Regulação ambiental: um entrave para a extração do gás de xisto?

Por Edmar de Almeida e Luiz Soarez(*), do Blog Infopetro

O shale gas ou gás de xisto é um tipo de gás natural não convencional que se encontra em formações sedimentares de baixa permeabilidade. Diferentemente do gás convencional, que migra das rochas onde foi formado para rochas reservatórios, este gás não convencional fica aprisionado, pois a baixa permeabilidade dificulta o seu escape. Esta característica inviabilizou por muito tempo a extração deste tipo de gás, visto que não havia tecnologias capazes de promover a retirada do mesmo de dentro das formações de xisto.

Com a perfuração horizontal dos poços e o advento do fraturamento hidráulico este paradigma foi superado. Este processo consiste em bombear, sob alta pressão, um composto de água e areia junto com outros produtos químicos no poço a fim de fraturar as formações de xisto através de fendas abertas inicialmente por um instrumento conhecido com “perforating gun”, permitindo a liberação do gás das formações sedimentares para o poço.

Esta técnica foi responsável por aumentar enormemente os recursos mundiais de gás natural recuperáveis. Nos EUA, por exemplo, dos 71 trilhões de metros cúbicos de reservas totais recuperáveis, 24 trilhões são referentes às reservas de gás de xisto, segundo a Agência internacional de energia (IEA). A mudança de cenário foi tal que os EUA passaram de importadores de GNL para potenciais exportadores de gás natural.

Com a constatação de que era possível extrair gás das formações de xisto, o gás natural que já figurava como um combustível de transição para fontes energéticas mais limpas teve esse papel reafirmado. Mas como nem tudo é um mar de flores, esta nova oportunidade de obtenção de gás natural veio acompanhada de algumas questões sobre os impactos negativos que o fraturamento hidráulico pode causar sobre o meio ambiente. As maiores preocupações são a grande quantidade de água utilizada em todo processo, e a possível contaminação do lençol freático pelo próprio gás e pelos produtos químicos que estão presentes na água utilizada na atividade. Por fim, há ainda a preocupação com o vazamento e a emissão de metano oriundo da exploração dos poços.

O documentário “Gasland”, do produtor Josh Fox, ilustra bem as questões levantadas pelos grupos ambientalistas que pressionam as autoridades contra as atividades de fraturamento hidráulico. No documentário o próprio Fox viaja por alguns estados americanos entrevistando proprietários que alugaram suas terras para companhias de extração de gás de xisto. Os relatos mais comuns desses proprietários são contaminações nas águas que utilizam para beber, principalmente por benzeno, ocorrência de combustão da água que sai das torneiras, além de problemas de saúde decorrentes dos impactos causados pelo fraturamento.

Mesmo com as inúmeras denúncias de impactos ambientais, as companhias de extração alegam que nunca houve um caso comprovado de contaminação da água pelas atividades de fraturamento hidráulico. Apesar da negação das empresas, alguns estados americanos e países europeus se mostram reticentes quanto ao desenvolvimento da extração de gás de xisto por conta das questões ambientais. A França, que detém juntamente com a Polônia a maior reserva de gás não convencional da Europa, depois de promover no inicio do ano a concessão de licenças para exploração de gás de xisto sem consulta pública, proibiu no final de junho o fraturamento hidráulico em todo o país. Segundo analistas esta decisão foi tomada por conta da posição contrária da opinião pública ao fraturamento, tendo em vista a proximidade das eleições para o parlamento e para a presidência. A Alemanha, através do Escritório Federal para o Meio Ambiente, também vem buscando impedir a exploração do gás de xisto, mas não através do banimento e sim de alterações na legislação que tornem as explorações não rentáveis.

Na contramão desses países, na América do sul, a Argentina, e na Europa, Polônia e Bulgária mostram-se muito favoráveis ao desenvolvimento do gás de xisto. Na Argentina, onde está localizada a terceira maior reserva mundial de gás de xisto, o desenvolvimento da extração vem sendo capitaneado pela YPF, empresa pertencente à espanhola Repsol. A YPF já começou a trabalhar na perfuração de um poço na província de Neuquen, o que fará da Argentina o primeiro país da América do Sul a extrair gás de xisto. Na Polônia, diversas licenças foram concedidas a empresas para perfurações de testes das áreas, essas licenças já abrangem quase toda região onde essa formação sedimentar está localizada. Assim como os poloneses, os búlgaros também estão entusiasmados com o desenvolvimento deste novo recurso, e uma das razões parece ser a mesma, a independência em relação ao gás russo.

Apesar das concessões à exploração em alguns países, em geral, a opinião pública européia, que se caracteriza por ter uma preocupação maior com o meio ambiente do que a população americana, se mostra contrária ao fraturamento hidráulico por conta da possível contaminação dos lençóis freáticos e pelo volume expressivo de água utilizado. (...) o texto continua no Blog Infopetro.

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