As nuvens cerradas da inquisição e do obscurantismo estão pairando sobre o STF durante o julgamento da Ação Penal 470. Mas não nos preocupemos, afinal quando chegar a hora do julgamento (se chegar) do mensalão do PSDB ou Privataria Tucana, os ventos do iluminismo irão voltar a arejar as mentes dos seus ministros. Eles então deixarão de ser verdugos cortando cabeças a mando dos membros da aristocracia e convenientemente voltarão a ser magistrados na verdadeira acepção da palavra.

Na verdade, o STF está em processo de franca desmoralização levando a cabo esta farsa de julgamento com cartas marcadas e com objetivo claro de satisfazer a sede de vingança da mídia golpista, destruindo o porto seguro que foi construído através de séculos de avanços no campo do direito criminal e que era constituído de princípios processuais penais sólidos que serviam de refúgio a qualquer pessoa submetida a um julgamento de natureza criminal para que ela não ficasse à mercê das investidas estatais desarrazoadas, ilegais e ilegítimas. Instaura-se com este circo travestido de julgamento, o retrocesso e a insegurança jurídica. E no frigir dos ovos, quem vai pagar caro com o desmantelamento de tais princípios é justamente a população dos segmentos mais pobres como sempre, pois de agora em diante qualquer conduta poderá vir a ser considerada crime e qualquer indício forjado poderá servir como prova. Até mesmo pelo fato de que se levarmos ao extremo a chamada teoria do domínio do fato, todos nós somos culpados por sustentarmos este sistema espúrio que aí está. O pior de tudo é que existem muitos "desavisados" e mal informados que estão aplaudindo de maneira esfusiante o espetáculo degradante, no qual vemos a reputação de uma instituição que deveria ser inconstestável ir para o ralo.

Jorge André Irion Jobim. Advogado de Santa Maria, RS

Exibições: 76

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2021   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço