O cientista palmeirense que sonha fazer do nordeste a Califónia brasileira

"A ciência como agente de transformação social" , Miguel Nicolelis

“A única chance de treinar jogadores argentinos pra ganhar do Brasil” (Espaço Aberto, ciência e tecnologia, Globo News)

sex, 30/07/10
por eliane.camolesi |
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Para um visionário acostumado a pensar no futuro, o prêmio Pioneer Award significa dar um salto quântico na linha de pesquisa que vinha desenvolvendo até então.
É este o desafio de Miguel Nicolelis, um palmeirense fanático, médico paulistano formado pela USP, atualmente pesquisador da Universidade de Duke, nos EUA, e que acabou de ganhar o mais cobiçado prêmio para um cientista da área de biomedicina, o Pioneer Award, que lhe deu o direito de receber US$2,5 milhões para suas pequisas.


Depois de um demorado processo de seleção, Nicolélis chegou à etapa final, onde deveria fazer uma palestra para um comitê do National Institutes of Health (NIH), a maior agência de financiamento de pesquisa médica no mundo. Uma palestra decisiva, onde ele poderia por tudo a perder e dar adeus ao prêmio. Ali, Nicolélis explicou seu projeto: uma de sua ambições é desenvolver um ambiente na Universidade de Duque que possibilite a uma pessoa que tenha tetraplegia, por exemplo, treinar, via internet, de qualquer lugar do mundo, o comando de uma veste robótica só com o pensamento. Depois de treinado, o que significa reaprender a movimentar o próprio corpo com o cérebro, usando um corpo virtual, um “avatar”, este paciente poderia usar neuropróteses conectadas ao cérebro, por exemplo, e voltar a se mexer, andar, fazer algumas atividades.
Nicolélis explicou isso tudo e mais um pouco, em linguagem científica, ao comitê do NIH. E o que ele acha que acabou conquistando os cientistas foi, no final, dizer que só um brasileiro seria capaz de propor isso para um comitê americano. E mais: esse ambiente virtual seria a única chance de treinar os jogadores argentinos pra ganhar do Brasil.

Resultado: Nicolelis tem agora 5 anos pra mostrar como vai usar seus quase 4 milhões e meio de reais. O relógio começa a contar a partir de primeiro de setembro.

Nicolélis: um cientista premiado…
…e um exímio contador de histórias

O neurocientista Miguel Nicolelis é uma daquelas raras pessoas que combinam inteligência aguçada, senso de gratidão, visão de futuro, paciência para explicar coisas complicadas para leigos e um bom papo.
Em meio a uma agenda lotada, dois dias depois da divulgação para a imprensa do prêmio Pioneer Award, Nicolelis explicou, sem pressa, mais uma das pesquisas que serão impulsionadas com o financiamento que acaba de ganhar.
Nos EUA, Nicolelis lidera pesquisas que investigam a atividade das células cerebrais. Agora, ele vai tentar medir em grande escala os sinais elétricos emitidos pelo cérebro e, assim, diagnosticar se uma pessoa tem a chance de ter Mal de Parkinson no futuro, antes mesmo que os sintomas comecem a aparecer.

Segundo o neurocientista, estudos indicam que o cérebro “avisa” que a doença vai se instalar: quando as células de determinada região começam a morrer, é o sinal do Parkinson. Mas é preciso que cerca de 70% dos neurônios daquela região “morram” para que os sintomas apareçam. Nos testes feitos com ratos, a equipe de Nicolelis já conseguiu detectar o início da morte das células, ou seja, a degeneração que vai levar ao Parkinson. Quando esta pesquisa ficar comprovada em seres humanos, vai possibilitar fazer o tratamento antes que os sintomas se manifestem.
A técnica seria uma espécie eletroencefalograma. E um dia, quem sabe, ela se tornará tão comum quanto. Se depender de Nicolelis, alguém duvida?

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