Investimentos devem alavancar inovações

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV

Cerca de US$ 200 bilhões serão despejados no setor de energia até 2015. Esses investimentos devem ser aplicados em inovação e infraestrutura dos sistemas ao redor do mundo, atualizando e tornando as redes mais inteligentes. A estimativa consta de novo relatório divulgado pela consultoria Ernst & Young.

O documento Seeing energy differently prevê uma mudança na relação entre consumidores e prestadores de serviços, com a entrada de tecnologias que vão além das redes inteligentes (smart grids), envolvendo toda cadeia energética.

A modernização pode parecer um movimento inexorável, com crescentes e expressivos avanços tecnológicos, mas, segundo o relatório, a tecnologia deverá ser associada a questões sobre sustentabilidade, que atualmente estão no foco das atenções das empresas. Dentre essas preocupações, estão o desafio de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis; ampliar a eficiência energética; atender uma demanda crescente por energia com recursos escassos e aumentar o acesso à energia de acordo com as agendas nacionais.

Embora muitos movimentos de mudança de atuação de uma indústria sejam normalmente lentos, o documento alerta que as empresas deverão ter agilidade para aproveitar e colher mais rendimentos em um novo cenário que se avizinha.

O relatório aponta que essas mudanças estão em fase de adaptação em todos os aspectos, principalmente em relação aos grupos de interesse do mercado de energia.

Os argumentos só reforçam o que demais pesquisadores e empresas já vêm apontando há algum tempo. Recentemente, a IBM também produziu um estudo sobre o setor, onde apontou mudanças nas relações comerciais do setor energético, impulsionadas pela inserção do tema ambiental e redes inteligentes.

Setor inteligente

O documento se refere ao desenvolvimento de sistemas inteligentes em três diferentes níveis. O primeiro diz respeito ao smart grid, que envolve os processos de geração, transmissão e distribuição; os smart meter, que são os sistemas de medição inteligentes, e as smart applicances, aplicações inteligentes para o varejo e o consumidor final.

Essas mudanças devem favorecer o fluxo e o uso das informações, migrando para um cenário de incorporação das redes de telecomunicações e tecnologia da informação aos sistemas de transmissão e distribuição de energia. Os resultados serão refletidos em novas oportunidades de negócios para toda a cadeia. Na produção de energia, as redes inovadoras vão acomodar energia renovável de forma mais simples. Já na distribuição, irá permitir um maior gerenciamento da demanda e da energia ofertada.

Os métodos inovadores podem impactar o consumo de diferentes formas. Por um lado, os clientes vão poder gerenciar o consumo, por meio de modernos e interativos sistemas de medição, além de poder optar sobre qual modalidade de geração de energia deseja usar. Para alicerçar essa mudança, novos serviços de internet devem ser criados, movimento também o setor de Tecnologia da Informação.

Sozinha, a tecnologia pode não conseguir se estabelecer ou trazer os benefícios ao setor. Na avaliação do sócio da área de assessoria da Ernst & Young, José Ricardo Oliveira, a transformação deve ser acompanhada por políticas públicas específicas, que envolvam os aspectos regulatórios, econômicos e financeiros. “Estes novos players terão de aprender com esta mudança radical para atuar em outros setores também”, diz o executivo.

As tecnologias inteligentes vão gerar inúmeras oportunidades de negócios aos fornecedores e prestadoras de serviços nas áreas de energia, telecomunicações e tecnologia da informação. Além destes, grandes varejistas, empresas de telecomunicações e automotivas estão se posicionando estrategicamente para atuar de maneira inovadora nas rápidas mudanças em curso no setor.

No Brasil diversas distribuidoras estão pesquisando o tema e já contam com alguns projetos em andamento. A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), por exemplo, vem investido em inovações para o aperfeiçoamento do serviço de distribuição.

No entanto, essa nova modalidade de prestação de serviços ainda está sendo avaliada pelo governo federal. O Ministério de Minas e Energia criou um grupo de trabalho para avaliar a inserção da modalidade e a regulamentação dos serviços smart, trabalho que envolve diferentes linhas de estudo, como acesso ao crédito para a compra de equipamentos.



Leia aqui a íntegra do relatório

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Comentário de Gustavo Cherubine em 29 abril 2010 às 20:35
Excelente, parabéns Dayana, e muito obrigado.

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