QUE TAL A MARCHA CONTRA OS CALOTEIROS? (Altamiro Borges)

 

Fonte:

BLOG DO SARAIVA

 

Quarta-feira, 14 de setembro de 2011.


Que tal a marcha contra os caloteiros?

Por Altamiro Borges

A mídia demotucana está animadíssima com as “marchas contra a  corrupção”. Não pára de falar nisto. Editoriais da Folha, Estadão e O  Globo clamam por novas manifestações de rua contra os “malfeitos” no  governo. Exigem que a presidenta Dilma Rousseff intensifique a “faxina”  no Palácio do Planalto, que imploda de vez a base governista.

Seus principais articulistas viraram agitadores de massa, como se dizia  antigamente. Até Carlos Heitor Cony, que apoiou o golpe de 64 e depois  foi perseguido pelos éticos golpistas, resolveu engrossar o coro. A  tucaninha Eliane Cantanhêde retornou das férias com toda a carga e até  sugere incorporar uma nova bandeira – contra os impostos.

Uma das piores pragas da corrupção

Aproveitando este espírito rebelde da velha mídia, faço outra sugestão. A  primeira foi a que ela convocasse marchas contra os escravocratas –  contra a Zara e os ruralistas, que gastam fortunas em publicidade. Agora  sugiro a marcha, repleta de madames e ricaços, contra os empresários  caloteiros – uma das piores pragas da corrupção no Brasil.

Segundo recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), entre  2008 e 2010, os órgãos públicos multaram 734 mil empresas, no montante  de R$ 24 bilhões, mas apenas R$ 1,1 bilhão, ou 4,67% do total, foi  recolhido aos cofres da União. Os ricaços contestam as multas na Justiça  e enrolam para pagar suas dívidas. São autênticos caloteiros!

Ruralistas são os campeões

Entre os mais descarados estão os velhos latifundiários, muitos  travestidos de modernos barões do agronegócio. Só o Instituto Brasileiro  do Meio Ambiente (Ibama) já aplicou 71 mil multas, no valor de R$ 10,5  bilhões, mas recebeu apenas 0,34%. Eles exploram trabalho escravo, usam  jagunços, destroem o meio ambiente e ainda dão calote!

O relatório do TCU, que não ganhou qualquer destaque no Jornal Nacional  da ética TV Globo, também inclui bancos, faculdades privadas e  operadoras de cartão de crédito, entre outras corporações empresariais.  Depois dos ruralistas, os casos mais escandalosos de multas aplicadas e  não recolhidas são as das concessionárias de serviços públicos.

Ricos não são presos no Brasil

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aplicou 17,5 mil multas  no valor de R$ 5,8 bilhões, mas recebeu apenas 4,28% do total. Já a  Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) impôs 926 multas, no  montante de R$ 900 milhões, dos quais apenas 11,17% foram pagos. Além de  oferecer péssimos serviços, elas não pagam o que devem! Na maioria  multinacionais, ainda exigem redução de impostos.

Este quadro lamentável confirma que no Brasil só o ladrão de galinhas  vai preso. Os empresários multados têm prazo de cinco anos para recorrer  ao Judiciário. “Os processos são lentos e a aplicação da multa é  passível de recurso, e os casos que vão parar na Justiça podem demorar  até 10 anos", critica o advogado Anderson Albuquerque.

A mídia udenista topa?

O uso interminável de recursos à Justiça para protelar o pagamento das  multas contrasta com os prejuízos impostos ao consumidor. No setor  elétrico, a falta de manutenção das redes ou de investimentos na  manutenção dos velhos equipamentos é uma das principais causas dos  apagões em São Paulo e da explosão de bueiros no Rio de Janeiro.

Alguns destes caloteiros até devem ter apoiado as “marchas contra a  corrupção” no 7 de setembro, ou levado seus filhinhos em carros  importados. Eles detestam a corrupção... dos outros. Odeiam o inchaço do  poder público, com seus órgãos de fiscalização que pentelham suas  vidas. Exigem menos Estado, menos fiscalização e menos impostos!

Que tal a mídia demotucana, tão empolgada com as recentes marchas,  convocar uma contra os caloteiros? Afinal, o rombo nos cofres públicos,  segundo o TCU, foi de R$ 23 bilhões. Se topar essa sugestão, a mídia  mostrará que não é oportunista, que seu moralismo não é falso. O risco é  perder os anúncios das empresas caloteiras. Será que ela topa?

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Leia mais:

- O Grito, a "marcha" e a mídia seletiva

- Arias não se indignou com a Zara

- Que tal a marcha contra os escravocratas?

 

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Comentário de Ariston Álvares Cardoso em 18 setembro 2011 às 0:33
Enquanto não for feita uma faxina de cima para baixo à iniciar pelo meio que é o Judiciário, uma vez que é muito mais difícil e quase sem perspectiva de vitória iniciar pela cabeça que é o Congresso Nacional, o Brasil não sairá da condição de país ingovernável, pois é sabido que se o Judiciário contar com homens sérios e ilibados dispostos a cumprir a Constituição brasileira no combate à corrupção em todos os Poderes da República e fora deles, o nosso país não sairá dessa situação em que se encontra e que mantém favorecidos os assaltantes de cofres públicos que amparam o crime organizado. A presidenta Dilma deverá contar com o apoio da população brasileira para tirar  o país desta desgraçada situação e deverá ser reeleita para evitar solução de continuidade em seu Governo, pois qualquer que seja o próximo presidente da República(inclusive Lula) que não ela Dilma, teremos sem dúvida um grande retrocesso nessa luta já iniciada. Prestemos atenção nas medidas presidenciais principalmente na troca de Ministros e no que falou o mais novo Ministro com relação ao mensalão, embora envolto em intrigas da oposição que é uma merda para o Brasil e confiemos no futuro do país.

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