Minha Amada (Luis Aranha)

Há muito tempo que não penso em ti

A última vez que vi dançavas tango

O Jazz-Band se contorce

Passos de Valsa Boston

Olhos castanhos

Gotas de mel cheias de luz

Tuas pupilas iam e vinham

Como gotas de ar em nível de álcool

Muitas cores

Teu rosto era a palheta de um pintor

Teu cabelo um amontoado de pincéis

Prismatizante

Todas as luzes convergem sobre ti

Havia um cristal de interferência

Um disco gira

Teu rosto é um disco de gramofone

que se repete cem vezes, mil

vezes e que acaba por aborrecer

Cores primitivas

Compostas

Todas as cores se misturam

Tudo é branco

Teu rosto é um disco de Newton

E tu te confundes no tom geral

A última vez que te vi

Numa folha de parra

Eu comia um pedaço do pólo

Teu coração

Ele se degelava em minha mão

Eu era uma bússola

Teu rosto um quadrante

Uma roda

Uma hélice

Um ventilador

Fui um discóbolo

Meu disco

Agora tu és lua

De tempo em tempo desaparece

Sumiste

Não estás aqui

Nem em parte alguma

E como não te amo mais

Vou incluir este poema no meu livro

COCK-TAILS

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Comentário de elizabeth em 9 fevereiro 2010 às 21:10
poxa Luis, que grande paixão hein?

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