Indústria precisa de eficência energética

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


O incentivo governamental por meio de políticas públicas para ações de eficiência energética na indústria representa competitividade e economia de recursos. Essas são algumas das conclusões que um levantamento realizado em 13 setores da indústria nacional. A análise “O que foi feito no Brasil, oportunidades de redução de custos e experiência internacional”, foi feita em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) com a Eletrobrás.

No momento, o Ministério de Minas e Energia trabalha em um Plano Nacional de Eficiência Energética, em fase final de elaboração, mas ainda sem data precisa para ser divulgado. Essa ação por parte da pasta, ressalta a análise, confirma que esse é o momento para firmar parcerias, reorganizar esforços, estabelecer metas e priorizar recursos. Tornar os processos mais eficientes é defendido como uma das principais metas para acompanhar o crescimento da demanda de energia por diversos especialistas.

De acordo com o documento, a indústria é responsável por cerca de 40% do consumo de energia do país. Embora apresente expressiva demanda, nunca foi feito um plano governamental de eficiência energética de longo prazo para esta classe consumidora. As ações se concentram nas classes residencial, público e comercial, que respondem por 15% do consumo nacional.

O levantamento de 13 setores da indústria, somando 217 projetos de eficiência energética, o megawatt-hora (MWh) economizado teve um custo de R$ 79. Com base do custo marginal de expansão do setor elétrico projetado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), no Plano Decenal 2007/2016, de R$ 138 MWh, chega-se a um ganho médio de R$ 59 MWh com projetos de eficiência. Essa economia pode ser aplicada em outras prioridades, tanto pelo governo quanto pelos empresários.

O levantamento também apontou que cerca de 80% das oportunidades de economia de energia estão em processos térmicos, mas as ações governamentais de eficiência focam no consumo da eletricidade. Melhores resultados poderiam ser alcançados com ajustes no foco dos principais programas e fundos de investimento.

O apoio federal também poderia auxiliar a competitividade da indústria no plano internacional. Dos 63 programas de eficiência industrial analisados em 13 países, mais a União Européia, foi diagnosticado algum tipo de apoio direto dos governos nas ações de eficiência. Dentre os incentivos estão o financiamento facilitado, facilidades fiscais e treinamento de pessoal.

Ações

Duas ações são destacadas como um importante avanço para as ações de eficiência na indústria, mas ainda carecem de adequação para alcançar melhores resultados, o Procel Indústria, que visa reduzir as perdas em sistemas motrizes, e o Proesco, uma linha de crédito do BNDES que financia até 80% do custo dos processos de eficiência energética, podendo chegar a 100% caso seja aplicado em municípios de baixa renda das regiões Norte e Nordeste. Por outro lado, há relatos de críticas em relação ao excesso de burocracia para acesso ao Proesco.

O estudo também cita o Programa de Eficiência Energética (PEE) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que possui recursos advindos de 0,5% da Receita Operacional Líquida (ROL) de boa parte das concessionárias, que são aplicados em processos de eficiência aprovados pela agência reguladora. A aplicação desses recursos, entretanto, ganhou “conotação social” e metade deste valor, ou 0,25% da ROL, deve ser direcionado obrigatoriamente à consumidores de baixa renda.

“Do ponto de vista dos consumidores industriais, apenas uma ínfima fração dos custos com energia elétrica retorna como fomento ao uso racional da energia elétrica. Como exemplo, no período de 1999 a 2006, estima-se que as indústrias brasileiras pagaram R$ 157 bilhões em consumo de energia elétrica. Nesse mesmo período as concessionárias de energia elétrica aplicaram R$ 147 milhões, 0,09% do total pago, em projetos de eficiência energética industrial”, ressalta o documento.

Clique aqui para ver a análise na íntegra

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