A rosa vermelha



Às sextas-feiras ele chegava com um botão de rosa vermelha. Apenas um. Podiam ter brigado pela manhã, voltava do trabalho com a rosa. Ela desconfiava que a flor representava algo para ele que ela não alcançava. Ele mesmo lavava o vaso, trocava a água e substituía a flor, num ritual que durava sete anos - o tempo de casados. "Sete, número cabalístico", ela pensava.
Esta sexta chegou sem a flor. Deu um beijo na sua testa, perguntou pelos filhos, tomou banho e se fechou no quarto. Ela aguardou, não queria reiniciar a briga da manhã, mas como demorava muito, resolveu bater na porta. Ele não queria abrir. Ela insistiu. Encontrou-o aos prantos, era quase um uivo de dor e angústia.
"O que foi?" Perguntou adivinhando a resposta.
Câncer, é câncer.
Abraçada ao marido, se sentia confusa. Nunca tinha visto homem chorar. Desconhecia aquele menino frágil que se agarrava a ela.
Será que aprenderia a amá-lo?

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Comentário de Elianne Diz- Laura Diz em 12 abril 2009 às 0:04
Fabio, eu escrevo meio sem pensar o que está saindo.
Pensei o seguinte.
Ela amava o cara, ele fica doente e frágil, será que amará o homem frágil?
a questão é esta.
E ele não morre, não hihihi
eu me baseei numa história verídica.
Mas o conto é propositalmente aberto para vcs pensarem o final. Abs, Laura
Comentário de Joaquim Narciso Ferreira em 12 abril 2009 às 0:17
Naquela tarde ele não trouxe a rosa, trouxe o espinho. Mas ela não viu o espinho. Ele estava escondido no peito, cravado no coração. Não há, porém espinho algum que não seja vencido por trezentas e sessenta e cinco vezes sete rosas.

Acho que deve ser assim o final da história. Linda história.
Comentário de Elianne Diz- Laura Diz em 12 abril 2009 às 1:19
Joaquim,
legal o seu final, o meu é aquele mesmo, para vcs acabarem :)
Feliz Páscoa,
abs, Laura
Comentário de Marco Antonio Franzmann Schuster em 12 abril 2009 às 1:31
Bá. O final é esse mesmo, Laura. O conto fica ótimo assim.
Comentário de Sérgio Troncoso em 12 abril 2009 às 2:54
Laura sempre Laura! Bjs,Sérgio.
Comentário de Rubens de Araujo Rossi em 12 abril 2009 às 2:56
Instigante.
Rubens.
Comentário de Mario Henrique em 12 abril 2009 às 4:21
"Ao final, sua fortaleza definhara ali
e ela nem sabia como deveria tratá-lo.
Ainda assim, sentada ao lado dele apenas lhe ouvia o pranto,
entre cafunés de consolo, permaneceram até adormecer...
No sonho, ele continuava lhe trazendo botões rubros e isso bastaria...
Ao acordar, sentiu ela um novo frescor da manhã, sem rosas nem espinhos,
afinal, seu amor vencera o medo!"

Desculpe o atrevimento, Laura.

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