Como se sabe, tanto sua mãe quanto seu irmão foram assassinados pelos militares na Ditadura, Stuart em 1971 e Zuzu em 1976.

No vídeo, Hildegard emociona-se ao falar sobre os ataques sofridos por Dilma através de seus opositores conservadores e, infelizmente, por parte da imprensa. Tais ataques são relacionados ao passado da candidata, militante de grupos de resistência à Ditadura Militar. Dilma é chamada de terrorista, o que é uma total inversão de papéis, já que foi o Estado quem praticou o terrorismo com a população a partir de 1964. Além disso, destaca-se a falsa ficha criminal do DOPS publicada com destaque pela Folha de São Paulo, que não se deu ao simples trabalho de comprovar a sua veracidade antes da publicação e que até hoje não concedeu um direito de resposta à Dilma ou à um de seus representantes.

A jornalista compara a atuação da candidata com a de seu irmão no período, além de tantos outros jovens que sacrificaram suas vidas pelos mesmos ideais. Em todas as oportunidades que teve, Dilma sempre mostrou-se orgulhosa por sua resistência à Ditadura. Ela foi presa, torturada e teve seus direitos políticos cassados:


Eu não vou esconder o que eu fui e não tenho uma avaliação negativa. (…) Tenho uma visão bastante realista daquele período. Eu tinha 22 anos, o mundo era outro, o Brasil era outro. Muita coisa a gente aprendeu. Não tem similaridade o que eu acho da vida hoje.

Dilma Rousseff

Apoie ou não Dilma Rousseff. Apoie ou não José Serra, que também foi membro de um grupo de resistência e chegou a exilar-se durante parte do período militar. Todos nós, em especial os jovens que não viveram as atrocidades da época, temos uma dívida de gratidão à eles, ao Stuart Angel e à todos os outros militantes, vivos ou falecidos. Graças à coragem dessas pessoas, hoje um sujeito de má fé tem total liberdade para propagar tais farsas pela rede e pela imprensa.






Uma mulher, ou um homem, qualquer ser humano que se submeta à tortura, à prisão, à toda sorte de medo, de perseguição, em nome de um ideal, do bem estar dos seus compatriotas, da liberdade do seu país, como foi o caso da minha mãe e do meu irmão, que deram a suas vidas pelo Brasil (…). Uma pessoa que faz isso, é especial. Abre mão de si, é uma pessoa diferente. Abre mão de sua própria vida, do risco de sobrevivência, é uma pessoa especial. Não é justo o que estão fazendo com a Dilma, porque é falso, é mentiroso. E o que estão fazendo com a opinião pública, que fica sendo manipulada, com biografias falsas, com histórias forjadas. Muitas vezes, grande publicações brasileiras publicam essas mentiras e não desmentem, mesmo quando é comprovado que foi um perjúrio, uma calúnia. Não desmentem. Tem sido assim essa nossa campanha. Eu tenho muita pena dos jovens brasileiros que deram a sua vida por este país, pois se tivessem sobrevivido, estariam sofrendo o mesmo tipo de calúnia.
É uma oportunidade de resgatar o passado. Lavar o passado não, pois eu muito me orgulho da luta do meu irmão, tenho um orgulho enorme pela luta e pelo sofrimento da minha cunhada, da minha mãe. Os três assassinados pelos governos militares. Acho que o Brasil, mesmo sendo passado a limpo, não pode deixar de ter memória. A memória é fundamental. Você não anda para a frente sem olhar para trás.

Hildegard Angel - Jornalista



na Roda Viva:
http://narodaviva.wordpress.com/2010/08/08/hildegard-angel-e-a-mili...

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Comentário de eduardo oliveira em 10 agosto 2010 às 12:45
Maravilha hilde, emocionante. Parabens

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