"JOBIM, JÁ VAI TARDE" ... (General Luiz Gonzaga Schroeder Lessa)

 

 

CARTA AO SENHOR JOBIM
Luiz Gonzaga Schroeder Lessa

(Publicada no Blog da

Academia Brasileira de Defesa)

 

- O autor é General-de-Exército, Ex-Presidente

do Clube Militar e Membro Fundador

da Academia Brasileira de Defesa -

 


12 de agosto de 2011

 

(Jobim,)
Por tudo de mal que fez à Nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias, das suas pretensões de efetivamente
comandar as Forças Armadas, mesmo que para isso tivesse que usurpar os limites constitucionais.

 


Como era natural, o senhor se foi, sem traumas, sem solavancos, subs-tituído quase que por telefone, não durando mais do que cinco minutos o seu despacho de despedida com a presidente, que, de forma providencial, já tinha até o seu substituto definido. Surpreso? Nem tanto.
Substituição aceita com a maior naturalidade, pois ela é parte da rotina militar.
O senhor talvez esperasse adesões e simpatias que não ocorreram, pri-meiro, pela disciplina castrense e, depois, pelo desgaste acumulado ao longo dos seus trágicos 4 anos de investidura no cargo de ministro da defesa. E como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram, por dever de ofí-cio, a desventura de servir no seu ministério (veja que omiti a palavra comando, porque o senhor nunca os comandou).
O desabafo à revista Piauí, gota d’água para a sua saída, retrata com fidelidade e até mesmo estupefação o seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores no trato dos assuntos funcionais, o desconhecimento dos preceitos da ética e do comportamento militar, a psicótica necessidade de se fantasiar de militar, envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas, como se um oficial-general se fizesse unicamente pelos uniformes, galões e insígnias que usa, esquecendo que a sua verdadeira autoridade emana dos longos anos de serviços prestados à Nação e da consideração e do respeito que nutre pelos seus camaradas. O senhor, de fato, nunca a entendeu e nunca foi compreendido e aceito pela tropa, por faltar-lhe um agregador essencial – a alma de Soldado.
Sua trajetória no Ministério da Defesa foi a mais retumbante desmisti-ficação daquilo que prometeu realizar.

 


2
Infelizmente, as Forças Armadas ficaram piores, ainda mais enfraquecidas. Suas promessas de reaparelhamento e modernização não se realizaram. Continuam despreparadas para cumprir as suas missões e, na realidade, são forças desarmadas, só empregadas no cumprimento de missões policiais, muito aquém das suas responsabilidades constitucionais.

 


A Marinha poderá até apresentar um saldo positivo no seu programa de submarinos, mas a força de superfície está acabada, necessitando de urgente renovação, que não veio.

 

A Aeronáutica prossegue sonhando com os modernos caças com que lhe acenaram, programa que desafia a paciência e aguarda por mais de 10 anos.

 

O Exército parece ser o que se encontra em pior situação no tocante ao seu equipamento e armamento, na quase totalidade com mais de 50 anos de uso. Nem mesmo o seu armamento básico, o fuzil, teve substituto à altura. Evolução tecnológica, praticamente, nenhuma. O crônico problema salarial que, por anos, atormenta e inferioriza os militares que são tratados quase como párias, não teve uma programação que pretendesse amenizá-lo. A Comissão da Verdade, em face da sua dúbia atitude, é obra inconclusa, que tende a se agravar como perigoso fator desagregador da unidade nacional.

 


O que fez o senhor ao longo desses quatro últimos anos para reverter essa situação, Sr Jobim. Nada! Só palavrório, discursos vazios, promessas que não se cumpriram, enganações e mais enganações. Mas sempre teve a paciência, a lealdade e a fidelidade dos Comandantes de Força.



A Estratégia Nacional de Defesa é o maior embuste que tenta vender. Megalômana, sem prazos e recursos financeiros delimitados por específicos programas governamentais, é um documento político para ser usado ou des-cartado ao sabor das circunstâncias, como atualmente ocorre, quando é vítima dos severos cortes orçamentários impostos às Forças Armadas, que inviabilizam os seus sonhos de modernização. Mal sobram recursos necessários para a sua vida vegetativa.


O caos aéreo que prometeu reverter com a modernização da infraestrutura aeroportuária só fez crescer e ameaça ficar fora de controle.
Você (como gosta de chamar os seus oficiais-generais) foi um embuste, Jobim.
Por tudo de mal que fez à Nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias, das suas pretensões de efetivamente
comandar as Forças Armadas, mesmo que para isso tivesse que usurpar os limites constitucionais.
Você parte amargando a compreensão de que nada mais foi do que um funcionário ad nutum, como todos os demais, demitido por extrapolar os limites das suas atribuições. A contragosto, é forçado a admitir que o verdadeiro comandante das Forças Armadas é a Presidente Dilma que, sem cerimônia, não tem delegado essa honrosa missão exercendo-a, por direito e de fato, na plenitude da sua competência.
Você acusou o golpe. Não teve, nem sequer, a disposição de transmitir o cargo que exerceu. Faceta da sua personalidade que a história saberá julgar.
...


1) O autor é General-de-Exército, Ex-Presidente do Clube Militar e Membro Fundador da Academia Brasileira de Defesa.

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Comentário de Ariston Álvares Cardoso em 16 agosto 2011 às 17:47
 Olha aí um militar graduado General de Exército, cidadão como poucos, MACHO, que merece o respeito e admiração de todos nós seus irmãos brasileiros civis que como ele não nasceram fardados como o JOBIM, esse aspecto de cidadão que usurprou os limites da dignidade brasileira quando burlou a Constituição do país e que infelizmente e não se sabe por que foi indicado Ministro de um Governo decente que busca limpar o país de indivíduos desclassificados. Esse General só poderia ser mesmo membro do Clube Militar que congrega em seu seio a nata do militarismo brasileiro conforme tem demonstrado ao longo dos anos.
Comentário de Marco Antônio Nogueira em 16 agosto 2011 às 21:57

 

Caro

ARISTON,

 

Permita-me discordar,

mas aquela turma do

Clube Militar sempre

esteve na contramão

da História.

O preconceito daquela

gente é o que há de mais

estúpido.

 

Olhe só o que eu havia

omitido deste artigo.

Veja  o que fala de

Celso Amorim.

Uma só pergunta:

por que esses milicos

não destilam seu ódio

contra a Direita?

Por que só contra a

Esquerda? Será que tais

milicos não têm cabeça

pra entender que nosso

PAÍS antes do Governo

LULA era algo de vergonhoso?

Veja o que eu havia

omitido:

 

"Como no Brasil tudo o que está ruim pode ficar ainda pior,

vamos ter que aturar o embaixador Amorim, que por longos

8 anos deslustrou o Itamaraty e comprometeu a nossa

tradicional e competente diplomacia. Sem afinidade com

as Forças, alheio aos seus problemas e necessidades mais

prementes, com notória orientação esquerdista, só o tempo

dirá se a sua indicação valeu a pena.
No fundo, creio mesmo que só ao Senhor dos Exércitos

caberá cuidar das nossas Forças Armadas."

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