o engajamento da grande imprensa e a justiça dos homens

Serra leva sexta multa. Onde estão as críticas?
domingo, 1 agosto, 2010 às 9:37
Com as duas multas aplicadas ontem, por uso irregular das inserções do PSDB, José Serra igualou o mesmo número de multas – seis – já aplicadas contra o Presidente Lula e superou as sanções feitas contra Dilma Rousseff pelo tribunal. Com o agravante que as multas de Serra foram todas por uso indevido de instrumentos de comunicação de massa, enquanto as aplicadas a Lula, como se sabe, incluiram até um comentário, sobre esperar que “a voz do povo fosse a voz de Deus” quando a multidão gritava o nome de Dilma.
O comportamento de Lula valeu-lhe as mais severas críticas dos colunistas e dos editoriais da grande imporensa. Até o NY Times meteu sua colher torta para dizer que Lula havia “passado das medidas” e desrespeitado a lei eleitoral. A vice-Procuradora sandra Cureau, além de dizer, desrespeitosamente, que o presidente não conseguia “ficar de boca calada”. Muito bem,vamos imaginar, apenas como exercício, que todos estivessem agindo de boa-fé.
Onde estão, agora, as colunas, os editoriais, as entrevistas, as ameaças de impugnação que se fizeram contra a candidatura Dilma pelas transgressões sobre as quais alguns colunistas disseram “faltar coragem” à Justiça Eleitoral para aplicar à candidata do Governo.
Onde está a Dra. Sandra Cureau que, há poucos dias, afirmou que “o PSDB tem demonstrado mais zelo e respeito à Lei Eleitoral do que o PT.”?


E olhem que as três mais graves e objetivas transgressões de Serra – a utilização indevida dos programas do DEM, do PTB e do PPS em rede nacional de rádio em televisão, nunca é demais insistir, atropelando o Art. 45,parágrafo 1°, inciso I da Lei 9,096 – não foram julgadas e, duas delas, ao que eu saiba, sequer ajuizadas. Há farta jurisprudência no TSE sobre serem mais graves as transgressões quando elas se dão por meio capaz de influenciar pessoas em número suficiente para influir no resultado eleitoral.
A parcialidade – não, não, o engajamento – da grande imprensa com a oposição a Lula e Dilma não é novidade. Foi expressa com todas as letras pela diretora da Folha e presidente da associação de donos de jornais, sra. Judith Brito, ao dizer que pelo fato de ser de a oposição “estar muito fragilizada” o seu papel seria desempenhado pelos jornais.
O que é novidade é uma procuradora da república, diante de um número de decisões judiciais contra os dois lados principais da disputa, vir a público manifestar críticas a um e elogiar o outro.
Se isso não for parcialidade, o que será?
PS.Os fatos expostos aqui são objetivos. Não são ilações.

Exigir que sejam examinados não é intimidação ao Ministério Público. Ao contrário, representam respeito e zelo com uma instituição que está acima do comportamento eventual de seus integrantes. Reagir a isso com corporativismo, sim, é que é subverter o princípio republicano de respeito às instituições e do direito de crítica a seus integrantes.

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