Por Marcos Dionisio Medeiros Caldas

A Polícia Civil e servidores do ITEP fizeram uma justa greve por um bocado de dias e não conseguiram as melhores condições de trabalho que buscavam.

Aliás, uma polícia que já investigava pouco, pela desgovernança que reina no estado, está condenada à falência, multiplicando assim, a imensa tsunami de impunidade e de violência em curso no RN. Uma polícia sem estrutura, sem controle, sem metas e sem qualquer aferição do seu trabalho.

O acordo para viabilizar negociações para as demandas apresentadas foi mais uma vez desmoralizado pelo Governo do Estado: continua a manutenção de presos em depósitos de seres humanos nas celas de Delegacias em Mossoró, Santa Cruz, Canguaretama e Areia Branca; não houve a convocação de 20 novos policiais formados já no mês de Outubro e os representantes do Governo (Planejamento, Administração e outros atores) mandam os servidores da recepção das suas respectivas pastas dizer ao sindicato de que nada sabem de reunião aprazada com a concordância e anuência deles que seriam os anfitriões em nome da Nau da insensatez.

Esta semana o teto da DEPREMA veio ao chão e os servidores trabalham agora, em meio às obras, usando máscaras.

Pontuo estas coisas, porque agora virou hábito dos setores do andar de cima da sociedade, criminalizar ou apoiar quem quer amordaçar os que vão à luta. Acham-se coerentes e no direito de sonharem (e já irão materializar) seus auxílios moradias ou de paletós para suas funções, para os outros segmentos que vão à luta, reservam as prescrições frias e "imparciais" da lei e suas decisões fortes contra os fracos e pusilanimidade frente aos ocasionalmente fortes...

Os poderes do andar de cima, tão fortes, firmes e perfeitos em procurar punir os movimentos sociais e populares, assistem ao Estado se esfacelar como assistiram a gestão municipal de Natal destruir nossa capital entre 2009 e 2012 e só conseguiram afastar a prefeita quase na hora do árbitro mandar levantar a placa dos acréscimos.

Micarla, Rosalba são tragédias administrativas com mesmos padrinhos, mantenedores, aliados e traíras de ocasião, o povo que padece é o mesmo, as instituições que deveriam fiscalizar e controlar também são as mesmas. Infelizmente, boa parte do tempo dessas instituições, tristemente, está sendo gasto agora tratando de surf, o esporte mesmo, ou figurativamente entrando-se num "tubo" que o leve a descer docemente na onda em busca de auxílios paletós e/ou de moradia como se fossem hordas de sem teto e descamisados...

A outra parte está em casa, de consciência limpa, aplicando os dividendos da legal, mas imoral e radioativa PAE.

Por isso se destruiu o Machadão, por isso se faz o Arena das Dunas numa PPP onde os custos recaem para o estado e o lucro para a OAS, por isso que nada é feito para evitar que Rosalba torre 230 milhões em 3,6Km na Avenida Roberto Freire, agredindo ao meio-ambiente, ao bom senso, ao comércio e a história da nossa cidade, como se tudo isso fosse legal, normal e natural.

Escrevi tudo isso pra dizer que não será por intransigência dos movimentos sindicais, sociais e populares que novas greves e lutas deverão aflorar na terra de Poti e que, no seu centenário, Vinicius de Moraes, o poetinha, jamais iria imaginar que sua Rosa de Hiroshima, musicada magistralmente por Grerson Konrad, iria ser a mais doce trilha sonora de uma greve de policiais civis e que encantou até um déspota nem tão esclarecido, assessor do Governo que, a despeito de suas posições lambe-botas, confessou-me, num rasgo de sinceridade, ter ficado hipnotizado pela magia da poesia de Vinícius, da voz de Ney Matogrosso, da melodia e das palavras de ordem e até na tragédia de como a música tão linda e crua, se acopla aos tempos vividos no RN “derna” 2011.

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CITAÇÃO:

*Verso de Rosa de Hiroshima, poema de Vinícius de Moraes musicado por Gerson Conrad, então, membro do grupo Secos e Molhados.

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SOBRE O AUTOR:

Marcos Dionísio Medeiros Caldas, advogado e militante dos Direitos Humanos, Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos/RN e do Comitê Popular da Copa – Natal 2014, com efetiva participação em uma infinidade de grupos promotores dos direitos fundamentais, além de ser mediador em situações de conflito entre polícia e criminosos e em situações de crise de uma forma geral.

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