Pesquisas investem em etanol de 2º geração

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


A busca do resíduo ideal para o etanol de segunda geração motivou uma parceria entre o Brasil, Chile, Uruguai, Argentina, Bolívia, Paraguai e a União Européia, que está financiando a iniciativa. O objetivo é criar um banco de dados onde cada país deverá catalogar os resíduos que produzem em escala e sua comprovada viabilidade para a produção de etanol de segunda geração. Da lista de matérias primas serão selecionadas as que apresentam as melhores características para testar o processo de extrusão, que pode ser uma alternativa para melhorar a produtividade. A Embrapa Agroenergia, braço da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, participa do ação.

A extrusão, de acordo com o chefe de pesquisa da Embrapa Agroenergia, Esdras Sundfeld, consiste na combinação de processos mecânicos e temperatura, que liquefaz a substância sólida. O procedimento já é aplicado na cadeia de alimentos e, espera-se ver se o método dá bons resultados com o material lignocelulósico (resíduos agroindustriais e fibras vegetais).

Os testes serão realizados na França, com previsão para serem concluídos dentro de quatro anos. A catalogação das matérias primas já está em andamento e, entre os meses de outubro e novembro, será realizado um worksohop para avaliar o trabalho já realizado. Também será discutido qual método físico-químico poderá ser aplicado para a produção do biocombustível de forma equânime, já que uma diferente gama de resíduos deverá ser apresentada pelos países envolvidos.

O Brasil ainda não definiu quais resíduos vai incluir no projeto, mas Sundfeld aposta na inclusão do bagaço da cana. Não há garantias da aplicação da extrusão para todos os resíduos, até mesmo pela grande variedade que deverá ser avaliada. No Chile, por exemplo, há madeira e resíduos de poda, já na Argentina, há grande quantidade de resíduos de milho e trigo.

Pesquisas


Há várias pesquisas sobre o etanol de segunda geração no Brasil e no mundo. A Embrapa estuda, basicamente, as matérias primas disponíveis em busca de melhores resultados. Em mais de 40 centros de pesquisas espalhados pelo país, a instituição concentra seus estudos basicamente em quatro vertentes:

- matérias primas – com maior produtividade e que sejam compatíveis com a hidrólise;

- micro organismos que produzem enzimas – mais eficientes e que não resultem em resíduos poluentes;

- micro organismos que fermentam açúcares – capazes de fermentar grandes quantidades de açúcares;

- Produção em escala - somatização das fazes em modelos produtivos que apontem a viabilidade comercial.

Sundfeld ressalta, no entanto, que é necessário encontrar um método que demande pouca energia e seja economicamente viável, o que não é tarefa fácil. Ele conta que os EUA estão trabalhando há um tempo razoável no etanol de segunda geração, e embora tenha avançado no tema, ainda não encontrou uma forma viável de produção. Existem vários consórcios trabalhando com pesquisas sobre este biocombustível.

Todas as pesquisas que envolvem os biocombustíveis, de uma forma geral, devem levar em conta a economicidade, o balanço energético (não consumir mais energia do que produz), sustentabilidade (resgate de CO² e não geração de resíduos), comenta Sundfeld.

A Embrapa também tem pesquisas para caracterizar a parede celular da cana de açúcar. O método consiste no fracionamento da parede celular de cana de açúcar baseado no perfil de monossacarídeos neutros e na identificação de genes chave, envolvidos na modificação da parede.

O intuito é compreender melhor a composição e a estrutura da parede celular, para manipulá-la de maneira específica e aumentar a produção de etanol de segunda geração. De acordo com Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia, o trabalho é inovador, pois a abordagem relaciona a modificação da parede celular ao processo de envelhecimento natural das plantas. Durante seu ciclo de vida, a planta passa por modificações estruturais e bioquímicas.

O órgão também vai iniciar um estudo genético de 16 enzimas pré-selecionadas, relacionadas com a síntese e degradação da parede celular. Desta forma, será possível selecionar enzimas alvo para a manipulação genética da cana de açúcar em um futuro próximo. Os trabalhos estão em andamento no Laboratório de Genética Molecular da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com o Instituto de Botânica da Universidade de São Paulo - USP.

Segunda geração

O etanol comum, vendido nos postos de combustíveis, é resultante da extração do líquido da cana, por esmagamento. A sacarose obtida passa por processos de fermentação com leveduras e destilação, resultando no álcool, conforme explica um dos coordenadores do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen) e professor do Instituto de Biociências da USP, Marcos Buckeridgem. O bagaço gerado é queimado para a geração de energia, a cogeração. O Brasil tem o melhor desempenho desse processo no mundo, as usinas chegam a produzir 40% mais do que consomem.

Na segunda geração, o bagaço - substâncias com várias finalidades - é novamente utilizado para a geração de álcool antes de sua queima para a geração de eletricidade.

O Brasil é o maior produtor mundial da cana, com área plantada de aproximadamente 9,4 milhões/ha, de acordo com a Embrapa com base em dados do MAPA/Conab da safra 2008/2009. O país é líder mundial no mercado do etanol e, com o avanço das pesquisas com o etanol de segunda geração, a perspectiva é manter esse patamar.

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