“MELANCOLIA”. O DRAMA CONTEMPORÂNEO

A chanceler alemã, Ângela Merkel, se encontrou hoje (16/08), em Paris, com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir a crise econômica na zona do euro. Os líderes das duas maiores economias vão propor em setembro a taxação do sistema financeiro. A economia alemã cresceu apenas 0,1% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro, registrando uma “acentuada desaceleração” em relação ao crescimento do período anterior. Na última sexta-feira (12), o Instituto Nacional de Estatística (Insee) divulgou que a economia francesa ficou estagnada no segundo trimestre do ano em relação aos dados do primeiro. Ontem, o governo alemão rejeitou a proposta italiana de criação de bônus da zona do euro e disse que o tema não fará parte das conversas de hoje. Na semana passada, a produção industrial da zona do euro caiu em junho, decepcionando expectativas de economistas e destacando preocupações sobre a capacidade da Europa em combater a crise econômica. A produção recuou 0,7% em junho sobre o mês anterior, enquanto na comparação anual a produção cresceu 2,9%, bem abaixo das estimativas de 4,4%. "Os números... sugerem que houve uma desaceleração na atividade industrial no fim do segundo trimestre, o que pode sugerir que a fraqueza pode persistir também no terceiro trimestre", avaliou Giada Giani, economista do Citigroup em Londres. Ontem foi divulgado que o Banco Central Europeu (BCE) gastou 22 bilhões de euros (US$ 31,7 bilhões) comprando títulos governamentais num esforço para manter a Itália e a Espanha longe de um desastre financeiro. No mesmo dia, Yves Mersch, membro do conselho executivo do BCE, garantiu que nenhum país da zona do euro terá permissão para deixar o bloco monetário. Mersch disse que seria irrealista e um suicídio financeiro para qualquer país deixar o euro quando não tiverem outra moeda para se apoiar. “Deixar a área do euro não é uma opção para qualquer país-membro”, afirmou Mersch ao jornal "China Business News". A Espanha vinha sendo obrigada pelo mercado a se comprometer com a saída do país da moeda única europeia em troca de obtenção de juros mais baixo na venda de seus títulos. Pesquisa da Bloomberg/YouGov indica que mais de metade dos alemães quer que a Grécia deixe a zona do euro e acha que Berlim não está disponível para mais resgates financeiros a países que não conseguem lidar com os seus desequilíbrios orçamentais. O estudo mostra que 58% dos alemães não querem partilhar a divisa com os helênicos, ao passo que 45% dos franceses também têm a mesma opinião. Anteontem, o jornal “Le Journal du Dimanche” publicou que o governo francês pretende reduzir seu déficit orçamentário em cerca de 10 bilhões de euros em 2012, mas “sem cortes drásticos nos gastos públicos ou um aumento geral de impostos”. Os analistas afirmam que Sarkozy não fará grande ajuste fiscal de olho na reeleição em 2012. A França tem um endividamento público de 1,64 trilhão de euro, equivalente a 85% de seu Produto Interno Bruto. Seu déficit orçamentário ficou em 7,1% do PIB no ano passado, muito acima do teto de 3% determinado pela União Europeia (UE). O cenário econômico previsto para 2011 prevê um crescimento de 2,2%, uma taxa de desemprego de 9%, e uma dívida pública de 85,4% do Produto Interno Bruto. O pacote fiscal do Palácio Eliseu será anunciado no próximo dia 24. Na semana passada, o custo de proteção contra eventual calote da dívida da França atingiu níveis recordes. O spread (risco) do contrato de swap de crédito (CDS) francês elevou-se para 163 pontos-base na manhã de quarta-feira em relação a 161 pontos-base, recorde de alta de fechamento atingido na véspera (9). As agências de risco garantiram, no entanto, que não rebaixaram a nota da França que é “AAA”. "As metas de redução do déficit são imperativas e serão atingidas independente da evolução das perspectivas para a economia", afirmou Sarkozy (acima) na semana passada. Ele interrompeu as férias na Cote d'Azur com a mulher, Carla Bruni, e convocou o gabinete da crise, e manteve conversas com o presidente do Banco da França, Christian Noyer, e com o primeiro-ministro François Fillon.

A ministra do Interior britânico, Theresa May, disse hoje (16) que o governo já estuda uma possível mudança na legislação para impor toques de recolher em áreas específicas ou para jovens menores de 16 anos. Segundo ela, a polícia britânica também ganhará novos poderes para enfrentar os distúrbios que afetam o Reino Unido por meio da revisão do funcionamento da polícia na Inglaterra e no País de Gales. A ministra anunciou ainda a criação de uma Agência Nacional do Crime no país e disse que é preciso aumentar o número de policiais nas ruas, o que, em sua opinião, não é necessariamente incompatível com o corte de 20% nos orçamentos que será aplicado pelo Governo. "As forças policiais terão os recursos necessários para desdobrar agentes na mesma quantidade que vimos na semana passada", declarou a secretária, para quem é possível "melhorar a visibilidade e a disponibilidade da polícia para o público". No domingo, May pediu à Procuradoria-Geral para avaliar a hipótese de cassar o anonimato de menores de idade, assegurado por lei, quando o crime for de interesse público. “Eles (o público) queriam ver mais polícia nas ruas, mas também ações duras. É exatamente o que a polícia começou a fazer”, disse anteontem a ministra. Segundo analistas, as autoridades britânicas estão preocupadas que novos distúrbios aconteçam, o que prejudicaria a segurança para as Olimpíadas de 2012 em Londres. Na semana passada, o primeiro-ministro, David Cameron, não descartou a possibilidade de pôr o exército nas ruas novamente. As autoridades britânicas colocaram caminhões em locais estratégicos (acima) que exibem em telões as imagens dos saques, a fim de que mais pessoas sejam denunciadas quando identificadas. Ontem, o primeiro-ministro britânico anunciou que, dentro da revisão de todas as suas políticas, estava uma reforma do funcionamento da polícia para torná-la mais eficaz. Entre as medidas a serem tomadas, Cameron falou em reduzir a burocracia que "asfixia" a polícia e pôr mais agentes na rua, apesar dos cortes orçamentários determinados pelo ajuste fiscal proposto pelo governo conservador. Após os distúrbios, os britânicos assistem agora a uma batalha mais dura: a de Cameron com a própria polícia. Em entrevista ao jornal “Sunday Telegraph”, o primeiro-ministro defendeu a contratação do estadunidense Bill Bratton para prestar consultoria à Scotland Yard, despertando a fúria da corporação britânica. “Não sei se vou querer aprender a lidar com gangues me baseando numa região dos Estados Unidos na qual há 400 grupos em atividade, quer dizer que seu trabalho não é eficaz”, desdenhou o chefe do corpo de oficiais da polícia, Hugh Orde, sobre a violência nas periferias dos Estados Unidos. Cameron argumenta, no entanto, que o Reino Unido não tem tradição no combate à violência doméstica, prometendo agora “tolerância zero”. “Vou falar mais sobre isso porque é verdade. Não usamos o suficiente a linguagem da tolerância zero, mas agora estão começando a nos escutar”, disse Cameron em relação à polícia britânica. Bratton, o lendário ex-chefe de polícia de Nova York, Boston e Los Angeles, foi responsável pela bem-sucedida campanha que reduziu a criminalidade em Nova York nos anos 90. A classe política também está dividida. Tanto Cameron quanto o líder da oposição, Ed Miliband, estão fazendo corpo a corpo em busca de uma melhor posição junto à opinião pública. Enquanto o primeiro-ministro voltou a anunciar medidas duras contra a criminalidade, Miliband acusou o governo de “populismo” e falta de foco em “planos de longo prazo”. Cameron incluiu ontem banqueiros, jornalistas e executivos envolvidos com o escândalo de grampos telefônicos como exemplos da deterioração moral no Reino Unido. “Há um colapso moral em certas partes do país e precisamos enfrentá-lo. Estamos diante de problemas como irresponsabilidade, egoísmo, crianças sem pais, escolas que não disciplinam, recompensa sem fazer esforço”, afirmou o conservador. “Alguns dos piores aspectos da natureza humana estão sendo tolerados e até incentivados pelo Estado e suas agências. A maioria dos britânicos quer ver o governo agir para mudar esse cenário, e eu posso assegurar que não vamos decepcioná-los”, acrescentou. Segundo pesquisa, apenas 30% dos britânicos acreditam que Cameron agiu certo na crise. “O primeiro-ministro está sendo superficial e simplista. Descrever o que aconteceu na semana passada como apenas uma questão de criminalidade ou culpar os pais dos jovens envolvidos não é examinar as raízes do problema. Em vez de uma investigação profunda, o premier está lançando mão de factóides”, disparou o trabalhista Miliband.

