Confesso que no dia da posse do presidente Obama, me emocionei frente à TV acreditando que estaria presenciando um novo tempo, uma nova história sendo escrita à partir da eleição do primeiro presidente negro nos EUA. As promessas foram muitas: fim de Guantanamo, em Cuba, fim da invasão americano ao Iraque, recuperação da economia americana, regulação do sistema financeiro, uma nova política de imigração e etc. Mas, infelizmente, tudo não passou de um sonho. Obama é apenas “mais do mesmo”. Enganou todos os americanos que votaram nele e boa parte do mundo. Suas ações após ter tomado posse falam muito mais que suas promessas.

A primeira pessoa influente que me chamou a atenção para o fato de que Obama não representa uma mudança verdadeira na política americana foi Noam Chomsky. O importante pensador americano afirmou que Obama era a mesma coisa que seu antecessor: Bush filho, apenas com uma retórica diferente. “Yes, we can”. Sim, nós podemos. Esta foi a frase, repetida a exaustão pela mídia mundial, na qual Obama conseguiu atingir o coração e mente de todos que acreditaram nele. Nela está implícito o desejo dos americanos em resgatar o seu estilo de vida (consumista) e orgulho em ser a nação mais rica e poderosa do globo. Mas, então, as decepções começaram se concretizar. Em seu primeiro ano de mandato, o índice de aprovação de Obama caiu de 78% para 47%. Uma das maiores quedas já registradas no primeiro ano de mandato presidencial dos EUA.

Obama intensificou mais do que Bush as intervenções militares no Oriente Médio e no Afeganistão, aumentou impostos para a classe média (e não para os ricos, que viram seus impostos diminuir no governo Bush), não só não fechou Guantanamo, como autorizou novos julgamentos, mas o pior ainda estava por vir.

A segunda pessoa influente que me chamou a atenção para o “mais do mesmo” que representava Obama, foi o documentário: Capitalismo: uma história de amor, do cineasta americano Michael Moore. No final do documentário, Moore levanta a hipótese que poderíamos estar entrando em uma nova fase (quando do lançamento do filme, Obama tinha assumido a presidência há poucos meses) com a eleição do primeiro presidente negro. Mas via em um pequeno detalhe, algo que podia frustrar esta esperança: as mesmas empresas que doaram milhões de dólares para a campanha de John McCain, também o fizeram para o comitê de Obama.

A terceira pessoa a me alertar sobre Obama foi Charles Ferguson, em seu documentário, Trabalho Interno, ganhador do Oscar de 2011 e que jogou por terra completamente a esperança que depositava em Obama e o sonho de uma nova era. No final do governo Bush, uma crise financeira abalou o mundo, comparada apenas à crise de 1929. Ao assumir a presidência dos EUA, Obama afirmou que a “farra” financeira acabaria e que imporia restrições ao mercado financeiro para que a crise não se repetisse. Não fez nada disso, e ainda fez pior. Estão em seu governo, atualmente e participando de sua equipe econômica, os principais envolvidos nas causas que levaram o mundo à pior crise financeira em mais de 40 anos. E mais, liberou U$ 700 bilhões do dinheiro público americano para “salvar” bancos, agências de financiamento e seguradoras envolvidas na crise e empresas afetadas por ela.

As mesmas pessoas que causaram a crise estão ocupando cargos de confiança e liderança na equipe econômica do governo Obama, sem que nenhuma acusação pesasse contra elas e todas muito ricas, pois parte do dinheiro liberado por Obama foi destinado ao pagamento de bônus aos executivos destas instituições. Isso mesmo, estão no governo Obama executivos que anteriormente ocupavam cargos nas instituições envolvidas, tais como: Lehman Brothers, AIG, J.P Morgan, Merrill Lynch e outras.

Agora, Obama vem ao Brasil. O que será que ele vem fazer aqui? O Brasil saiu-se muito bem da crise. José Serra, que pretendia fazer uma política mais alinhada à americana, não ganhou as eleições presidenciais. Parte da imprensa brasileira já está se derretendo para o lado do presidente americano. Estão tratando o evento como se um deus grego viesse nos visitar, até comício na Cinelândia Obama irá fazer. O que quer o Sr. mentira quer com nosso país? A respeito de suas ações, podemos estar correndo perigo? “Yes, we can”.

