"Na cabeça"novo CD de Marcos Sacramento

Com "Na Cabeça", Marcos Sacramento firma sua condição musical de estilista da voz


10/06/2009
MARCOS SACRAMENTO
"Na Cabeça"
Marcos Sacramento traz em seu novo disco, "Na Cabeça", uma proposta não usual, que explora um repertório levado a canto e três violões, fundamentada nesse entrosamento harmônico. Resultado similar se vê em pouquíssimos trabalhos do gênero, como no disco "Canto em Qualquer Canto", de Ney Matogrosso, ou em "A Flor e o Espinho", de Guilherme de Brito.

A afinidade entre os três violonistas está certamente na escola musical do choro do Rio de Janeiro, de seus bares e sua boemia. Vindos de formações diversas, é nessa referência que ambos se encontram. Alcofra tem sua bagagem no grupo instrumental Água de Moringa e seu trabalho destacado como arranjador. Rogerio cresceu musicalmente no Clube do Choro de Brasília e seu grupo com o bandolinista Hamilton de Holanda. E Zé Paulo Becker possui formação erudita e um pé no popular através de seu trabalho chorístico com o Trio Madeira Brasil, e a verve arranjadora e compositora para seu violão solo.

No lado mais tradicional do repertório, Sacramento retoma sua exploração ao repertório de sambas do compositor J. Cascata --o cantor já tocou o clássico "Meu Romance" na voz de Orlando Silva--, desta vez entoando a conhecida canção "Minha Palhoça". Já numa pegada mais rítmica de tango, "Último Desejo" surge melancólica e lírica nesta versão em que o cantor se mostra à vontade no cancioneiro de Noel Rosa.

Uma levada de choro, contemplada pelas baixarias precisas de uma típica roda, se sobressai no clássico "Sim", de Cartola, e no bolero "Prisioneiro do Mar", conhecido na antiga interpretação do Trio Irakitan.

Repleto de músicas inéditas e contemporâneas, "Na Cabeça" aponta para uma coesão sonora que torna o disco interessante de se ouvir por várias vezes para melhor depurá-lo. Isso se vê em sambas que acenam um diálogo ágil e contagiante como "Canto de Quero Mais" (de Zé Paulo Becker), "Morena" (de Paulo César Pinheiro e Maurício Carrilho) e "A Rosa" (de Chico Buarque) --esta última com entusiasmo através do engenhoso arranjo, em que os violões entram um a um gradativamente a cada estrofe da música.

Neste quarto CD de sua carreira, Sacramento firma sua condição musical de estilista da voz, através de sua versatilidade ao abordar repertórios de diferentes épocas, sua proposta de interpretação sob medida para elaborados arranjos e, sobretudo, sua capacidade em fazer soar sua voz como instrumento solista de um exigente grupo camerístico. (ZÉ CARLOS CIPRIANO)

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