Os olhos de João percorrem o quadro primitivo, a mulher da zona, desprotegida.

Na esquina, em pé, a blusa transparente, a prostituta acaricia o filho na barriga.

Dos olhos de João cai uma lágrima.

O filho de Ester morrerá com o crânio perfurado à bala.

Como  se chamará esse filho, João:  fantasma do silêncio, ou sombra da solidão?

O filho de Ester tem o destino submerso em cinzas, mas nascerá puro, à imagem e semelhança do Senhor.

Um deus bêbado, sem dinheiro, chama Ester para uma  diversão.

Ela foge para outra rua, prefere demônios com dinheiro, sua curtição.

Ao vê-la na esquina, João profetiza a loucura do mundo.

A fome dos machos morde os sonhos de Ester.

O demônio de botas presenteará Ester com dezenas de cueiros que  anjos coseram com agulhas da aflição.

João tem pena de Ester, puta e grávida, que poderá entrar em parto na rua.

João, João, te ajoelha, João.

Ele não sabe de onde vem a voz que o convoca.

João ajoelha-se , chama Ester de santa.

A dona do ventre sagrado permanece em pé, na esquina.

Foto via Google.

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