Parcerias entre Brasil e China em energia e transporte

Por Amaro Pereira e Renato Queiroz, do Blog Infopetro

A China apresentou na última década (2000-2010) um crescimento econômico muito expressivo, passando de 10% ao ano, segundo dados do Banco Mundial. O país, dessa maneira, consolidou-se não somente como uma potência asiática, mas também como um dos principais atores econômicos mundiais.

Tal evolução vem demandando expressivos investimentos, com destaque para a área de infraestrutura com a construção de rodovias, ferrovias, aeroportos e centrais de geração de energia elétrica, tal como a hidrelétrica de Três Gargantas, a maior do mundo, com 18 GW de capacidade. O Brasil, como grande exportador de produtos básicos, como minérios, e semimanufaturados, se beneficiou tanto do desempenho da economia chinesa que se tornou o seu principal  parceiro comercial, superando os EUA.

No entanto,  na última década, o crescimento econômico brasileiro foi bem mais modesto do que o da China, de 3,6% ao ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.  Alguns autores argumentam que os dois países tiveram estágios de grande desenvolvimento econômico em épocas diferentes. Afinal o milagre econômico brasileiro já ocorreu na década de 70.

Deve-se assinalar que o desenvolvimento chinês é suportado principalmente pelos setores de ciência e tecnologia. Os maciços investimentos em educação, principalmente tecnológica, são considerados por especialistas a razão do destaque dos chineses na produção de bens de alta tecnologia, influenciando fortemente as altas taxas de crescimento do PIB. Cabe a ressalva de que esse crescimento foi possível, também, devido a uma combinação de fatores tais como: a evolução da produtividade industrial, o câmbio desvalorizado em relação ao dólar, inovação, financiamento estatal acessível e a forte presença do Estado na economia, conforme destaca Corrêa (2012).

Cumpre ainda destacar que o Brasil também foi favorecido pela alta dos preços das commodities, o que contribuiu para que se tornasse em 2011 a 6ª economia do mundo. Mas o governo brasileiro se deu conta de que, para continuar se beneficiando dos avanços do crescimento chinês, deve intensificar as parcerias tecnológicas, buscando, assim, novas  oportunidades de ampliações comerciais.

Nesse contexto recentemente foram assinados entre China e Brasil acordos no âmbito do Plano Decenal Brasil-China de Cooperação 2012-2021, abrangendo as áreas de tecnologia, inovação, infraestrutura, cooperação espacial, energia e transporte. Os governos ratificaram que a ênfase desse plano está diretamente ligada à inserção internacional adequada dos dois países na economia do conhecimento. No campo acadêmico há também ações pró-ativas na troca de experiências.[1]

Especulando sobre possíveis parcerias entre chineses e brasileiros nas áreas apontadas nesse Plano Decenal de Cooperação e selecionando, por exemplo, os setores de energia e de transportes, a princípio não se percebe muita similaridade entre a China e o Brasil. O primeiro tem uma matriz energética fortemente baseada em carvão mineral, enquanto a do Brasil é predominantemente renovável.

No caso do setor de transportes, ambos têm base rodoviária e apresentam, em grandes cidades, problemas de poluição atmosférica e de mobilidade urbana, porém apostam em tecnologias diferentes para minimizar as emissões. A China não dispõe de fontes para produção de biocombustíveis em larga escala e investe na expansão dos veículos elétricos para reduzir a dependência de petróleo.

Existem, entretanto, algumas complementaridades entre os referidos setores nos dois países que se apresentam como boas oportunidades para ampliação da relação comercial. De acordo com Yan & Crookes (2010), a China possui um potencial hidrelétrico estimado em 542 GW e tem o objetivo de construir 300 GW até 2020.  O Brasil, tendo construído várias centrais hidrelétricas, adquiriu vasta experiência em pesquisas que viabilizam a construção civil de grande porte e  em  estudos hidráulicos em modelos reduzidos, que garantem a segurança e eficiência dos projetos hidrelétricos.  A empresa Eletrobras-Furnas, por exemplo,  implantou  laboratórios de solos e de hidráulica experimental  e vem  prestando serviços para mais de 200 empreendimentos em vários países. Outro laboratório com tradição em serviços técnicos especializados em concreto e solos é o da  Cia Energética de São Paulo – CESP  instalado em Ilha Solteira/SP.

Por sua vez, o Brasil tem reservas de carvão mineral ainda a explorar, ou realizadas com tecnologias obsoletas, poluentes e de pouca eficiência. A mineração do carvão  concentra-se praticamente na região sul do país  e  as minas dessa região são responsáveis por cerca de 99 % das reservas brasileiras de carvão mineral.A China vem adotando uma abordagem sistemática com investimentos em P&D na implantação da  tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CCS) proveniente de usinas termelétricas (UTEs) a carvão mineral.

Ora, se o Brasil tem reconhecido know-how em hidrelétricas e a China tem o mesmo em relação às termelétricas a carvão mineral, o aprofundamento na cooperação nestas duas áreas é uma opção que conjuga interesses. Ressalte-se que a ANEEL, através de sua  Instrução normativa 500 de 17 de julho de 2012, poderá motivar um aumento no esforço exploratório para uma maior participação de usinas térmicas a carvão na  matriz energética brasileira[2].

No campo das energias renováveis a parceria entre os dois países pode render progressos importantes e acelerar o processo de aprendizado tecnológico. Embora a China seja um dos países que mais polui o planeta,  investe fortemente nas tecnologias de renováveis. A Agência Internacional de Energia (AIE) tem divulgado que os chineses crescerão em cerca de  40 %  a produção de energia renovável até 2017, focando em fazendas eólicas e parques solares. A própria AIE divulgou que dos 10 principais fabricantes mundiais de módulos fotovoltaicos 7 são chineses. E ainda a China tem fabricantes que já se colocam nas primeiras posições no ranking mundial de equipamentos eólicos.

No caso do setor de transportes, conforme citado acima, há similaridades nos problemas nos dois países mas buscam soluções diferentes (carro elétrico versus o carro movido a biocombustíveis), visando dispor suas matrizes de transporte com tecnologias mais sustentáveis. Uma possibilidade seria o estabelecimento de uma linha de pesquisa em parceria que atendesse às necessidades de ambos. Um exemplo seria o desenvolvimento de um veículo híbrido que tivesse um motor de combustão interna que funcionasse como um carro flex. Ou seja, um veículo equipado com motor a combustão a etanol e gasolina e energia elétrica alimentada por baterias adicionais.(...) O texto continua no Blog Infopetro.

Exibições: 61

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2022   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço