Impactos do aquecimento global e mudanças climáticas no sistema energético brasileiro

VIVIANE MAIA
Da Redação - ADV



As mudanças climáticas colocarão o sistema energético brasileiro em xeque. O alerta é dos pesquisadores do Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ Roberto Schaeffer e Alexandre Salem Szklo, coordenadores do estudo Mudanças Climáticas e Segurança Energética no Brasil, recentemente concluído, no qual apontam os impactos que o aquecimento global e as conseqüentes mudanças no clima terão sobre as fontes renováveis de energia no Brasil.

O trabalho constata que há vulnerabilidade na produção de energia de Norte a Sul do Brasil, seja a partir da água, dos ventos, da mamona ou da soja. “Em função do clima, toda a produção de energia vinda das fontes renováveis, salvo a oriunda de cana-de-açúcar, será menor. Por ser um país tropical, o sistema energético do Brasil será um dos mais afetados do mundo. O potencial de produção de algumas fontes cairá mais do que o de outras, porém, mais importante do que os números é o sinal amarelo que se acende, demonstrando que nossos modelos de projeção levam em consideração um clima que não se repetirá nos próximos 50 ou 100 anos. Isso precisará ser revisto”, diz Schaeffer.

O estudo mostra um cenário de queda generalizada na produção das hidrelétricas – que hoje respondem por 85% da geração de eletricidade no Brasil; redução de até 60% do potencial eólico brasileiro; redução ou mesmo inviabilização de culturas como mamona e soja, sobretudo no Nordeste e no Centro-Oeste, em função das elevadas temperaturas e da seca previstas para essas regiões. De todas as culturas analisadas, a cana-de-açúcar é a única que não será afetada negativamente, já que apresenta bastante tolerância a altas temperaturas. As principais regiões produtoras de cana do país continuarão dentro do limites de temperatura, favorecendo seu cultivo.

Diante do cenário estabelecido, o estudo propõe medidas para aumentar o uso racional da energia e sua eficiência, bem como a expansão da oferta de eletricidade por meio de uso de combustíveis alternativos (como resíduos sólidos urbanos e bagaço de cana) e o aumento da oferta de biocombustíveis, principalmente o biodiesel. Além disso, são apresentadas as lacunas de conhecimento que devem ser preenchidas através de investimentos em estudos e pesquisa, a fim de garantir a segurança energética do país.

Veja a apresentação do estudo na íntegra.

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