MUDOU O DISCURSO DA MÍDIA TUCANA. O ESPETÁCULO ACABOU...

Enquanto as manifestações pareciam atingir o governo Dilma e seus aliados, a mídia empunhava a sua bandeira de apoio. Eram os jovens revolucionários que demonstravam inconformismo com o governo. Era um governo autoritário que não dialogava como o povo. Era tudo menos o inconformismo com o jornalismo aético, mentiroso e disfarçado de propaganda política. Revistas como Veja e Época estamparam em suas capas imagens dos jovens mascarados e de multidões nas praças. O atentado ao Itamarati, com direito à participação de apoiador do Rede a lá Marina Silva, foi um espetáculo televisivo. A Globonews deu destaque, com direito a Leilane Neubarth na narrativa e Merval Pereira, entre outros, na incitação aos manifestos. "Bota pra quebrar", diziam nas entrelinhas. Tinham que quebrar, tinham que mostrar para o governo corrupto quem eram os jovens. Arnaldo Jabor, o destemperado a la Barbosa, adoçou o coro nos seus comentários do Jornal da Globo. Era o espetáculo midiático de fazer inveja a Guy Debord. Mas bastou os protestos se voltarem contra os da mídia, que a coisa mudou de figura. Jornalistas da Rede Globo alvos dos protestos, a própria Globo sendo acusada de sonegação e de manipulação. A revista Veja, toda portentosa, tentava, ainda que sem qualquer condições, manter o foco nas manifestações, afinal era contra o governo, o governo do PT, contra a corrupção do PT. Sérgio Cabral caiu diante dos manifestantes no Rio. Sua trapalhada em usar helicóptero oficial para carregar cachorro e empregada pegou mal. Minutos de reportagens foram perdidos no Jornal Nacional. Páginas inteiras rabiscadas sobre o assunto nos jornalecos O Globo, O Estadão e Folha. Purpurina das boas. Era a notícia que abalava o poder. De uma alta popularidade, Dilma se viu nos 30%. A mídia celebrava o efeito. Afinal, o que não conseguiu com Lula acabava de atingir com Dilma. Tudo certo. Tudo o que os da mídia tucana gostariam de ver acontecer estava acontecendo. Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Passados alguns poucos dias, eis que surge o escândalo Siemens e Alstom. Cabeças grandes do PSDB, partido queridinho da Globo, da Veja, do Estadão e da Folha apareciam como assaltantes dos cofres públicos em negociatas a la FHC. A coisa começava a mudar de cor e de som. Geraldo Alckmin é alvo de manifestações. Não há mais como esconder que os manifestos agora não são mais contra apenas o governo do PT, contra os corruptos do PT, mas também contra os corruptos do PSDB, ainda que a revista Veja tente amenizar o caso, afirmando que não há provas. Sem ter como esconder o "trensalão" paulista, os da mídia sem vergonha começam agora a "detonar", a ver que os "anjos rebeldes" que encadearam as manifestações que acabaram por caracterizar o que jornalistas e comentaristas de cozinhas a chiqueiro chamaram de "outono brasileiro", não miram apenas o governo Dilma, mas e também os que se atrevem esconder a verdade disfarçada em jornalismo de araque.

O que mudou então? Por que a mídia mudou seu discurso e agora critica os jovens revolucionários que jogaram Dilma nos 30? A mídia cansou? Os da mídia se tocaram que não se trata apenas de manifestações pacíficas? Certamente não. A mídia, digo, a Globo, a Veja, o Estadão, o Folha, a Época e companhia perceberam que o fogo está chegando ao seu quintal. Dos seus estão sendo atingidos. A máscara começa a cair. A corrupção não é apenas do PT, é também do PSDB e de quem mais tiver direito ao bolo. A batata dos protegidos da mídia cara de pau começa a assar. Mervais, Jabores, Reinaldos, Leitoas, Bonners, Poetas, Civitas e Frias perceberam que os jovens não miram apenas o governo do PT, mas o governo de todos. A mídia começa a mudar seu discurso. A Baderna, diz a Veja, a anarquia, diz O Globo, precisa acabar. Pena que só precisa acabar porque a trupe tucana, protegida dessa mídia desavergonhada, entrou na roda. Salve, Salve Siemens e Alstom. Salve, Salve o tucanoduto ou o trensalão tucano. A corrupção não é nossa, gritam eles. A corrupção é deles, dizem os da mídia. A pimenta começa a arder nos olhos dos que atiçavam as manifestações das ruas. A festa acabou. O espetáculo começa a perder a graça.

 

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Comentário de Ivanisa Teitelroit Martins em 17 agosto 2013 às 20:35

muito boa articulação de ideias sobre os fatos, identificação das principais questões e análise do movimento de recuo da mídia. Abraço

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