olvide números
leia nuvens plantas
bichos
pios de aves
e vôos de borboletas

sinta canaviais
pardais
gorjeios de joões-de-barro no ninho

pressinta a chuva
invente gravetos molhados
olor de grama e capim

seja o silencio
da relva e da pétala
flor do cerrado

o galho a balançar
o bambuzal
as estrepolias dos gaviões-de-penacho

vislumbrar
por que o concreto da cidade nova
se há ao lado um éden
um riacho
laranjais
e o cântico do silêncio e do vento
o sibilante sorriso da brisa?


Aqui a cidade nova é Águas Claras, em Brasília. Centenas de edifícios ganham vida, da noite para o dia. Ao lado, um parque com imensa bosque, riachos, pássaros e riquíssima flora do cerrado.

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Comentário de Marçal, T. em 20 fevereiro 2010 às 23:13
“Nem tudo que é torto é errado. Veja as pernas do Garrincha e as árvores do cerrado” diria Nicolas Behr. A cidade de Brasília é belíssima, o cerrado muito mais.
Comentário de Lafaiette Luiz em 21 fevereiro 2010 às 16:30
Sim, Marçal. Brasilia é belíssima, apesar das mazelas em torno dela (Vilas São Josés e outras expansões em Ceilândia, por exemplo). Mas tem um céu fantástico e o cerrado ainda resiste. O poema, singelo, foi escrito quando o pseudopoeta aqui estava no parque de Águas Claras (aquele bem "nos fundos" da residência do Governador). O contraste da exuberante natureza com as centeas de prédios de 20 andares em construção provocou-me. É isso. Abs.

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