Com um certo atraso (tudo nesta cidade acontece tão rápido e tão maçantemente em bloco) e depois de ler críticas, crônicas e todo o tipo de comentários, finalmente assisti, na segunda-feira o novo filme de Woody Allen.
A vida é insatisfatória, quando não encontramos tempo para ir ao cinema e trancafiamos este cavalo alado que é a imaginação, quando recusamos a pipoca doce que no cinema sempre é mais doce (coisa de cinema mesmo), por medo de engordar, mas ah a vida pode ser perfeita no ali, no escurinho, brincando de imaginar ou em Paris quando o guia certo nos leva pela mão.
Segunda-feira foi um dia extremamente pobre e triste...descobri que a mesquinhez tem muitas faces e que uma delas pode estar na família. Assim meio incensada de sordidez e fumaça de cigarro, após uma longa e miserável conversa cara a cara com a própria mesquinhez, resolvi aceitar o convite para o cinema. Fui, cansada, olhos vermelhos e me sentindo um pouco menos - este é um dos efeitos colaterais da mesquinhez - ela lhe constrange tanto e de uma tal forma pelo outro que você se sente contaminado, impregnado dela como o cheiro do cigarro que exala cada peça de roupa sua quando outra pessoa fuma. Nesta noite, que também foi estranhamente bela e feliz redescobri a importância das pequenas coisas, do cheirinho amanteigado de pipoca, de ir a Paris sem sair da poltrona, de rir gostoso (quase não rio mais, perdi muitos risos por aí e não foi no cinema) e não querer mais que o filme acabe. Eu disse as pequenas coisas...foi um erro. Trato é das grandes coisas! Alguém que lhe conforta e oferece um sorriso preocupado, doído de emoção com seus problemas é mais do que se pode sonhar por uma sessão de cinema ou pela vida afora. A vida é insatisfatória quando esperamos muito de quem não tem nada para dar ou o que gostaríamos de ter de alguém que não quer dar. É verdade...então podemos sonhar com outras vidas, ou outros melhores tempos...fugir para longe de quem nos arranha as mãos quando acariciamos e finca espinhos danosos nos dedos que estendemos para tocar. A vida é chuva bem vinda, um leve manto de prata, taça confortante de vinho e música contagiante quando recebemos tudo, absolutamente tudo de que precisamos com um leve roçar de mão. E então é petala macia, suave e aveludada que perfuma e entontece. Não é mais insatisfatória.Devo dizer que embora meu guia conheça não somente Paris como muitos outros lugares com os quais jamais sonhei, eu mesma não conheço Paris. Mais je sais qu'un jour à Paris C'est moi qui lui servirai de guide. (que me perdoe Gilbert Becaud e sua Nathalie. E a vida será satisfatória aqui ou em Paris, apesar da mesquinhez.

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