Coreia do Sul e Estados Unidos iniciaram hoje (16) exercícios militares conjuntos próximo à Coreia do Norte (acima), apesar do pedido de Pyongyang para cancelar as manobras e sua advertência de que a península coreana enfrenta sua "pior crise". Segundo o comando conjunto de forças de ambos os países, 56 mil soldados sul-coreanos e 30 mil americanos serão mobilizados, enquanto outros 3 mil participarão de bases estrangeiras em exercícios computadorizados até o dia 26 de agosto. Além disso, forças do Reino Unido, França, Austrália, Canadá, Tailândia, Noruega e Dinamarca também participarão das manobras sob coordenação do Comando das Nações Unidas, o que elevará os participantes a 530 mil soldados no total. "A península coreana enfrenta a pior crise de sua história. Uma guerra total pode ser provocada ao menor incidente", declarou a agência oficial norte-coreana KCNA. Washington e Seul classificaram a manobra de “exercícios habituais de defesa”, mas Pyongyang afirma que são preparativos para uma invasão da Coreia do Norte. "Nosso Exército e nosso povo não ficarão imóveis diante da mobilização em massa de soldados imperialistas estadunidenses que ameaçam nossos direitos soberanos", escreveu o jornal “Roding Sinmun”, que expressa a opinião do Partido Comunista norte-coreano. Segundo o comunicado do comando conjunto da Coreia do Sul e dos EUA, os exercícios têm como meta reforçar a operabilidade, a logística e os trabalhos de inteligência entre os dois exércitos, enquanto o Estado-Maior sul-coreano destacou que busca manter em prontidão as defesas contra a Coreia do Norte. Na última quarta-feira (10), o Exército da Coreia do Sul efetuou disparos de artilharia nas cercanias da ilha de Yeonpyeong, fronteiriça com a Coreia do Norte, em resposta a detonações de artilharia aparentemente procedentes de manobras do Exército norte-coreano, segundo informou a televisão sul-coreana YTN. No mesmo dia Washington acusou Pequim de “falta de transparência”. Os Estados Unidos declararam que esperavam uma resposta do país asiático se suas Forças Armadas necessitavam da embarcação militar. "Daremos as boas-vindas a qualquer tipo de explicação que a China queira dar sobre a necessidade deste tipo de equipamento", disse em sua entrevista coletiva diária a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland. "Em relação a esta aquisição específica, a preocupação é que queremos entender melhor como pode ser usada e quais são as intenções. Este é o tipo de informação que melhoraria e tornaria nossas relações militares mais transparentes", acrescentou. Pequim teve, no entanto, uma “vitória política”, pelo menos temporária, na questão militar. Os Estados Unidos rejeitaram um pedido de Taiwan para o fornecimento de 66 novos caças F-16C/D, depois de a China alertar que isso poderia inflamar as tensões entre Washington e Pequim, disse o boletim “Defense News” citando uma fonte oficial taiwanesa. "Estamos muito frustrados com os EUA", disse uma fonte militar de Taiwan, não identificada, acrescentando que uma delegação norte-americana que visitou a ilha na semana passada ofereceu modernizar os antigos caças F-16A/B. Outro ponto de atrito entre Washington e Pequim foi a notícia publicada pelo jornal “Financial Times”. Segundo o periódico britânico, o Paquistão permitiu o acesso da China ao até então desconhecido helicóptero dos Estados Unidos que caiu durante a operação que matou Osama bin Laden em maio, apesar de pedidos explícitos da CIA para que isso não ocorresse. De acordo com um informante do “FT”, identificado apenas como ligado à inteligência dos EUA, o Paquistão permitiu que oficiais da inteligência chinesa tirassem fotos do helicóptero, além de colher amostras de seu revestimento especial, que permitiu que a invasão estadunidense se mantivesse fora do radar paquistanês. A agência de informação do Paquistão negou a informação do “Financial Times”. Pequim, que vem estabelecendo laços comerciais cada vez mais fortes com Islamabad, esteve em rota de colisão com as autoridades paquistanesa depois que a agência Nova China, citando fontes do governo chinês, divulgou que por trás dos ataques em Xinjiang, que deixaram um total 19 mortos, estão terroristas que foram treinados no Paquistão. Hoje uma aeronave teleguiada estadunidense disparou foguetes numa casa do noroeste do Paquistão, perto da fronteira com o Afeganistão, matando quatro pessoas acusadas de serem combatentes do Talibã e da al-Qaeda. Versões iniciais indicavam que havia dois estrangeiros entre as vítimas. Já no Afeganistão, quatro seguranças morreram e oito ficaram feridos num ataque suicida talibã seguido de um tiroteio perpetrados contra uma empresa de segurança localizada na província afegã de Candahar. Ontem, o grupo terrorista afegão apontou o alto custo da guerra no Afeganistão como a causa para a crise econômica nos EUA e pelos recentes distúrbios no Reino Unido. "Sem dúvida, a causa fundamental e principal da crise financeira, das penúrias e dos distúrbios os quais os Estados Unidos e Reino Unido enfrentam atualmente são as políticas e os desejos imperialistas e beligerantes desses países", asseguraram os talibãs num comunicado pela Internet. "A única forma de o povo estadunidense sair da tempestade da crise financeira é colocar fim à guerra no Afeganistão e retirar suas tropas o quanto antes", acrescentou.

