O meu Brasil é com "S" - por José Sócrates

- Raros são os políticos que dão o seu nome a um tempo. Os "anos
Lula" mudaram o Brasil. É outro país: mais desenvolvido economicamente,
mais avançado tecnologicamente, mais justo socialmente, mais influente
globalmente.


Uma democracia mais consolidada, uma sociedade mais coesa e mais tolerante. Sabemo-lo hoje: no Brasil, o século 21 começou em 1º de janeiro de 2003, o dia
inaugural da Presidência de Lula.



Quero ser claro: Lula mostrou que a esquerda brasileira sabe governar. Causas, sim, mas competência também; princípios políticos, mas também eficácia técnica;
realismo inspirado por ideais que nunca se perderam.



Este presidente, oriundo do PT, deu à esquerda brasileira credibilidade, modernidade, força e maturidade. A grande oportunidade da sua eleição não foi
uma promessa incumprida ou um sonho desfeito.



Ao contrário, com Lula, a esquerda ganhou crédito e consistência; o Brasil, reputação e prestígio.



Sou testemunha das reservas, se não do ceticismo, com que a "intelligentzia" recebeu a eleição de Lula da Silva. Hoje, na hora do
balanço, a descrença transmutou-se em aplauso; a expectativa, em admiração. É
essa a "alquimia" Lula.



Os números falam por si: crescimento econômico, equilíbrio financeiro, reputação nos mercados, milhões de pessoas arrancadas à extrema pobreza, salto
inédito na educação e na formação profissional, melhoria do rendimento que
alargou e consolidou a classe média brasileira.



Lula era o homem certo. A sua história pessoal e política permitiu dar à esquerda uma nova atitude e ao Brasil um novo
horizonte. Sem complexos e sem desfalecimentos, o antigo sindicalista esperou e
preparou longamente o encontro com o seu povo.
Se falhasse, não falharia
apenas ele: falharia um ideal, um sonho, um projeto, esperança do tamanho de um
continente.



Foi também nesses anos vitais que o Brasil se afirmou como o grande país que é. "Potência emergente", como é habitual dizer, assume-se -e vai se
assumir cada vez mais- como um dos grandes países que marcam o mundo
contemporâneo. Pela sua grandeza e pela sua energia, tem tudo o que é
necessário para isso.



Portugal tem orgulho deste grande país, com quem partilha uma língua, uma fraternidade, um passado, um presente e um futuro. Tudo isso queremos valorizar
e projetar: aos sentimentos que nos unem, juntamos os interesses que nos são
comuns; à memória conjunta associamos visão partilhada do futuro.



Para Portugal e para todos os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a importância do Brasil no mundo do século 21 é um motivo de
alegria e uma riqueza imensa, com potencialidades em todos os planos:
econômico, cultural, linguístico, político, geoestratégico.



A vida política de Lula é uma longa corrida feita com ritmo, esforço, persistência. As palavras que ocorrem são tenacidade e temperança, clássicas
virtudes da política. Tenacidade para fazer de derrotas passadas vitórias futuras.
Temperança que lhe ensinou a moderação, o equilíbrio e a responsabilidade que o
tornaram o presidente que foi.



Na hora da despedida, quero prestar-lhe, em meu nome pessoal e em nome do governo português, uma homenagem feita de amizade, reconhecimento e admiração.
Lembro os laços que firmamos, os projetos que comungamos, os encontros que
tivemos, nos quais se revelou, invariavelmente, um grande amigo de Portugal.



Lembro, em especial, o trabalho que desenvolvemos para que durante a presidência portuguesa da União Europeia fosse possível a realização da
primeira cúpula UE-Brasil, um ponto de viragem nas relações entre a Europa e o
Brasil.



Na passagem do testemunho à presidente eleita, Dilma Rousseff, que felicito vivamente e a quem desejo as maiores felicidades, renovo a determinação de
prosseguirmos juntos e reafirmo, na língua que nos é comum, o nosso afeto e a
nossa gratidão. Mais do que nunca, "o meu Brasil é com "S'".
"S" de Silva.


Lula da Silva. Saravá!




JOSÉ SÓCRATES é o primeiro-ministro de Portugal. (FSP - 14.11.10)

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Comentário de Dirceu Barquette Filho em 14 novembro 2010 às 12:40
Assim seja. Assim continuemos...
Comentário de Dilmar Santos de Miranda em 14 novembro 2010 às 16:03
Para nossa "intelligentzia" nativa ler, meditar e retirar o véu de Maia que encobre sua cegueira, preconceito e, porque não dizer, má-fé. Conheço vários desse espécime.

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