Ao fim e ao cabo, e perdão por ir tão longe, para um ponto onde a história ainda não se chamava assim, lá no remoto tempo das cavernas, como se viraram para sobreviver aqueles indefesos, inúteis, desamparados avôs da humanidade? Talvez tenham sobrevivido, contra toda evidência, porque foram capazes de compartilhar a comida e souberam defender-se juntos. E se passaram os anos, milhares e milhares de anos, e vemos que o mundo raramente recorda essa lição de sentido comum, a mais elementar de todas e a que mais nos faz falta hoje.

...

À primeira vista, o mundo parece uma multidão de solidões amontoadas, todos contra todos, salve-se quem puder; mas o sentido comum, o sentido comunitário, é um bichinho duro de matar. A esperança ainda tem quem a espere, alentada pelas vozes que ressoam desde nossa origem comum e nossos assombrosos espaços de encontro.

Eu não conheço felicidade maior que a alegria de reconhecer-me nos demais. Talvez essa seja, para mim, a única imortalidade digna de fé. Reconhecer-me nos demais, reconhecer-me em minha pátria e em meu tempo, e também me reconhecer em mulheres e homens que são meus compatriotas, nascidos em outras terras, e reconhecer-me em mulheres e homens que são meus contemporâneos, vividos em outros tempos.

Eduardo Galeano

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16087

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Comentário de Charles Leonel Bakalarczyk em 29 julho 2009 às 13:36
Prezado "Hermeneuta":

Esse se reconher no outro, propangadear a alteridade, é um grande legado ao Galeano.

Um abraço, Charles
Comentário de Charles Leonel Bakalarczyk em 29 julho 2009 às 13:36
Prezado "Hermeneuta":

Esse se reconher no outro, propagandear a alteridade, é um grande legado ao Galeano.

Um abraço, Charles

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