A Força Aérea israelense atacou hoje (16) a faixa de Gaza, ferindo três pessoas gravemente. Ontem à noite, ao menos um foguete, disparado de Gaza, caiu nos arredores da cidade de Beershava, no sul de Israel, sem provocar vítimas, informou a polícia local. Segundo a rádio estatal de Israel, outro foguete foi disparado em direção a Beersheva, mas não foi possível determinar onde caiu. Durante o dia o Ministério da Defesa israelense anunciou que Israel construirá 227 novas casas para judeus na Cisjordânia ocupada. "O ministro da Defesa, Ehud Barak, aprovou na semana passada a construção de 227 casas no assentamento de Ariel, das quais cem serão destinadas às pessoas que tiveram que deixar Netzarim, assentamento na faixa de Gaza cuja população foi retirada em 2005”, informou o Ministério da Defesa israelense, em comunicado. O anúncio ocorre dias depois que a comunidade internacional, especialmente a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, condenou as últimas autorizações para a construção de casas em Jerusalém Oriental. Na semana passada foi anunciada a aprovação por parte do Ministério do Interior de planos para a construção de 1.600 casas na colônia judaica de Ramat Shlomo e, no início do mês, também foi aprovada a edificação de 930 casas em Har Homa. A imprensa local também informou sobre os planos para a construção de outras 600 casas em Pisgat Ze'ev e de mais 2.000 em Givat Hamatos, também em Jerusalém Oriental, cidade que os palestinos reivindicam como a capital de seu Estado. Segundo a ONG israelense B'Tselem, o assentamento de Ariel, no qual vivem mais de 17 mil colonos, fica localizado no distrito palestino de Salfit, ao sul de Nablus, e foi construído sobre terras desapropriadas por Israel em 1978 "sob o falso pretexto de necessidades militares". "O governo coloca mais lenha na fogueira para setembro", mês em que os palestinos pretendem que a ONU reconheça o Estado Palestino e "se aproveita da crise da moradia em Israel para expandir os assentamentos", acusou a diretora do departamento de acompanhamento dos assentamentos da ONG israelense Paz Agora. No Parlamento, os deputados tentam a aprovação do texto que transformará Israel numa “república judaica e democrática”, o que possibilitará a exclusão dos partidos árabes e muçulmanos de participarem das próximas eleições. Ao mesmo tempo, o hebraico será considerado a única língua oficial, acabando com a adoção do árabe e do inglês. Enquanto a discussão política ocorre em Israel, a tensão na região cresce a cada dia. Fortes disparos de metralhadora e de outras armas foram ouvidos hoje em toda a cidade síria de Latakia, na costa do mar Mediterrâneo. Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), mais de 5 mil refugiados palestinos escaparam de um campo de refugiados em Latakia, depois de disparos das tropas do governo. Antes de Latakia, os militares já haviam atacado Hama, cenário de um massacre contra dissidentes em 1982, Deir al Zor, capital de uma província tribal no leste da Síria, e várias localidades na província de Idlib, que faz fronteira com a Turquia. No sábado (13), Ancara, aliada de Damasco, ameaçou participar de uma intervenção militar na Síria caso a violência não termine. “A Turquia não descarta uma intervenção internacional. A paciência do premier (Recepp Tayyip) Erdogan está se esgotando. A Síria já é governada por uma minoria étnica (alauíta) muito próxima à maioria xiita no Irã”, justificou um alto oficial do governo turco ao diário "Hurriyet". Dois dias antes, o jornal israelense "Ha'aretz" publicou que o exército de Israel se prepara para um possível confronto armado com a Síria em setembro. De acordo com o informativo, se centenas de palestinos da Síria tentarem entrar no território ocupado por Israel das Colinas de Golã, como aconteceu em maio e junho, o líder sírio Bashar al Assad pode enviar seus militares à zona, o que levará as Forças de Defesa israelenses ao ataque. Tel-Aviv já reprimiu as manifestações na fronteira da Síria com o Líbano (acima). Na noite da mesma quinta-feira, em entrevista à rede CBS, a secretária de Estado EUA, Hillary Clinton, apelou para que a Rússia parasse de vender armas à Síria. "Queremos ver a Rússia deixar de vender armas ao regime de Assad", disse Clinton na entrevista. O presidente russo, Dmitry Medvedev, admitiu que Moscou pode tomar "algumas determinações” contra o governo sírio se al-Assad não restaurar a paz no país e avançar nas reformas.

O Irã informou hoje (16) que as "propostas" feitas pela Rússia são uma "base" para iniciar as negociações sobre seu programa nuclear com a comunidade internacional. "As propostas de nossos amigos russos podem ser uma base para iniciar as discussões para a cooperação regional e internacional, principalmente, sobre nossas atividades nucleares pacíficas", afirmou o diretor do programa nuclear iraniano, Said Jalili. A afirmação foi após um encontro com o secretário do Conselho de Segurança russo, Nikolai Patruchev, que chegou ontem a Teerã. Patruchev já havia declarado que Moscou se encontra numa posição muito privilegiada para negociar com Teerã por projetar, montar e fornecer urânio para a usina atômica de Bushehr, no Irã. Segundo ele, este recado foi transmitido ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pelo chanceler Sergei Lavrov, quando o chefe da diplomacia russa visitou Washington em julho. “Como interlocutor habilitado do regime iraniano, o governo russo desenvolveu uma estratégia ´passo a passo´ para levar o Irã a esclarecer dúvidas sobre o seu programa nuclear, em troca da eliminação gradual de sanções ao país”, disse Lavrov a Obama. Se o líder estadunidense já fez declarações elogiando o novo relacionamento entre Washington e Moscou, o mesmo tratamento não é dado pela imprensa estadunidense. A revista “Newsweek” publicou reportagem de capa com o título “Rússia fascista”. O semanário analisou a possibilidade do fascismo estar tomando conta do país com base no manifesto deixado na Internet pelo atirador Anders Behring Breivik, autor do atentado que deixou dezenas de mortos na Noruega. No manifesto, Breivik justifica a necessidade de educação “conservadora” e “patriótica” da juventude, citando como exemplo a seguir a Nachi, criada em 2005 na administração do então presidente Vladimir Putin e liderada por Vassili Iakemenko, dirigente da Agência Federal (Ministério) da Juventude. “A opinião de Anders Breivik, independentemente do tema, não passa da opinião de um louco. Ele teve como objetivo desestabilizar a situação na Noruega e chamar a atenção para ideias fascistas. O movimento Nachi é conhecido pela luta firme contra o fascismo e não consideramos reagir a declarações de psicopatas e fascistas”, reagiu Kristina Potuptchiv, porta-voz da organização russa. O atirador norueguês também recorreu à Rússia como exemplo de organização política ideal. “A democracia não funcional na Europa deve ser substituída por uma forma dirigida de democracia, semelhante à russa”, escreveu Beivik, acrescentando que “Putin deixa a impressão de ser um dirigente justo e decidido, digno de respeito”. Dmitri Peskov, porta-voz de Putin, apelou para não se tirar “conclusões precipitadas” enquanto não se provar que o documento foi escrito por Breivik. “O terrorista é uma criação interna e tudo o que escreveu pode ser considerado delírio de um louco”, declarou Peskov ao jornal “Kommersant”. O Kremlin reage às insinuações a um possível movimento nacional-socialista, afirmando que Moscou exigiu da União Europeia e da Otan que avaliassem o encontro dos veteranos da 20ª Divisão das SS no dia 30 de julho na Estônia. "Os parceiros da Estônia na União Europeia e na Otan, e as organizações internacionais não podem negligenciar e deixar de avaliar a conivência criminosa por parte das autoridades da Estônia na organização de tais eventos", informou um comunicado da Chancelaria russa. A indignação veio também do deputado Maxim Mishchenko, líder do movimento "Rússia Nova" na Duma (Parlamento russo): "Aquilo que aconteceu em 30 de julho na localidade de Sinimäe na Estônia é um grande escândalo internacional. Porque se uma pessoa lembrar da história, irá perguntar: o que fazia a 20ª Divisão das SS da Estónia? Operações punitivas. Não muito longe Sinimäe, na localidade de Kluoga, foi o maior campo de concentração na Estônia, onde foram destruídos, de acordo com historiadores, de 7,5 a 8,5 mil de judeus. Foram sendo confinados, não só na Estônia, mas em todas as áreas próximas. Acho que, ao permitir o encontro dos veteranos nazistas, as autoridades da Estônia desafiam não só a Rússia, mas toda a comunidade internacional. Na verdade, o fascismo está sendo reanimado". Mas a revista estadunidense levantou suspeita de que o ambiente político vivido atualmente pela Rússia pode caminhar para o nazi-fascismo. Os líderes da extrema-direita russa, entrevistados pela “Newsweek”, se gabaram de ter amigos poderosos no poder para a aplicação da lei. "Temos aliados no exército, na polícia, e entre o FSB (serviço secreto russo)", contou Dmitry Demushkin, conhecido no grupo pelas iniciais “SS”. Há denúncia que a polícia prende os neonazistas (acima), mas que eles ficam apenas de três a 15 dias atrás das grades. Já 200 indivíduos de pele escura foram presos pelo Serviço de Migração Federal que receberam a ordem de reprimir estrangeiros por “vadiagem”. Até aliados do governo estão apreensivos com o movimento de extrema-direita. "A situação é semelhante à que existiu durante a Weimar (República alemã anterior ao nazismo): há falta de ideologia, um profundo desequilíbrio social e fraqueza generalizada das instituições do Estado”, disse o deputado Sergei Markov. O discurso da extrema-direita, principalmente entre a juventude, é simples e direta: parar a "islamização da Rússia", além da imigração de nativos do Cáucaso para a “Rússia européia”. Vitaly Kurylev, de 23 anos, que exibe no peito, tatuado com o slogan SS nazista "Minha honra é a lealdade”, disse que ingressou no movimento porque "imigrantes do Cáucaso do Norte" estavam se tornando maioria em seu bairro, ao norte de Moscou. Segundo a "Newsweek", a presença da polícia tem visivelmente aumentado nas ruas da capital russa e o presidente Dimitry Medvedev faz questão de chamar a Rússia de "nossa nação multiétnica". O temor de uma onda de reivindicações separatistas da Federação Russa vindas do Cáucaso, de maioria muçulmana, está claro na movimento dos líderes do país. Recentemente, Putin esteve no Cáucaso do Norte onde se reuniu com jovens e pediu união nacional, citando um velho slogan soviético: "Garotos, vivamos em paz."

