Petróleo põe Amazônia peruana em risco

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


A exploração de petróleo na região da Amazônia peruana deve ser vista com cautela. Nos últimos anos, a atividade acelerou o número de concessões em áreas de delicada questão ambiental ou indígena, e levanta dúvidas sobre a sustentabilidade dos processo. O alerta vem de estudo realizado pela Universidade Autônoma de Barcelona.


De acordo com o levantamento “A second hydrocarbon boom threatens the Peruvian Amazon: trends, projections, and policy implications”, as análises apontam para um crescimento acelerado no número de áreas de exploração de petróleo e gás, que ameaçam a região, as populações indígenas e áreas de deserto.


Além disso, cerca de 60% das propostas de terras indígenas foram afetadas por concessões de hidrocarbonetos no ano passado. Ainda, segundo o texto, cerca da metade de todas as áreas indígenas estabelecidas legalmente na área amazônica do Peru possui concessões de exploração.


Os pesquisadores avaliaram informações oficiais de hidrocarbonetos do governo peruano, somando dados históricos e atuais de atividade exploratória na região e as projeções. Hoje, são 104 mil quilômetros de linhas sísmicas e 679 poços exploratórios e de produção.


Um dos dados preocupantes do estudo é o percentual de 48,6% de terras amazônicas que foram alvo de concessões para atividade exploratória. Essas extensão equivale a 17,1% das áreas protegidas, seja por questões ambientais ou indígenas.


Além disso, verificou-se que até 72% da Amazônia peruana foi zoneada para atividades de hidrocarbonetos (concessões mais acordos de avaliação técnica e proposta de concessões) nos últimos dois anos, e mais de 84% durante os últimos 40 anos.


Discussões


O texto defende um aprofundamento dos debates sobre a exploração de petróleo na área para que não ocorram os mesmos impactos ambientais e sociais ocasionados à época do boom da atividade exploratória, em 1970. Com uma nova agenda ambiental, a discussão deve ser voltada para quais tipos de impactos são aceitáveis nos dias de hoje e o que pode ser feito para amenizá-los.


Um dos exemplos citados no estudo é a negativa do Equador em explorar suas áreas amazônicas a fim de evitar esses impactos, buscando alternativas para compensar a perda financeira acarretada pela não extração de petróleo nesses três campos.


“Projetamos que a recente proliferação rápida das zonas de hidrocarbonetos levará a um boom de exploração, caracterizada por mais de 20.000 km de testes sísmicos novos e construção de mais 180 novos poços exploratórios em áreas remotas da floresta. À medida que a fronteira peruana de petróleo da Amazônia se expande rapidamente, podemos concluir que um debate rigoroso é urgentemente necessário, a fim de evitar maiores impactos ambientais e minimizar o conflito social que recentemente levou a encontros fatais entre indígenas manifestantes e as forças do governo”, ressalta os pesquisadores no documento.


Acesse aqui o estudo na íntegra

Exibições: 161

Comentar

Você precisa ser um membro de Portal Luis Nassif para adicionar comentários!

Entrar em Portal Luis Nassif

Publicidade

© 2022   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço