Relato de Lena Rios sobre o poeta Torquato Neto

Ao escrever os últimos momentos que vivi ao lado de Torquato Neto antes que ele cometesse suicídio, foi como se eu fizesse uma viagem no túnel do tempo, voltei ao passado e 40 anos depois senti uma emoção tão forte que a pressão subiu, arritmia cardíaca acelerou e passei mal.

Estava quase concluindo o meu relato que não existe em nenhum Site deste país, nem mesmo em todos os existentes no Google, em que alguns não coincidem com o que realmente aconteceu, mas vamos contribuir, publicando segunda-feira (12/11) levando para o Google, o Site mais informado do mundo, o que realmente aconteceu no ultimo dia de vida do piauiense Torquato Neto que foi um jornalista combatente e atuante. O “cobrador” da cultura de sua época. Antenado com o mundo, não deixava passar nada: cobrava, instigava, opinava, mostrava. Em sua coluna diária Geléia Geral, no Jornal Ultima Hora-Rio, articulava acerca de cinema (sua grande paixão), música, teatro, concretistas de São Paulo, jornais esquerdistas, poesia marginal. Privava da amizade íntima de vanguardistas como Ivan Cardoso (interpretou Nosferatu no super-8 do Ivan), Luiz Otávio Pimentel (cineasta), Hélio Oiticica (artista plástico), Wally Salomão (poeta). Participou de vários filmes super-8 aqui em Teresina, dentre os quais O Terror da Vermelha e Adão e Eva do Paraíso ao Consumo. Abriu fogo contra o Cinema Novo e apoiou a marginalidade dos experimentalistas como Júlio Bressane e Rogério Sganzerla, entre outros que representavam o lado urbano e universalista do cinema brasileiro.     

Vamos dar o link do Blog de Luis Nassif onde ele relata a verdade dos fatos. Este sim, eu assino embaixo. Torquato Neto foi considerado pelos maiores críticos da época como Ronaldo Boscoli e J. R. Tinhorão, o melhor letrista do movimento tropicalista. Por enquanto vou publicar um dos poemas que ele publicou no Jornal Ultimo Hora, do Rio, me surpreendendo e depois também no livro “Os últimos dias de Paupéria”, organizado por Wally Salomão (meu grande amigo e compositor que também foi para o plano espiritual) e Ana Maria Silva de Araújo Duarte (mulher de Torquato) publicado postumamente, um apanhado de tudo que ele publicou na sua polémica coluna Geléia Geral. Torquato estava preparando um livro que devia chamar-se “Do lado de dentro” quando infelizmente se suicidou.     

Cantiga Piauiense Para Lena Rios 
Torquato Neto

Sempre andei por um caminho
Que não conhecia bem;
Sequer me lembro se vinha
Sozinha, ou se com alguém
E nem sei se aqui chegada
Faço morada, me aquieto
Pois é certo que procuro
Algo que deve nadar perto:
Mas o que vejo é incerto
E o que consigo não dura.
(Eu sempre quis outra vida
Eu sempre quis ser feliz,
Por isso naquele tempo
Fiz minha mala e parti)
Sempre andei por um caminho
Que não sabia direito;
Do que perdi na viagem
Já me esqueci por completo
Não guardei nada e o que trouxe
Eram apenas utensílios
De fácil desprendimento:
Dois filhos que nunca tive
Um velho anel de família
E uma saudade no peito.
(Eu sempre quis outra vida
Eu sempre quis ser feliz:
Dos dois filhos, da saudade
Sempre andei por um caminho
Que não tem ponto final
E a paisagem que eu via
Era toda e sempre igual:
Depois da noite outro dia
Com suas mesmas desgraças,
Mas também algumas casas
Com jantar posto na mesa.
Agora:
Eu Sempre Quis Ser Contente
e Pode Ser Que Eu Seja.

Duas de suas frases que marcaram até hoje  em todos os segmentos: “Só quero saber do que pode dar certo” e “Louvando o que bem merece e  deixando o ruim de lado”

Foto: Arnaldo Albuquerque

Fonte: Lena Rios - teresinadiario.com

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