Os capitalistas Tico e Teco voltaram a conversar sobre o mundo contemporâneo, acompanhados pela diarista Aparecida e pela filha Bytes, no dia 16 de agosto, Dia do Filósofo.

Tico: No dia de hoje o Chipre declarou a independência do Império Britânico. A ilha, situada no mar Mediterrâneo oriental ao sul da Turquia, próximo da Síria e do Líbano, é membro da União Europeia (UE) desde 2004. O terço restante (norte da ilha) foi ocupada pela Turquia em 1974, que instituiu a República Turca de Chipre do Norte, nunca reconhecida pela ONU. Depois de sucessivamente ocupado por fenícios, egípcios, assírios, persas, gregos e romanos durante a antiguidade, o Chipre foi dominado pela República de Veneza até a invasão dos turcos otomanos em 1570. Pelo Congresso de Berlim, a ilha passou à administração britânica no dia 12 de julho de 1878, sendo convertida oficialmente em colônia em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial. Em 1960, Chipre, Grécia e o Reino Unido assinaram um tratado que declarava a independência da ilha, ficando os britânicos com a soberania das bases de Akrotiri e Dhekelia. No dia 15 de julho de 1974 um golpe pró-helênico depôs o governo legítimo, o que provocou a reação de Turquia, que resolveu defender os interesses dos turco-cipriotas. A invasão da parte norte da ilha foi declarada ilegal pelo Conselho de Segurança da ONU, cuja resolução ordena retirada imediata das tropas turcas. Ancara até hoje não cumpriu a resolução. Ao contrário, criou a República Turca do Chipre do Norte, um estado reconhecido apenas pela Turquia e pela Organização da Conferência Islâmica. O Chipre declarou a sua independência há 51 anos.

Teco: No dia de hoje Gamal Abel Nasser, então presidente do Egito, boicotou a primeira conferência em Londres para discutir a situação do canal de Suez. No dia 24 de julho, Nasser nacionalizou o canal desencadeando uma guerra que precipitou o fim da antiga Europa colonial no Oriente Médio. "Não podemos ter esse vagabundo metido em nossas vias de comunicação", disse o ex-premier britânico Winston Churchill. A França pretendia punir Nasser por apoiar os rebeldes separatistas da Argélia, enquanto Israel queria garantir a circulação de suas embarcações pelo canal. No dia 29 de outubro, Israel, com o apoio do Reino Unido e da França, invadiu o Egito para ter controle sobre o canal que liga a Europa à Ásia sem precisar contornar pela África. Tel-Aviv alegou que a nacionalização teria bloqueado o seu acesso ao mar Vermelho através do estreito de Tiran, no golfo de Aqaba. No desenrolar do conflito, Israel ocupou a península do Sinai e assumiu o controle do Golfo de Aqaba, reabrindo o porto de Eilat. Apesar de o Egito ter sido derrotado por Israel, os britânicos, franceses e israelenses tiveram que aceitar a retirada de suas tropas dos locais ocupados após acordo entre estadunidenses e soviéticos que se refletiu em determinação da ONU. Os historiadores definem o fato como um marco porque significou o fim do Império Britânico. Como maior credor da Inglaterra, Washington ameaçou vender os títulos do Tesouro inglês caso o seu Exército não se retirasse do canal. Surgiram os dois novos atores da segunda metade do século XX: EUA e União Soviética. A guerra também deixou sequelas. Os árabes, principalmente os palestinos, consideraram Israel como defensor dos interesses coloniais europeus no Oriente Médio. O boicote de Nasser a Londres ocorreu há 55 anos.

Bytes: No dia de hoje nasceu o escritor alemão Charles Bukowski, que viveu nos Estados Unidos. Fundador da geração Beat, precursora do movimento hippie, Bukowski despertou em sua obra os sentimentos de repulsa, nojo, ódio, amor, paixão e melancolia. Os beatniks levavam a vida como nômades ou fundavam comunidades. Os beatniks foram os pioneiros da contracultura estadunidense. Bukowski morreu de leucemia, aos 73 anos, em Los Angeles.

Aparecida: No dia de hoje morreu no Tennessee, nos Estados Unidos, o cantor Elvis Presley, o “Rei do Rock”. Hoje mais de 15 mil fãs prestaram homenagens ao cantor em Graceland, seu antigo lar em Memphis, para lembrar o 34º aniversário de sua morte súbita.

Bytes: No sábado, milhares de mulheres com roupas provocantes participaram, em Washington, da "marcha das vadias" para pedir o fim da violência sexual. Reunidas em frente à Casa Branca, as manifestantes rejeitaram a afirmação de que incentivam os ataques pelo seu modo de vestir. O movimento nasceu no Canadá, quando um policial de Toronto declarou que as mulheres "deveriam evitar se vestir como vadias para não serem agredidas".

Aparecida: Na Alemanha, muitas se vestiram de noiva. O véu impedia a visão da nudez (acima).

Tico: O que você achou da política de segurança do Reino Unido para evitar novos distúrbios no país?

Teco: É preciso ter muita calma nesta hora. O primeiro-ministro britânico queria bloquear as redes sociais. Após a declaração, muitos se lembraram de como os líderes árabes trataram os seus “indignados” na “Primavera Árabe”. Quem é bem informado sabe como fizeram os egípcios para escapar da censura. Simplesmente se conectaram com linhas do exterior para manterem as manifestações.

Bytes: A Internet é uma “tecnologia militar”, pensada para não ser bloqueada. Ninguém vai conseguir impedir a manifestação popular, seja ela para o bem ou para o mal. Da mesma forma que os indignados britânicos se organizaram em “tempo real”, na mesa proporção a polícia utilizou as redes sociais para descobrir os que praticavam vandalismo na capital londrina.

Aparecida: O seu Carlos está desolado. Ele já passou seis meses com a filha que mora em Londres. Ele disse: “Naquele tempo eu conheci a paz e o direito de ir e vir. Na TV você só escutava ´boas notícias´. Quando se falava de violência era culpa do IRA. Eu não acredito nas cenas de vandalismo que vi agora na TV. É o fim do mundo!”

Bytes: Quando assisti às cenas de violência na capital britânica pela TV, estava escutando no YouTube a música “por que a gente é assim?”, do Cazuza. (cantando): “Canibais de nós mesmos/Antes que a terra nos coma/Cem gramas, sem dramas/Por que a gente é assim?”

