O LIVRO NEGRO DO CAPITALISMO - GILLES PERRAULT

O que é realmente o capitalismo? Será que ele é este paraíso que a burguesia tanto prega? Quais seriam suas mazelas e seus crimes? Crimes? O incauto leitor, que tem por hábito adorar este sistema e suas "sacrossantas e naturais" instituições, como o deus mercado e o lucro, hão de achar que estou louca, ao me referir aos crimes do capitalismo. A estes leitores, principalmente, recomendo a leitura deste livro, escrito pelo francês Gilles Perrault e sobre o qual já andei postando no meu outro blog - "Espaço de Cultura Livre".
Este livro surgiu quase ao mesmo tempo que o "Livro Negro do Comunismo e, para a medíocre e tendenciosa revista Veja, em edição de 31/11/99, o bom é o primeiro, sendo que este seria "uma obra idiota" : pelo adjetivo, já dá para notar o 'alto nível' da crítica, que termina com esta preciosidade:

Só faltou incluir a morte de Elvis Presley – mas, como se sabe, Elvis não morreu.

Ao contrário do editor da citada revista, Okky de Souza, adorei o livro, que ele chamou de "conta macabra", por Perrault fazer um balanço do capitalismo que não é contábil, mas histórico, conforme consta da contra - capa da edição da Ed.Record

"No caso do comunismo, as bibliotecas estão abarrotadas de obras que o incriminam. Não há nenhuma para o capitalismo(...). Esta obra faz, pela primeira vez, um balanço do capitalismo que não é contábil, mas histórico. Os 28 ensaios aqui reunidos estudam males do capitalismo como escravidão, apropriação de recursos naturais, imposição de ditaduras, embargos econômicos, devastação ambiental, fome e miséria. Uma soma de parcelas que tem como resultado não menos que 100 milhões de vítimas".

Numa histeria típica de todo órgão da mídia fascista brasileira, Okky de Souza alega que Gilles Perrault não se preocupou em desmentir os fatos relatados na obra que lhe é antípoda (segundo ele, o "monumental" "livro negro do comunismo") e desfila uma série de argumentos para provar que o sistema que ataca é o verdadeiro vilão nos últimos século. Okky pensa que todos os que lerem seu artigo são acéfalos: não era objetivo de Perrault escrever um livro para responder ao seu antípoda. Afinal, ele não fez um livro de defesa do comunismo. Seu objetivo era, pura e simplesmente, desmascarar o capitalismo, tido por seus adeptos (quase todos os que dele tiram vantagens às custas da massa dos que nada auferem, além de mazelas) como "estado natural da humanidade". Assim sendo, para que desmentir o que foi dito no outro livro? A esquerda não vive de enganos: todos sabemos que, em nome do socialismo e do comunismo, se praticou muitas atrocidades. Para que defender? O que queremos é um socialismo real, sem desvios de percurso, ponto e basta. Acho que se o livro de Perraut se perdesse em defender o que não tem defesa, tipo os expurgos de Stalin, cairia no mesmo descrédito que goza a Revista Veja perante os que costumam ir um pouco além da farsa midiática. Assim sendo, o autor aborda desde a origem do capitalismo, sua sangrenta história, passando pelo imperialismo, o intervencionismo e as conseqüentes guerras, cujos interesses têm sempre raízes na sede de poder e dinheiro (e petróleo), mascarada por supostas 'razões humanitárias', não deixando de abordar, também, o sionismo e a questão da Palestina, ambos ligados ao imperialismo, terminando pela globalização (nefasta nos moldes em que se baseia), no poderio dos bancos e na moderna guerra publicitária, em que "um anúncio vale mil bombas".
Para finalizar o post, transcrevo parte da orelha do livro, a fim de que você tire melhor suas conclusões:

