Não sou torcedor fanático como meu primeiro filho, flamenguista.
Minha paixão pelo futebol morreu no dia 5 de julho de 1982 quando o "invencível" time de Telê caiu diante da Itália, no estádio Sarriá. Foi como se um ente querido tivesse batido as botas naquela tragédia. Minha esposa ficou indignada com tudo aquilo [aquela paixão febril], grávida do futuro flamenguista, nascido poucos dias depois...
Hoje sou "simpatizante" do Palmeiras, simpatia que começou quando Ademir da Guia dirigia a chamada "Academia de Futebol".
O campeonato brasileiro terminou há poucos dias, e o time palmeirense serve de espelho para uma realidade que hoje vemos em alguns órgãos públicos: a prática das terceirizações a qualquer custo.
Qualquer programa de iniciativa do governo precisa ser examinado por um time [bem] formado por técnicos concursados. O ataque, a linha de frente, é responsável pelos gols [os programas inovadores do governo], mas também faz o primeiro combate, as primeiras análises dos termos de referência, viabilidade técnica, licenças, análise de quantitativos e preços de mercado, entre outros.
O meio de campo fica responsável pelos trâmites internos, conferências, direcionamento e programações de pagamento, ao mesmo tempo que provisiona o ataque, que tem contato direto com os locais de aplicação dos recursos.
A defesa, na auditoria interna, vê os procedimentos e regras internas, e trabalha no sentido de barrar possíveis desvios ou vícios internos da corporação, preparando-a para a fiscalização externa.
O goleiro seriam os órgãos de controle ou com poder de polícia, tais como CGU, TCU, MP e Polícia Federal.
Se um time vencedor assiste a contratação de um "terceirizado" no ataque, contratado só para "fechar" o campeonato, e que recebe de 3 a 30 vezes mais do que a média de salário, que se espera deste time? Que jogue com a mesma garra e determinação?
Ao se terceirizar, nestes termos, passa-se uma mensagem subliminar: "você é bom, é um craque, mas para cumprir esta meta que tenho, não chamarei o banco de reserva [concursados aprovados, que aguardam contratação], vou contratar terceirizado. E mais: gastarei mais com ele do que usando os formados nas categorias de base".
É uma terceirização "kamikaze", porque, ao mesmo tempo em que aparentemente "mata" a tarefa urgente, "mata" a motivação e o ânimo do time que lutou até aqui, que, além de trabalhar tudo o que trabalha, precisa corrigir os erros ou possíveis vícios do contratado.
A terceirização é muito bem vinda quando se tem determinadas tarefas rotineiras e situações de esforço concentrado ao longo do tempo, sempre com a supervisão do time da casa. Nunca deveria ser usada para grandes programas ou projetos de alto impacto e custo elevado, como hoje se vê.
Ademais, uma percentagem deve ser estabelecida, para que, a partir dali fossem contratados os concursados, ou seja, no máximo 30%. Hoje, esta equação está, invertida — mais de 70% em volume é terceirizado.
A terceirização "kamikaze" expõe e fragiliza os dirigentes, porque, a rigor, o contratado não tem comprometimento nenhum com o planejamento estratégico de longo prazo do time. O negócio dele é o "aqui e agora". Dinheiro.
O que se assistiu, falando do time, foram jogos burocráticos, sem motivação, para cumprir tabela, o abnegado goleiro, capitão do time, numa inversão tática, sai no desespero para o ataque, na esperança de fazer o gol. Fora as brigas internas e aquelas, escancaradas, que todo mundo viu pela tv.
O Palmeiras não perdeu o campeonato, deixou que o vencessem.
O time campeão? Bem, esse time teve um que correu o risco de ter o pé amputado, um velho que faz gol olímpico com muita facilidade, outro, artilheiro, que voltou ao time [dizem] por amor, e outros formiguinhas aí que trabalharam duro, dirigido por um "inexpressivo" técnico prata da casa...
Já que estamos falando de terceirizações, que tal um pensamento maluco de "terceirizar o goleiro" [CGU,TCU ou PF]? Será que daria certo?
[Vágner Love, Marcos, Obina, Maurício, Ronaldo Angelin, Peticovic, Adriano, Andrade, Petrobrás, Cemig, Copel, Banco do Brasil, Caixa, Sabesp, CDHU, Banrinsul,entre outros, participaram deste campeonato]

Ronaldo Ferreira dos Reis é engenheiro civil

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