Aparecida: Na Filadélfia, Estados Unidos, o prefeito determinou toque de recolher a partir das nove horas da noite todas as sextas e sábados. Segundo ele, uma série de ataques a moradores por grupos de jovens e grupos de rua o levou a tomar a polêmica medida. "Os menores que forem descobertos violando o toque de recolher serão enviados para casa ou levados a uma delegacia de polícia onde se entrará em contato com seus pais. Poderá impor-se aos menores uma multa de entre US$ 100 a US$ 300 pela primeira ofensa", advertiu a Prefeitura em comunicado de imprensa. "É um problema crescente neste país", disse à CNN o delegado de polícia da cidade. Segundo a Prefeitura, em um dos ataques, um cidadão que andava de bicicleta foi espancado "até perder os sentidos", enquanto outro grupo de jovens quebrou a perna da diretora de um jornal de entretenimento.

Bytes: Os “desafetos” do Primeiro Mundo estão aproveitando a oportunidade para a crítica. Na quarta-feira, o regime líbio disse que o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, perdeu "toda a legitimidade" devido aos distúrbios que atingiram o país. Segundo o porta-voz do Ministério de Assuntos Estrangeiros da Líbia, Khaled Kaim, a atuação de Cameron em relação às manifestações foi de "violenta repressão". O porta-voz líbio considerou que o povo britânico quer demonstrar com os distúrbios dos últimos dias sua rejeição ao governo conservador de Cameron por querer "se impor pela força". Kaim pediu também que o Conselho de Segurança da ONU intervenha na questão para "se opor à flagrante violação dos direitos dos britânicos".

Aparecida: Falando em repressão, como ficou o julgamento do Hosni Mubarak no Egito?

Bytes: Foi adiado para setembro. Ele está internado num hospital no resort do mar Vermelho de Sharm el-Sheikh desde abril, quando sofreu problemas cardíacos no seu primeiro interrogatório. Mubarak comparece agora às audiências na maca e enjaulado como um animal.

Aparecida: Eu soube que na segunda audiência houve confronto na praça Tahir entre partidários dele e da oposição. Muitas pessoas trouxeram bandeiras com fotos do antigo líder, condenando o julgamento (acima) dele. Outros estão preocupados com os rumos da “revolução”. "Estou um pouco preocupada que, se Mubarak for julgado e condenado, as pessoas vão tomar isso como o fim da revolução. Eles vão dizer que a revolução alcançou seus objetivos. O que não é o caso", disse Tareq Shalaby, de 27 anos.

Bytes: O ministro do Interior da Líbia, Nassr al-Mabrouk Abdullah, e nove membros de sua família chegaram ontem ao Egito num jato particular. Analistas políticos disseram às agências internacionais que a chegada ao Egito seria um sinal claro de deserção dos aliados do líder líbio e a proximidade da queda de Kadafi.

Aparecida: Na quarta-feira, rebeldes líbios e representantes do regime de Kadafi se reuniram em segredo em Djerba, uma ilha do sul da Tunísia localizada próximo à Líbia, segundo informaram diversas fontes à agência de notícias France Presse. Recentemente, houve um forte tiroteio na fronteira entre os dois países.

Bytes: Um cidadão jordaniano e outro israelense serão julgados no Egito, por acusações de espionagem a favor dos serviços secretos de Israel. Segundo a agência de notícias Mena, o jordaniano, engenheiro de telecomunicações, e o israelense, membro do Mossad, comparecerão diante do Tribunal Superior de Segurança do Estado, acusados de terem "conspirado a favor de um Estado estrangeiro com o objetivo de prejudicar os interesses nacionais do Egito". Os réus estariam elaborando um sistema que permitia a Israel grampear conversas telefônicas egípcias.

Aparecida: Em Jerusalém, uma espada romana da época do Segundo Templo judaico foi encontrada. "Aparentemente a espada pertencia a um soldado da guarnição romana mobilizada em Israel antes do início da Grande Revolta dos judeus contra os romanos no ano 66 da era cristã", disse o comunicado de geólogos israelenses. As peças se encontravam num antigo canal de 2 mil anos situado na cidade de Davi, no bairro árabe de Silwan, ao sul das muralhas da Cidade Santa. O mesmo informante disse que o canal permitia abastecer com água da chuva a piscina bíblica de Siloé. "(Esse local) servia de refúgio aos habitantes de Jerusalém que fugiam dos romanos durante a destruição do Segundo Templo".

Tico: Como você enxerga a situação econômica da zona do euro?

Teco: Já falamos que enquanto Berlim não quebrar, o euro se mantém. Hoje a moeda única europeia teve queda após a divulgação de notícias sobre o baixo crescimento da Alemanha. As autoridades alemãs, no entanto, negaram que vão aceitar a criação de eurobonds, o bônus europeu. Já o Banco Central Europeu comprou 22 bilhões de euros de papéis da Espanha e da Itália.

Aparecida: Você viu que o filme “Assalto ao Banco Central” continua em cartaz?

Bytes: Qual é o escândalo? A Miriam Leitão disse que a saída da crise no mundo virá da Alemanha. Ela vem pregando em todos os cantos a sua visão sobre a história. Ah, Berlim!

Aparecida: A taxa de desemprego da Grécia atingiu recorde de alta em maio, em meio às medidas de austeridade que colocaram a economia em recessão. A agência de estatísticas Elstat informou na quinta-feira que o desemprego subiu para 16,6%, em relação a 15,8% em abril.

Bytes: Em Roma, o gabinete italiano concordou em cortes de 20 bilhões de euros até 2012 e de 25 bilhões até 2013 (acima). "Nossos corações estão sangrando. Este governo se orgulhava de nunca ter colocado as mãos nos bolsos dos italianos, mas a situação mudou", disse Berlusconi, justificando a tentativa de aumentar a arrecadação do governo. "Estamos diante de nosso maior desafio global", acrescentou. Mais de 50 mil postos de trabalho terão de ser cortados por governos locais no curto prazo, e feriados que cairiam em dias da semana serão transferidos para os fins de semana, para aumentar o número de dias úteis no ano. Outras medidas incluem novos cortes em verbas regionais e novas taxas, incluindo o "imposto de solidariedade", a incidir sobre a parcela mais rica da população, com rendimentos acima de 150 mil euros. Essa parcela será taxada em mais 10% pelos próximos dois anos.

Aparecida: O megainvestidor estadunidense Warren Buffett escreveu um artigo chamado “Parem de mimar os super-ricos”. Ele concorda com Obama: o fim da renúncia fiscal concedida por Bush aos ricos. Ele escreveu: “Enquanto os pobres e a classe média lutam por nós no Afeganistão, e enquanto a maioria dos estadunidenses luta para fechar as contas do mês, nós megarricos continuamos com extraordinárias isenções fiscais. Alguns são gestores de fundos que obtêm bilhões do nosso trabalho diário, mas podemos classificar nossa renda como “lucro deferido”, pagando alíquota de imposto de 15%. Outros possuem futuros de ações por apenas dez minutos e conseguem que 60% de seu lucro sexta taxado a 15%, como se fossem investidores de longo prazo”. E terminou o artigo: “Meus amigos e eu fomos mimados por muito tempo por um Congresso favorável a bilionários. Chegou a hora de o governo ser sério sobre compartilhar o sério”.

Tico: O que a direita fará ao enxergar o crescimento da esquerda?

Teco: Dirá: “É preciso exterminar logo com ´essa raça´ que dá corda a ´essa gente´. Para os capitalistas, meia palavra basta.

Bytes: Pergunta que não quer calar: “O Eike Batista estadunidense terá sobrevida?” Ou vai ficar mais pobre por causa da Bolsa?

Aparecida: Nosso Senhor Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos: “Naqueles dias não sigam o caminho dos escribas e fariseus. São cegos. Como um cego poderá conduzir outros cegos na abreviação dos tempos? Ambos conhecerão a cova”. Viva!

Todos: Viva! Viva! Viva!

