O mito da caverna, de Platão está contido em seu famoso "A República" e é uma parábola que mostra como podemos nos libertar da de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.Baseada na execução e morte de seu mestre Sócrates, que teria sido morto exatamente por se livrar da escuridão,  Platão faz um paralelo entre a existência humana e a  situação de sua caverna: uma vida ilusória, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades. Para ele, a condição humana é assim: todos estamos condenados a ver sombras e tomá-las por verdadeiras.


Este mito é tão atual,tão presente no nosso dia a dia, que já serviu de inspiração a muitos, inclusive a José Saramago, com sua magistral (redundância!)  obra homônima (2000, Cia das Letras).

Nela, o grande autor português apresenta, com muita sutileza, a face cruel do mundo capitalista e tecnológico, face esta ignorada por muitos, iludidos pelas 'sombras'. Saramago disseca, através da história de pessoas comuns, o efeito destruidor deste sistema : trata-se da história de uma família de oleiros que vê sua vida transformada com a chegada de um shopping center à sua cidade, e é através deste shopping que Saramago retoma o mito da caverna: o próprio shopping center pode ser fisicamente comparado a uma caverna, indo muito além, no entanto, da mera comparação, discutindo o capitalismo em uma sociedade em que as pessoas se tornaram meras profissões e sombras.


Seus personagens são poucos: o já citado oleiro, um guarda, duas mulheres e um cão muito humano, que juntos encontram a lucidez "num mundo de prisioneiros da modernidade, iludidos, que confundem as sombras com o real".

Para resumir, nada melhor para falar da caverna do que o próprio Saramago:


O mito de Platão Serviu, também, de inspiração a Romero Faria, consultor empresarial de Belo Horizonte, com quem tive a oportunidade de travar conhecimento quando ambos prestávamos consultoria ao mesmo grupo de empesas.Naquela época, Romero lançou seu livro "Wa"- Equilíbrio, alegria e sabedoria (1996), e é dele que retirei a estória  abaixo, ideal para estimular as pessoas a saírem de suas cavernas interiores, de suas mesmices, de suas crendices,incentivando-as a buscar, a ousar:

"A região da Reudácia era repleta de grutas e cavernas. Ali habitavam grupos humanos de características muito peculiares. Cada caverna era posse de um grupo que vivia de maneira apropriada para aquelas condições e que praticamente se mantinha incomunicável com outros grupos. Parece que o único valor comum que todos os grupos compartilhavam é que cada um deveria ser auto-suficiente.



Desas cavernas é que surgiu a nossa estória.



Um grupo, liderado por um homem de nome Ardilio, certa vez ocupou uma das caverninhas que possuía o teto repleto de brilhantes. a caverninha era maravilhosa, tão bonita que Ardílio mandou fechar sua entrada reservando-a para seus moradores.



Todos estavam envaidecidos com as formações rochosas que remontavam a séculos. Havia rochas em diversos níveis, de modo que com algum esforço podia-se subir sempre um pouco mais e do alto apreciar melhor a beleza da caverninha, olhando de cima seus habitantes.(continue a ler o texto aqui).



Como se vê,Platão ainda é atual, mesmo tendo passado quase 2.500 anos de sua existência. Talvez por ele ter saído da caverna, tenha encontrado a realidade, o que fez dele  um imortal!

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