O Irã tornou-se o centro das atenções com seu projeto nuclear. O Brasil defende o projeto iraniano, que segundo próprio país visa somente a produção de energia. Nessa semana, a relação entre os dois países voltou a ser destaque, mas não pela questão nuclear. Em discurso no Boca Maldita, em Curitiba, Lula anunciou que pretende pedir ao Presidente do país Mahmoud Ahmadinejad o exílio da iraniana Sakineh, condenada a morte por adultério.

Antes de tomar essa atitude, Lula foi alvo (novamente) da imprensa nacional. A questão nuclear já fora duramente críticada e discutida com pessimismo, e a decisão posterior do Conselho de Segurança da ONU em aplicar novas sanções ao país foi festejada. Lula foi criticado por não colocar a questão dos direitos humanos no Irã na pauta de discussões com Ahmadinejad.


Muitos não enxergam (provavelmente por vontade própria) que a solução é muito mais complicada que simplesmente fazer um pedido. O fato de Lula ser próximo de Ahmadinejad não lhe dá o direito de críticar e obrigar o país agir de forma diferente, não só no caso da iraniana, mas também em outras questões.


O Irã é um país teocrático, por conta disso, várias das decisões tomadas por seus líderes são vistas com maus olhos pelos países ocidentais. Sim, o fato de viverem e criarem leis baseadas nos ensinamentos religiosos não é bem aceito por uma população como a nossa, que vive em um Estado Laico. A pena de morte por conta de um adultério (quando poderíamos imaginar isso no Brasil?) não é uma decisão do Presidente iraniano, é uma lei do país, que ultrapassa anos, mesmo parecendo antiquada para nós.


Segundo o britânico The Guardian, o Irã mostrou sinais de que poderá flexibilizar sua posição sobre o caso, que pode ter mudado após a declaração de Lula, e é possível que ela tenha sua vida poupada.


Nenhum país do mundo tem o impacto que o Brasil e a Turquia têm com o Irã agora. Estes dois países podem salvar a vida da minha mãe.

Sajad, filho da iraniana condenada à morte.

(mais informações aqui)


Torço para que o Irã concorde com Lula para que Sakineh seja recebida em nosso país, e que futuramente, leis como essa sejam extintas. Por mais que entenda a complexidade de tal sistema penal, é inaceitável o Estado
tirar a vida de uma pessoa, seja por meio de um apedrejamento ou por
injeção letal, ou você acredita que tal modo seja mais humanitário?


Uma nação não pode mudar suas leis, suas crenças de uma hora para outra, é necessário tempo e discussão. Hoje, as relações entre dois ou mais países deve ser baseada no respeito, na diplomacia, um não interferindo nas questões internas do outro. Já imaginou o Brasil exigindo que Obama libertasse um dos presos não condenados de Guantánamo?


http://narodaviva.wordpress.com/2010/08/02/lula-e-o-pedido-de-exili...

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Comentário de Gabriel Pinheiro em 2 agosto 2010 às 19:14
Entendo sua posição e concordo com a barbaridade que é o sistema penal iraniano. O que acho que é tudo é na base da conversa, diplomacia em primeiro lugar, não vivemos mais em uma época em que basta um mais forte fazer uma exigência para os demais aceitarem. Não resolverá o Lula ou qualquer outro líder político obrigar o Irã a abrir mão de um conjunto de leis, crenças que atravessam os anos.

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