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Comentário de José Safrany Filho em 16 março 2011 às 20:38

Desde a expansão colonial, após se livrarem do império britânico, em 1776, os ianques só fizeram bem a lição que aprenderam com sua ex-metrópole e passaram a ser eles a metrópole. Roubaram mais da metade do território do México (pobre México, como alguém já frisou: "Tão longe de deus e tão perto dos Estados Unidos..."). Com a doutrina Monroe (não confundir com Marilyn, aquela do Kennedy...) ou a doutrina do "big stick" (porrete, na tradução real) passam a exigir a América para os américanos (mas, não confundir, não é para todos os habitantes das três Américas como seria normal pensar, mas para eles, ianques, que se consideram como tais e, até hoje, tem muita gente nessas Américas confundindo o adjetivo patronímio com o habitante estadunidense). Assim, ocuparam o Hawaí, invadiram Porto Rico, Haiti, etc. Criaram pretexto próprio, dinamitando e afundando seu próprio navio - Maine - em 1898 (os brancos todos sairam do dito, antes que acontecesse o fato), que levaram ao porto de Havana, para pôr a culpa na Espanha, que já estava derrotada naquela que foi a segunda guerra de independência dos "criollos" cubanos, sob inspiração de José Marti, e declarar guerra à Espanha e, assim, ocupar Cuba (a fruta madura, pronta para cair em nosso quintal, como diziam...) e impor uma constituição aos cubanos, sob os auspícios de Washington, com direito a ocupar a base de Guantânamo - até hoje, diga-se, contra a vontade de Cuba - e de intervir quando bem quisessem (Emenda Platt, de um senador ianque...). Ainda tomaram as Filipinas e outros ilhéus aos espanhóis derrotados. No século passado foram inúmeros governos ditatoriais e sanguinários impostos e mantidos à força pelos ianques, principalmente aqui na América Latina, mas não só - vide o oriente com as monaquias e ditaduras de todo gênero fascista a serviço deles - e nós, brasileiros, tivemos que sofrer mais de duas décadas de ditadura desse tipo, cujo começo o general Vernon Walters se gabava de ter sido o artífice, a mando de Washington que estava, já, com sua frota agressora pronta para nos invadir, em 1964. E os antipatriotas, golpistas e torturadores continuam impunes, até hoje. A nova modalidade de colonização, além das trans-nacionais do império, diretamente ou vinculadas a aliados das oligarquias locais ou internacionais, é através das trocas desleais, dívida astronômica (antes mais externa, hoje travestida de interna, que já está nas portas dos 2 trilhões de reais, com pagamentos DIÁRIOS que chegam a mais de UM BILHÃO DE REAIS), acordos expúrios, remessa de lucros, privatarias, contrabando, corrupção, etc. Quando nada disso é suficiente, e quase nunca é, pois o monstro é insaciável, necessita sustentar quase duas mil bases militares (quase mil fora de suas fronteiras e estão de olho em colocar por aqui também. Quase que o mega-entreguista FHC deixou ocuparem a base Alcântara em seu famigerado período), governos dóceis e uma classe parasitária nababesca que montou o maior complexo industrial-militar para agredir o planeta.

Isso é só um resumo, que custou a vida (e continua custando) de milhões e milhões de pessoas em todo o planeta, que corre sério risco de desaparição, seja pelas mais de duas mil armas atômicas imperiais, e eles foram os únicos criminosos-terroristas que tiveram a audácia de jogar duas bombas sobre populações civis, depois de o Japão derrotado, com o fim da IIGuerra Mundial), seja pela agressão à natureza, de onde só pensam em tirar sem fim, polunindo-a, contaminado-a, aquecendo-a, etc.

Diante de um CURRICULUM desses, será que, AINDA, dá para cultivar alguma ingenuidade de achar que o império vai renunciar ao seu propósito de dominar-nos a todos. O próprio Obama declarou que seu país vai continuar sendo hegemônico no planeta e não abre mão disso...

Se nós não nos cuidarmos seremos mais colônia que nunca. Quem o nosso pré-sal, água, riquezas minerais, biodiversidade, mão-de-obra barata, o nosso sangue, em fim.

Lembram-se do Haiti e o terremoto de janeiro de 2010? Enquanto o mundo, quase todo, corria com hospitais de campanha, médicos, enfermeiros, ajuda material, salvamento, etc., o que os EUA fizeram, já na fase Obama? Mandarm navios de guerra com 20.000 marines armados até os dentes... O que fizeram com Honduras? O que tentaram na Venezuela em 2002? Golpe contra o presidente eleito Aristides, do próprio Haiti, em 2005 -sequestrado e banido para a África-, a tentativa de golpe contra a Bolívia, Equador, etc...

Será que precisamos de mais provas para saber quem são os ianques?

É uma vegonha a presidente(a) convidar um cara desses, permitir que seus representantes do FBI vasculhem por todo lado onde vai andar e montem a farsa de procurar enganar nosso povo!

FORA COM OS IANQUES! PELA AUTODETERMINAÇÃO DO BRASIL!

Comentário de Francisco Machado Filho em 17 março 2011 às 17:23
Concordo plenamente com vcs, esse resgate do orgulho americano que Obama quer fazer é preocupante, pois significa bom pra eles e ruim pro resto do mundo,., agradeço os comentários

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