As pessoas me perguntam com frequência,


"Por que você escreve em uma língua moribunda?"


Quero explicá-lo em poucas palavras.
Primeiramente, gosto de escrever histórias de fantasmas e nada se encaixa melhor num fantasma do que uma língua morta. Quanto mais morta é a língua, mais vivo é o fantasma. Fantasmas amam o iídiche e, até onde eu saiba, todos o dominam.
Em segundo lugar, não apenas creio em fantasmas como também creio na ressurreição. Estou certo de que, quando o Messias regressar, milhões de cadáveres fluentes em iídiche se levantarão de seus túmulos e a primeira pergunta que farão será: "Há algum novo livro em iídiche para ler?" Para eles, o iídiche não será uma língua morta.
Terceiro: por 2000 anos o hebraico foi considerado uma língua morta. Subitamente, ele se tornou estranhamente vivo. O que aconteceu ao hebraico pode também ocorrer ao iídiche um dia (embora eu não tenha a mínima ideia de como isso poderia se passar).
Há ainda uma quarta razão secundária para não renunciar ao iídiche e esta é: o iídiche pode ser uma língua moribunda mas é a única que eu conheço bem. O iídiche é minha língua materna e uma mãe nunca está realmente morta. VÍDEO

Trecho do discurso pronunciado por Isaac Singer, Nobel de Literatura de 1978, no banquete de gala do Prêmio Nobel em Estocolmo, Suécia. Traduzido por Yuri Vieira – Digestivo Cultural.

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