MONTEZUMA CRUZ
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Uma vez mais o time do Céu Futebol Clube faz a convocação. E lá já está Nelson Townes, 60, que durante décadas em Rondônia e na capital paulista provou o quanto é sublime a profissão de jornalista.

Nelsinho (à esq.recebendo prêmio do então presidente do Sindicato dos Jornalistas de RO, Marcos Gruztmacher) morreu domingo no Prontocor em Porto Velho (RO). Seu corpo será sepultado às 11h desta segunda-feira.

Eu correspondente da Folha de S. Paulo em Porto Velho, ele redator na Agência Folhas, vivenciamos às 19h de um sábado de 1977 o cerco armado dos índios Suruís aos colonos capixabas. Nelsinho saiu do conforto de sua Olivetti (máquina de datilografar) em São Paulo para captar a notícia transmitida por telefone à Redação, já esgotado todo o deadline.

Naquele tempo os jornais de domingo fechavam as edições ao entardecer e não após o almoço do sábado. A resistência dos Suruís à invasão de seu território sairia na primeira página da Folha. Assim, alguns acontecimentos de Rondônia tinham o privilégio do destaque na Folha.

A Palavra (Ji-Paraná, nos anos 1970), Notícias Populares (Anos 1970), O Estado de S.Paulo (anos 1980), revista Flash (anos 1970), O Estadão do Norte, o Departamento de Comunicação da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia, A Tribuna, revista Momento Brasil, e o site Notícias RO também contabilizaram seu balanço patrimonial de textos magníficos, precisos, muitas vezes polêmicos sem perder a ternura, tal qual "O único cemitério multinacional do mundo" (da Candelária, onde eram sepultados corpos dos construtores da EFMM), em Porto Velho.

Nelsinho esmerou-se a vida toda por fazer um jornalismo esclarecedor e, sob muitos aspectos, humanista. A todos o Pai Criador leva deste mundo e, chegando a vez dele, novamente temos a oportunidade de refletir a respeito do que fizemos, fazemos e ainda poderemos fazer neste mundão cibernético do Terceiro Milênio. Desnecessário repetir o quanto foi companheiro, incentivador de nós todos, solidário, presente. Que a luz deixada por ele se espalhe na categoria, sempre.


Ele era assim

Ele era assim, do jeito que o jornalista Lucas Tatuí o descreveu em seis de outubro de 2010: "Muito antes de se imaginar a imprensa online, o jornalista Nelson Townes de Castro realizou a primeira transmissão de notícia em tempo real no Estado de Rondônia. Isso foi em 1970. quando o Brasil de Pelé conquistou tricampeonato no México.

Através do telégrafo sem fio, em código Morse, Townes transmitiu para a sede do jornal O Guaporé – a mais de mil quilômetros de distância - a informação de que o navio que transportava, pelo rio Guaporé, o então governador do Território de Rondônia, Marques Henriques, havia perdido a hélice e estava desgovernado.

Townes também estava a bordo daquele navio, como enviado especial do mencionado jornal. Após o susto, e o escape de uma iminente tragédia, o jornalista datilografou tudo numa pequena máquina “Olivetti Lettera 22” (de 1950).

Não é à toa que, para os mestres, como Paulo Queiroz, Claudio Paiva e outros, Nelson Townes é considerado um “dinossauro da comunicação”. Ele também é muito respeitado por aqueles que têm menos tempo de estrada e que ainda têm muito a aprender, como este que escreve.


Townes é o maior colecionador de troféus do Prêmio Sinjor de Jornalismo – foram quatro, sendo três por matérias na categoria Meio Ambiente. Ele, que já foi da Folha de S. Paulo, deixando sua marca naquela terra de gigantes, é hoje jornalista de honra do Estadão do Norte e da Imprensa de Rondônia.


Minha homenagem, meu respeito e reverência a Nelson Townes de Castro."

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Comentário de Montezuma Cruz em 24 outubro 2011 às 21:02
Dia desses, falando com a jornalista Mara Paraguassu, soube que Nelsinho, mesmo em tratamento médico, escrevia editoriais e artigos no leito hospitalar. São essas raridades profissionais que nos enchem de alegria, consolando-nos quando pranteamos um dos mais célebres jornalistas que Rondônia conheceu.

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