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, viajou hoje (16) à China onde analisará o desempenho da economia e as relações bilaterais. Durante sua estadia na China, ele defenderá junto às autoridades locais a determinação dos EUA em enfrentar seus desafios fiscais após a conclusão do acordo sobre o teto da dívida. "O vice-presidente estará em uma boa posição para tratar sobre o sólido acordo para redução do déficit que concluímos recentemente", ressaltou a subsecretária do Tesouro para Assuntos Internacionais, Lael Brainard, em alusão ao acordo firmado para aumentar o teto da dívida e que prevê cortes no gasto público de US$ 2,1 a 2,4 trilhões. "Evidentemente, os Estados Unidos têm a capacidade, a vontade e o compromisso de solucionar nossos principais desafios fiscais e econômicos", acrescentou. Maior credor dos EUA, cerca de US$ 1,2 trilhão em dívida do Tesouro americano, a maior participação estrangeira do mundo, Pequim vinha expressando preocupação em relação à política econômica estadunidense. Enquanto o vice viaja ao exterior, o presidente Barack Obama excursiona pelos Estados Unidos. Em vez do potente avião Force One (acima), o líder estadunidense está utilizando um ônibus já batizado de "Bus Force One" para percorrer três Estados do Meio-Oeste dos Estados Unidos. No mesmo dia da viagem a Minnesota, Iowa e Illinois, o Federal Reserve divulgou que o setor manufatureiro do Estado de Nova York encolheu pelo terceiro mês seguido em agosto, com o volume de novas encomendas caindo ao menor patamar desde novembro de 2010. O índice de preços pagos pelas fábricas caiu de 43,33 para 28,26. A perspectiva para os próximos meses também piorou, caindo ao menor nível desde fevereiro de 2009. O índice de condições de negócios para os próximos seis meses recuou de 32,22 para 8,70. O Instituo Gallup divulgou uma pesquisa demonstrando que a popularidade do líder estadunidense é a mais baixa já coletada: 39%. O lento ritmo da recuperação da economia estadunidense, aliado ao rebaixamento da nota dos Estados Unidos pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s (S&P) veio a se juntar à intensa troca de acusações entre democratas e republicanos. A oposição credita o rebaixamento da nota da S&P à condução da economia por Obama e vem criticando a viagem do presidente por estar utilizando “dinheiro público” numa “campanha antecipada à Presidência”, além da decisão de tirar férias com a família mesmo com a crise. No fim de semana, a deputada Michele Bachmann, de Minnesota, uma das estrelas do movimento Tea Party, a ala mais conservadora do Partido Republicano, foi a vencedora de uma eleição simulada no Estado de Iowa - um dos destinos da viagem de Obama. “Acabamos de enviar a mensagem: Barack Obama será presidente de um só mandato”, garantiu a deputada, após a sondagem. Ontem, Obama criticou a proposta de Reforma Tributária dos republicanos, mas pediu união nacional. "Não há nada que estejamos enfrentando que não possamos resolver, em primeiro lugar com um pouco do espírito da América, uma disposição de dizer que vamos optar pelo país em vez dos partidos", disse Obama antes de responder a perguntas de cerca de 500 espectadores na orla fluvial de Cannon Falls. "É preciso mandar a Washington o recado de que é hora de parar de jogar, é hora de colocar o país em primeiro lugar", acrescentou. Para Obama, a crise pela qual passa Washington não é econômica, mas política. Ao falar sobre geração de emprego, que está quase em dois dígitos, ele destacou suas propostas de desonerar a folha de pagamento, concluir acordos de livre comércio com outros países e autorizar projetos de infraestrutura, como forma de criar empregos na construção civil. A rivalidade política foi evidenciada num ato público ontem. Obama foi censurado por Ryan Rhodes, um líder do estado de Iowa. O oposicionista gritou que os pedidos de Obama para que haja maior civilidade na política estadunidense teria pouca chance de sucesso depois que "seu vice-presidente chamou pessoas como eu, membro do Tea Party, de 'terrorista'". O militante referia-se a notícias divulgadas pela imprensa de que Biden fez o comentário num “encontro privado” com representantes democratas durante o debate para aumentar o teto da dívida há algumas semanas. "Concordo absolutamente que todos precisam baixar o tom da retórica em seus pronunciamentos", destacou Obama. Mas criticou a oposição. Ele lembrou que tem sido chamado de "socialista que não nasceu nos Estados Unidos e que está acabando com a nação e tirando sua liberdade por ter implantado um sistema de saúde". Após o incidente, Rhodes disse que acreditava que o presidente era de fato socialista. Recentemente, a maior líder do Tea Party, Sarah Palin, disse que Obama é o maior esquerdista da história dos Estados Unidos.

Tico: No dia de hoje milhares de jovens brasileiros tomaram as ruas das capitais vestindo roupas negras, e com o rosto pintado na mesma cor, em sinal de luto contra a corrupção, para pedir o impeachment do presidente Fernando Collor. Logo a imprensa noticiou o movimento dos "caras-pintadas", numa referência a uma insurreição militar homônima. O domingo ficou conhecido como "domingo negro". O grito era de “Fora Collor!!! Fora Collor!!!”, já os jovens, liderados pelo hoje senador Lindbergh Farias (PT) tinham como palavra de ordem: “Ai, ai, ai, ai, se empurrar o Collor cai”. As denúncias de corrupção começaram após a divulgação pela revista “Veja” de uma entrevista do irmão do presidente, Pedro, que afirmava haver um esquema de corrupção no governo comandada pelo ex-tesoureiro de campanha, Paulo César Farias. A revista publicou posteriormente vasto material que implicava em crimes de enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influência, que comprometiam a manutenção de Fernando Collor na Presidência. As principais entidades civis do País, como OAB, CNBB, UNE e UBES, centrais sindicais, dentre outras, iniciaram o "Movimento pela Ética na Política" no mesmo mês. O escândalo tornou-se a principal notícia no país. Uma CPI se instalou em 1º de junho, e o primeiro a ser ouvido foi o acusador: Pedro Collor. A imagem que Fernando Collor passou durante a campanha presidencial, de "jovem", "honesto" e "caçador-de-marajás", constrastou com a péssima imagem de "confiscador" e "criminoso" perante a população. Após o impeachment, o Supremo Tribunal Federal comprovou o recebimento irregular apenas de uma Fiat Elba. Paulo César Farias foi assassinado numa situação pouco esclarecida, sendo incriminada a sua namorada. O “Fora Collor” ocorreu há 19 anos.

Teco: No dia de hoje o Reino Unido completou o envio de tropas para a Irlanda do Norte a fim de pôr fim à luta entre católicos e protestantes. A Irlanda caiu sob o domínio inglês em 1541, quando Henrique VIII da Inglaterra declarou-se rei da Irlanda. Ele tentou introduzir o protestantismo na região, mas o povo irlandês, de maioria católica, iniciou uma série de revoltas contra a Inglaterra. A rainha Elizabeth I esmagou uma rebelião comandada por católicos no Ulster, uma grande província do nordeste da Irlanda. Jaime I tentou prevenir revoltas posteriores confiscando as terras dos católicos no Ulster e dando-as a protestantes ingleses e escoceses. A política inglesa de colonização da Irlanda do Norte foi em grande parte responsável pelo fato de os protestantes constituírem maioria no país. Em 1919, membros irlandeses do Parlamento britânico reuniram-se em Dublin e declararam que toda a Irlanda era uma república independente. Mas violentas lutas entre irlandeses e britânicos irromperam o processo. No ano seguinte, o Parlamento britânico aprovou o Ato de Governo da Irlanda, que dividiu a ilha em dois países separados e deu a cada um poderes de autonomia. Os protestantes do Ulster acataram a decisão e o Estado da Irlanda do Norte foi formado por seis condados da província. Mas os católicos do sul rejeitaram a proposta e exigiram sua total independência. Em 1921, líderes do sul e a Grã-Bretanha assinaram um tratado que criou o Estado Livre Irlandês, com 23 condados do sul e três do Ulster. Em 1949, o Estado cortou todos os laços com a Grã-Bretanha e fundou a República da Irlanda. Muitos católicos da Irlanda do Norte recusaram-se a aceitar a divisão. Em alguns locais do país, onde os católicos eram maioria, foram estabelecidos distritos eleitorais para assegurar o controle dos conselhos locais pelas minorias unionistas. Os conselhos tentaram instituir áreas separadas para católicos e protestantes. Com o decorrer do tempo, os dois grupos se isolaram quase completamente. O envio de tropas à Irlanda do Norte ocorreu há 42 anos.