"Costuma-se dizer que o capitalismo é um estado natural da humanidade.Assim, se o capitalismo tem suas catástrofes, essas são catástrofes igualmente naturais, sem rosto, sem responsável. Afinal, como responsabilizar o índice Dow Jones? Como odiar uma instituição como o FMI(*)? O Livro Negro do Capitalismo é uma obra atual, séria e documentada sobre aspectos essenciais de um modelo econômico, de uma ideologia e de uma política que, na sua prática, têm, ao longo da história e em todo o mundo, produzido injustiça, discriminação, desigualdade e exclusão social. Organizado por Gilles Perrault, esta obra reúne artigos de historiadores, economistas, sociólogos(**), sindicalistas e escritores como Hean Suret Canale, Philippe Paraire, Claude Willard(...), que escolheram sobre que variável do capitalismo escrever: escravidão, repressão, tortura, violência, roubo de terras e recursos naturais, criação e divisão artificial de países, imposição de ditaduras, embargos econômicos, destruição dos modos de via dos povos e das culturas tradicionais, devastação ambiental, desastres ecológicos, fome e miséria".

Sumário do Livro:

Prólogo - Gilles Perrault
Introdução - Maurice Cury
As origens do capitalismo (séculos XV a XIX) - Jean Suret-Canale
Economia servil e capitalismo: um balanço qualificável - Philippe Paraire
1871: traição de classe e semana sangrenta - Claude Willard
A Grande Guerra: 11.500 mortos e 13.000 feridos por dia ao longo de três anos e meio - Jean-Pierre Fléchard
Contra-revolução e intervenções estrangeiras na Rússia (1917-1921) - Pierre Durand
A Segunda Guerra Mundial - François Delpla
Sobre a origem das guerras e uma forma radical do capitalismo - Pierre Durand
Imperialismos, sionismo e Palestina - Maurice Buttin
Guerra e repressão: a hecatombe vietnamita - François Derivery
Massacres e repressão no Irã - François Derivery
Genocídio anticomunista na Indonésia - Jacques Jurquet
Anexação fascista de Timor-Leste - Jacques Jurquet
O Iraque, vítima do petróleo - Subhi Toma
A África negra sob a colonização francesa - Jean Suret-Canale
Argélia 1830-1998: dos primórdios do capitalismo colonial à empresa monopolista de recolonização "globalizada" - André Prenant
A África das independências e o "comunismo" (1960-1998) - Francis Arzalier
As intervenções norte-americanas na América Latina - Paco Peña
Estados Unidos: o sonho inacabado - A longa marcha dos afro-americanos - Robert Pac
Centenário de um genocídio em Cuba - A "Reconstrução" de Weyler - Jean Laïlle
O genocídio dos índios - Robert Pac
O capitalismo assalta a Ásia - Yves Grenet
As migrações nos séculos XIX e XX: contribuição para a história do capitalismo - Caroline Andreani
Capitalismo, corrida armamentista e comércio de armas - Yves Grenet
Os mortos-vivos da globalização - Philippe Paraire
A globalização do capital e as causas das ameaças da barbárie - François Chesnais
Os banqueiros suíços matam sem metralhadoras - Jean Ziegler
Um anúncio vale mil bombas... Os campos publicitários na guerra moderna - Yves Frémion
E mesmo assim a abolição do capitalismo não seria suficiente... - Monique e Roland Weyl
Capitalismo e barbárie: quadro negro dos massacres e das guerras no século XX (1900-1997)

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Notas da Milu
(*) Fundo Monetário Internacional, ou - em termos reais: Fome, Miséria, Indigência
(**) Talvez o desgosto da veja com o livro se deva ao fato de, entre os sociólogos que participaram de sua elaboração, não constar o nome do FHC, o rei da categoria...

Exibições: 907

Comentário de Ariston Álvares Cardoso em 23 janeiro 2012 às 17:08
Que maravilha de delicioso prato cultural
Comentário de milu duarte em 23 janeiro 2012 às 17:15

O livro, realmente, é ótimo!

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