IGUARIAS DA TERRA BRASIL - CARURU, DA FLORA AO RECHEIO - 2ª PARTE

POST EM DUAS PARTES DEDICADO À LAURA MACEDO E LUIZA



CARURU, QUEM GOSTA, APROVA!


Proveniente da tradição cultural africana, a iguaria chamada de Caruru, é confeccionada com elementos bastante sugestivos e comuns, sendo o quiabo, sua principal adição e é o prato preferido de todos os filhos da Bahia, do mais simples morador aos mais ilustres.
É no mês de setembro , que começa a tradicional louvação às crianças,que se estende até o final de outubro, onde os devotos de todo o Brasil, costumam comemorar, com distribuição de doces e balas às crianças, principalmente e na Bahia, além das guloseimas infantis, existe a tradição chamada de "Caruru de Cosme e Damião".
No culto Afro, a tradição é mantida com a realização de festividades ,que acontecem nas Casas tradicionais do culto e em residências de Salvador, chamadas de "Samba de Cosme". Os anfitriões e os convidados, muitas crianças, formam uma roda , onde se samba ao som das cantigas que datam do tempo dos escravos, por tradição e por fé. Segundo relatos de família," o samba de cosme", foi eleito por fiéis das divindades infantis dos cultos afro, denominadas IBEJIS, que têm sua ligação com tudo da infância , doçura e a primeira etapa obrigatória de vida de todos os seres humanos.


DOCES E BALAS, CARURU E DOÇURA, PARA SÃO COSME E SÃO DAMIÃO

Incluído no recheio do acarajé, pode ser servido de várias maneiras, inclusive à La Carte.
Seu sabor é sem dúvida bem peculiar e sua consistência é a de um ensopado encorpado, o que para os que não são apreciadores , conta muito na hora da degustação.

Precisa-se somente ser conhecedor dos segredos de preparo deste prato, pois assim como o VATAPÀ, manda a tradição, que "começou tem de terminar", ou seja, quem começa tem que ir até o final do preparo, não devendo outra pessoa tocar no CARURU até que esteja pronto. No Brasil, foi incluído ao seu refogado , o amendoim , salgado e torrado, pois acentua bastante o seu teor energético. É considerado por muitos , uma comida forte e de alta sustentabilidade para quem o consome.


QUIABOS NAS FASES DE PREPARAÇÃO
A ALMA DO CARURU

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RECEITA DE CARURU - PARA 10 PORÇÕES
(DE MINHA AVÓ MATERNA)

-1,5 KG de quiabos frescos e tenros, sem a cabeça e o cabinho, cortados em 4 e batidinhos
( ao cortar em 4, têm-se fatias compridas. Juntando-as , cortar na horizontal em cubos)
-100 grs de amendoim torrado e moido sem casca, levemente salgado
-100 grs de castanhas salgadas(de caju), torradas e moidas
-500 grs de camarões frescos sem casca e cabeça ,lavados e temperados com sumo de meio limão
-500 grs de camarões secos ou defumados, moídos
-2 cebolas médias , de preferência raladas ou batidas no liquidificador, sem o caldo
-1 colher de sopa de gengibre ralado ou em pó
( Na preferência, dou vez ao gengibre fresco e ralado)
-1 molho de cheiro verde
-1 molho de coentro
-Alho , tomate e pimentão, são opcionais, ficando à critério do gosto da pessoa.
-1 peito de frango temperado e cozido com agua , louro e sal.
-Azeite de Oliva
-4 Colheres de sopa de Azeite de Dendê


_ Desfie o peito de frango após o cozimento e refogue no azeite de oliva , juntando a cebola , o camarão seco , o amendoim, a castanha, e um pouco de água;
-Após uns 15 minutos de cozimento, acrescente o camarão fresco e deixe apurar + 10 min, sempre em fogo brando
-Acrescente o gengibre, misturando bem , e após uns 5 min, vá colocando o quiabo aos poucos e mexendo sempre para não agarrar.
-Quando estiver dismanchando , acrescente os temperos verdes bem batidinhos.
-Após uns 5 min, acrescente o azeite de Dendê e deixe apurar por mais ou menos uns 15 minutos.
-Salpique com mais temperos verdes e sirva com o restante dos recheios do acarajé em um prato, como na foto , com feijão fresco, arroz branco, banana da terra frita, vatapá, abará , farofa de dendê.


PRONTO PARA SERVIR


COM OS ACOMPANHAMENTOS.


Fontes> A CULINÁRIA SECULAR DE JOVITA MARIA DA CONCEIÇÃO (MINHA AVÓ)
COMBINARTE, COMIDA REGIONAL - RJ



* PRÓXIMO POST> CAMARÕES , SALADA E A BOA PIMENTA, PRÁ TERMINAR O RECHEIO

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Comentário de Laura Macedo em 31 outubro 2009 às 2:27
Carmen,
Fiquei, literalmente, com água na boca. Há anos que não como um caruru.
Acho que já lhe falei que o último que comi estava divino e foi feito por uma baiana, que morava aqui em Teresina.
Desde pequena que meu prato predileto é carne moída com muito quiabo. Aqui em casa usamos quiabo em tudo que é comida de caldo. E garanto que não sobra nem para remédio. Só a nossa filha que não gosta.
Sua receita está super explicativa, mas não me atrevo a por a mão na massa, pois confesso que não sou boa cozinheira.
A tradição citada por você, de "quem começou tem que terminar", muito me lembra minha mãe já falecida. Por exemplo, começar a mexer uma comida implicava que teria que mexer até o fim, e por aí vai.
Tenha uma cozinheira excelente, quem sabe ele não se anima com essa receita e mata meu desejo de comer um autêntico Caruru.
Grata pela homenagem.
Super beijo.
Comentário de Cafu em 31 outubro 2009 às 10:45
Nhamnhamnham. Adoro caruru. Faço aniversário em setembro com minha avó e uma das irmãs. Quando morei na Bahia, em criança, nossos aniversários eram comemorados juntos com um caruru de Cosme e Damião e muitos docinhos e bolo de sobremesa. Bom demais. Até hoje tenho a maior ligação com Cosme e Damião. Uma amiga que viajou ao orinte médio me disse que eles são de lá e que eram médicos. Seus devotos acreditam no poder curativo dos gêmeos doutores.
Viva Cosme e Damião! Salve o caruru da Dona Jovita! Salve Carmem que mantém a tradição viva!
Comentário de Helô em 31 outubro 2009 às 19:26
Nossa! Tô aqui babando mais que quiabo de molho! :)))
Carmen, maravilha de receita. Aqui em Minas, principalmente em Juiz de Fora, quase não encontramos comida baiana e eu adoro!
A receita está muito bem explicada e assim que puder vou tentar fazer. Camarão fresco eu encontro aqui, mas o seco só no Rio. Próxima vez que for aí, vou comprar (acho que na Casa Pedro, no Saara, deve ter).
Beijos pras minhas amigas Laura e Cafu (ambas boas de garfo, haha).
Beijos pra você e parabéns, Carmen.
E que Deus abençoe a sua família!
Comentário de Luiza em 1 novembro 2009 às 16:00
Carmen, que capricho!
Fico aqui imaginando o carinho com que você prepara esses quitutes todos, com toda essa sabedoria.
Nunca fiz caruru, mas vou tentar hora dessas fazer desse jeitinho que vc explicou com tanta boa vontade.
E sem dendê...certo?
Obrigada por compartilhar esse conhecimento com a gente e pela homenagem.

Beijão

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