Bytes: A historiadora Maria Aparecida de Aquino, da USP, disse a respeito do movimento contra o Collor: “Os estudantes faziam questão de rechaçar a participação de partidos políticos num sinal claro de que os partidos não davam conta das reivindicações”.

Aparecida: Ontem quatro estações do Metrô de São Francisco foram fechadas em protesto contra o bloqueio às redes sociais pelo serviço de trens Bay Area Rapid Transit (Bart). Na última quinta-feira houve interferência nos celulares com o intuito de tentar conter um protesto contra policiais numa de suas plataformas. A medida levantou polêmica devido à cogitação do governo britânico em bloquear as mídias sociais para desarticular protestos. Nos Estados Unidos, grupos de direitos civis disseram que a medida do Bart foi inconstitucional

Bytes: No domingo eu assisti ao filme “Melancolia”, do cineasta dinamarquês Lars Von Trier (acima). Se não fosse aquela declaração infeliz sobre o nazismo ao ser provocado, o filme ganharia a Palma de Ouro em Cannes. Tier é muito perspicaz. A primeira cena é brilhante porque sintetiza a primeira parte: a "espaçosa" limosine tenta passar pelo "lugar estreito". A cena final é igualmente inteligente e sintetiza a segunda parte: a construção da caverna segundo a imaginação do menino. A tropa de roupas entre as irmãs é de grande sensibilidade, assim como as interpretações de Kirsten Dunst, melhor atriz em Cannes; e de Charlotte Gainsbourg, igualmente iluminada. O filme não é recomendado para quem enfrenta depressão, mas para os que estão na “paz de Cristo” e em sua reflexão. “Melancolia” é uma profecia sobre o futuro que está por vir. Uma obra-prima.

Aparecida: E qual é o filme que profetiza o presente?

Bytes: “V, de Vigança”, obra-prima de James McTeigue . O filme é uma ficção que fala do futuro do Reino Unido como um regime fascista. A explosão do Parlamento britânico é o Apocalipse. O povo resolve fazer justiça pelas próprias mãos para acabar com o “sistema opressivo”. Ele utiliza métodos terroristas para seguir a filosofia de um líder sem face. Mascarado, adverte: “Remember, remerber the 5th of november”.

Aparecida: No sábado, a Irlanda do Norte pegou fogo, literalmente. Um desfile de protestantes em Londonderry, cidade majoritariamente católica, terminou em confrontos entre a polícia e os manifestantes. Foram atirados coquetéis molotov contra prédios e policias, tendo um carro ficado em chamas.

Tico: A Rússia está caminhando para o nazi-fascismo?

Teco: O mundo clamará pelo Grande Fuhrer como sinônimo de “libertador” da “opressão do Tempo” a fim de restaurar a “verdade”. A cena parecerá com o povo de Jerusalém pedindo a libertação de Jesus Barrabás em detrimento do Cristo. A vitória do guerreiro que promete o fim da opressão do Império: Roma, a “cabeça do mundo”. Quem quiser fazer as suas apostas que o faça. O que podemos afirmar é que não será Ahmadinejad por ser político de quinto pelotão.

Aparecida: Amanhã os neonazistas do mundo lembram a morte de Rudolf Ress, o segundo homem atrás de Hitler.

Bytes: Me lembro de ter lido informação da agência Reuter: "Na vizinha Dinamarca, onde leis de liberdade de expressão permitem que neonazistas tenham mais espaço para exibição pública, cerca de 150 escandinavos, alemães e holandeses de direita lembraram a morte de Hess com um comício na cidade de Koege. A mudança no último momento foi para evitar confrontos com os esquerdistas".

Aparecida: Recebi pela Internet a informação de que o cometa Elenin passará rente à Terra entre setembro e outubro. Só o alinhamento dele com o nosso planeta já produziu "catástrofes naturais", como o terremoto no Chile e o tsunami no Japão. O que você acha?

Bytes: Sei lá. O que sei é que as prefeituras de diversos municípios da Hungria pediram o adiamento em um ano do pagamento de dívidas tomadas em franco suíço, em meio à forte valorização da moeda de Berna. O valor total da dívida a ser renegociada é equivalente a 600 bilhões de florins, moeda húngara, ou cerca de US$ 3,16 bilhões. O país faz parte da União Europeia, mas não adotou o euro. Prefeitos do país do leste europeu, assim como diversas famílias e empresas húngaras, estão em dificuldades para pagar empréstimos na moeda suíça tomados quando ela não estava em patamar tão valorizado quanto agora.

Aparecida: É a guerra cambial?

Bytes: Chamamos de “test-drive” para a nova ordem mundial. A "real".

Tico: O que você acha da crise política enfrentada pela Dilma? Ela será a Collor contemporânea? Acabará com a corrupção no Brasil?

Teco: Para nós, capitalistas brasileiros e contemporâneos, o maior valor agregado da corrupção é a “cegueira”. Será que a presidente pode combater este mal? Vamos espera os próximo capítulos. “Insensato Coração” vem ampliando a audiência. Aliás, o Thiago Martins, do “Nós, do Morro”, vem mostrando ao que veio.

Aparecida: O problema é que os vilões agradam porque movimentam a história. Imagine o que seria dos insípidos Pedro e Marina? No passado, os vilões é que criavam problemas para os casais para que ninguém mudasse de canal. Hoje, os protagonistas são mais reais, também “pobres mortais”, imperfeitos pela própria Natureza. O conflito não precisa necessariamente do vilão.

Bytes: No livro “Segundas Intenções”, o rabino Nilton Bonder lembra que a palavra demônio tem o radical “demo”, o mesmo de democracia, porque significa “povo”. No tópico "Fomes, apetites e atravessadores", escreveu Bonder: “Vestidos dentro de nós estão quatro personagens: aquele que você pensa que é; aquele que os outros pensam que você é; aquele que você pensa que os outros pensam que você é; e aquele que você gostaria que pensam que você é. A distância entre esses quatro “vocês” detecta a influência de segundas intenções num indivíduo. Quanto maior essa distância, maior será sua necessidade por garantir presença e maior seu custo em termos de existência. Essa pessoa jurídica da qual cada um se veste na vida não tem a ver apenas com o personagem que assumimos, mas com a aproximação de ideias. Às vezes ficamos tão apaixonados por ideias e por aquilo que podem oferecer a nossos interesses pessoais que as exaltamos para além do que deveríamos e temos dificuldades de abandoná-las. No entanto, ficar engatado ou vestido de ideias e decisões que já perderam a validade tem um custo existencial tremendo. O apego a estas decisões nos levam a fazer aquilo que não queremos ou deixar de estar junto daqueles que gostaríamos de estar”.

Aparecida: Ontem, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) lançou a Frente Suprapartidária contra Corrupção e Impunidade. Ele disse que, assim como o movimento das Diretas começou sem grande apoio parlamentar e popular no início, mas venceu a ditadura, este novo movimento pode combater os corruptos e fisiológicos. Disse o senador Jarbas Vasconcelos: “A presidente tem que ter a consciência de que a faxina tem ser completa. Não pode deixar outros partidos, inclusive o meu, o PMDB, sem serem punidos. Ela (Dilma) tem de punir. O combate não poder ser leviano”. Já o senador Cristovam Buarque, do PDT, disse: “Não queremos que fique só na faxina. É hora de a presidente chamar para conversar pessoas que não querem indicar nenhum cargo. Porque, nos últimos governos, presidente só chama quem quer indicar cargos ou liberar emendas”. Até o FHC recomendou apoio à faxina. Espero que não seja uma ilusão.

Bytes: A queda de Jânio fará meio século agora em 2011.

Aparecida: A Dilma comentou sobre a faxina: “Desafio é distribuir renda. O resto são ossos do ofício”.

Bytes: No dia de hoje o jornalista Carlos Lacerda, proprietário do jornal “Tribuna da Imprensa”, escreveu um editorial há 57 anos que terminou da seguinte maneira: “Os chefes militares sabem o que fazem. Se não fazem, assumem, pela inércia, as suas responsabilidades perante o povo e diante da história, que é implacável no seu julgamento. Mas, por DEUS, não se escondam atrás da Constituição. Esta não foi feita para justificar a complacência com o crime. Não se pode ao mesmo tempo servir a dois senhores: quem serve a VARGAS não serve à CONSTITUIÇÃO”. O texto foi publicado 11 dias após o Atentado da Toneleros.

Aparecida: Meu pai quando leu a manchete da Tribuna: “Somos um povo honrado governado por corruptos” saiu às ruas para derrubar Vargas. Depois se arrependeu após saber do suicídio do presidente. Era o tempo do “mar de lamas”.

Bytes: Em editorial no sábado, o jornal “O Globo” publicou o seguinte título sobre o homicídio da juíza Patrícia Acioli: “Assassinato agride o estado de direito”.

Aparecida: Houve um protesto para lembrar a morte da juíza (acima). Segundo eu li na imprensa, as ameaças de morte à juíza Patrícia Acioli não eram um segredo. Dois dias antes do assassinato da magistrada, um policial civil da Delegacia de Combate às Drogas esteve na Polícia Federal para informar que havia um plano para executar a juíza.

Tico: O que você achou do editorial?

Teco: O que é Estado de Direito? Perguntaremos a “O Globo” se a morte do presidente Kennedy em Dallas foi uma agressão ao Estado de Direito? E de Lee Oswald na prisão quando o Estado deveria lhe dar proteção? Foi agressão ao Estado de Direito o tiro que recebeu recentemente a deputada democrata nos Estados Unidos que quase lhe tirou a vida? Para nós, capitalistas brasileiros e contemporâneos, a resposta é não. O que representa a agressão ao Estado de Direito foi o fechamento do Congresso Nacional, um acinte à autonomia do segundo poder da República. Agressão ao Estado de Direito foi a ditadura militar fechar a Pan Air do Brasil, levar a TV Excelsior à falência e perseguir o empresário Mário Wallace Simonsen, então o homem mais rico do Brasil, por ser amigo de JK e Jango, levando o Porto de Santos de sua propriedade para as mãos do Estado. Sim, portos no Brasil já foram da iniciativa privada. Como o de Ibituba, em Santa Catarina. Agressão ao Estado de Direito é ser obrigado a se calar por não dizer amém ao “regime”.

Bytes: O colega gaiato lá da facû disse: “Se houver um golpe de Estado quem será levado à falência?” Depois deu uma dica: “É um empresário que constrói um porto no interior fluminense que está atraindo a atenção das indústrias petroquímicas e transformadoras de plástico, além da indústria petrolífera por estar envolvido num megaprojeto”.

Aparecida: O empresário Eike Batista disse que tem US$ 10 bilhões em caixa para superar a especulação do mercado.

Tico: Ser fotografado com algema é ilegal?

Teco: Pergunte ao DSK que passou por isso em Nova York. Se não fosse uma gravação em que a suposta vítima disse que iria tirar dinheiro do acusado por ser “homem importante”, ele poderia até hoje estar mofando na cadeia.

Aparecida: Segundo a revista francesa "L'Express", a mesma que ouviu a vítima, o laudo médico confirmou o estupro. O filme do DSK estão tão queimado que ele não será candidato a presidente da França em 2012.

Bytes: Uma delegação de servidores e empresários de uma província chinesa expressou o interesse de instalar uma unidade de montagem de automóveis no estado de Iucatã, sudeste do México, com o fim de exportar ao mercado dos Estados Unidos carros a preços de banana.

Aparecida: O Evo Morales foi à China onde fechou negócios em troca dos minérios bolivianos. "Até hoje imagino que daqui pouco tempo os EUA vão ser colônia da China", disse o líder boliviano durante coletiva de imprensa na cidade de Cochabamba. "(A China) é um país tão grande, desenvolvido, industrializado, que dá importância à Bolívia”, acrescentou. Ontem, índios das tribos mojeño, yuracaré e chimán, e outros defensores do Território Indígena Parque Nacional Isidoro Secure (Tipnis), iniciaram uma marcha de 500 km entre as cidades de Trinidad e La Paz, em protesto à construção de uma estrada, por uma empreiteira brasileira, que cortará a reserva indígena (acima).

Bytes: Os “imortais” da Academia Brasileira de Letras já estão em pé de guerra. O presidente da entidade, aquele que disse que ABL era a “apoteose da vaidade acadêmica”, está sendo chamado de “eminência parda” pelos colegas. Mas não fica por aí. Desde o início da década de 90, o ex-ministro Eduardo Portella opõe-se abertamente ao poeta Lêdo Ivo. A briga foi rejuvenescida na sessão de 4 de agosto. Interrompido durante uma conferência sobre Gonçalves de Magalhães, o alagoano vingou-se do ex-ministro com um discurso de tom licencioso. Em 2004 o poeta jogou um copo de Coca-Cola em Portella, depois de ouvir comentários lascivos. A rixa foi turbinada por acusações mútuas de colaboração com a ditadura militar. Agora, em seu novo ataque, Lêdo despenteou o Dicionário: “Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição”, disparou o autor de "Ninho de Cobras".

Aparecida: Imagine se o chá fosse filmado como um reality show. Faria mais sucesso que “A Fazenda” com aqueles bichinhos tão fofos. Antes de sofrer hoje de melancolia, o Roberto Marinho teve sorte: morreu antes.

Tico: Qual é a filosofia das Organizações Globo?

Teco: Está em suas considerações finais sobre os seus princípios editoriais: “Entendemos mídia como instrumento de uma organização social que viabilize a felicidade".

Bytes: O filme “A suprema felicidade”, de Arnaldo Jabor, vai estrear nos Estados Unidos. O cineasta pergunta: “O que á a felicidade?” No Brasil, estreia na sexta-feira o filme “Onde está a felicidade?”, do Carlos Alberto Riccelli, tendo a Bruna Lombardi como protagonista.

Aparecida: Ah, entendi! A Globo vai “lutar até a morte” pelo que entende ser a felicidade.

Bytes: O filósofo Denis Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, justificou a morte do Bin Laden em nome da felicidade: "Sou totalmente a favor da ação estadunidense, pois os Estados Unidos entenderam muito bem o seguinte: a soberania nacional é limitada se ela abriga o terror". Não deixa de ter ser uma visão sobre a globalização.

Aparecida: A cegueira leva à melancolia?

Bytes: Escreveu o filósofo Charles Bukowski: “Se vai tentar, siga em frente/Senão, nem comece!/Isso pode significar perder namoradas/esposas, família, trabalho...e talvez a cabeça/Pode significar ficar sem comer por dias/Pode significar congelar em um parque/Pode significar cadeia/Pode significar caçoadas, desolação.../A desolação é o presente/O resto é uma prova de sua paciência/do quanto realmente quis fazer/E farei, apesar do menosprezo/E será melhor que qualquer coisa que possa imaginar/Se vai tentar/Vá em frente/Não há outro sentimento como este/Ficará sozinho com os Deuses/E as noites serão quentes/Levará a vida com um sorriso perfeito/É a única coisa que vale a pena”.

 

DEDICADO A CHARLES BUKOWSKI QUE FARIA HOJE 91 ANOS

Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2011

Exibições: 243

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2021   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço