por Helô

Tem atualização

Mas agora já acreditamos que seu nome era Ascendina dos Santos. Pesquisador sofre! Haha. Foi tão simples descobrir esse nome como encontrar uma agulha no palheiro, mas as lentes investigativas da equipe do Teatro de Revista não descansam. Sabíamos por fonte segura, o Dicionário Cravo Albin, o principal: Rosa Negra havia trabalhado em "Pirão de Areia", Revista de Marques Porto, em 1926. A partir daí, pesquisei algumas revistas que circulavam no Rio de Janeiro na década de 20. Encontrei artigos em "O Malho" e na revista "Para Todos".

Primeiro, encontrei uma foto do elenco principal de Pirão de Areia.
Nada de Rosa Negra.



Depois, o elenco detalhado (com bela foto ilustrativa de Margarida Max na Revista "As Encantadoras", não em Pirão de Areia).



Na página seguinte, também com imagens ilustrativas de uma bailarina que nada tem a ver com Pirão de Areia, no finalzinho do elenco seu nome aparece: "Ascendina"!
Viva!!! Mas ainda não temos foto e também me parece que era o nome da personagem.



Em um documento* sobre Pixinguinha, tudo nos leva a crer que Ascendina dos Santos era mesmo Rosa Negra.

Independentemente das leituras e reações que suscitava, o fato é que o negro conquistara um novo espaço nos palcos brasileiros, especialmente no Rio de Janeiro – e, certamente, por influência européia. Prova disso foi a contratação de um “corpo de coristas de cor” (as chamadas “dark-girls”)53 pela Companhia de Revistas do teatro São José (uma das mais populares da época), poucos meses após o “estouro” de Josephine Baker em Paris. Também data dessa época a ascensão da “estrela negra” Ascendina dos Santos, grande sucesso dos palcos cariocas em 1926. Sem falar na proliferação das jazz bands, que continuavam em pleno sucesso – contrariando, assim, o prognóstico da Revista Musical.

*Ainda não pesquisei sobre o documento em questão. Pelo endereço, pode ser parte de uma dissertação da Universidade Federal de Santa Catarina.


Avançamos mais um pouco, mas continuamos querendo uma foto de "Rosa Negra". Quem primeiro encontrar ganha um brinde surpresa da equipe do Teatro de Revista, haha. Vamos lá, pessoal!

"Elementar, meu caro Watson"


Fonte: Revista Para Todos (Rio de Janeiro, 1926)


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Atualização I (01/06/2009)

Após a descoberta do nome Ascendina na revista "Para Todos", novos parâmetros foram adicionados à pesquisa.

Nirlene Nepomuceno (PUC-SP, 2006), em sua dissertação "Testemunho de Poéticas Negras: De Chocolat e a Companhia Negra de Revistas no Rio de Janeiro (1926-1927)", diz o seguinte:

Páginas 118 e 119, Capítulo 3 - Racismo, fascínio e temor entre o dito e o interdito na imprensa carioca.

(...) Os registros iniciais da imprensa sobre a organização da companhia teatral formada unicamente por pretos e mulatos datam do início de 1926 o mesclam ceticismo, perplexidade, entusiasmo e preconceito.
O Malho optou por noticiar a formação do grupo, em fevereiro daquele ano, na forma de um fictício (e de mau gosto) classificado de "procura-se".

Precisa-se de negros e negras para a organização teatral de uma companhia teatral destinada a enfeitiçar o Rialto. Devem ser absolutamente retintos e não muito horrendos, idade entre 16 e 40 anos, sabendo ler, escrever e dançar. Procurar Sr. Mário Nunes, no "Jornal do Brasil". 257

257 O Malho de 27-02-1926. A revista, em várias outras ocasiões, lançou mão de entrevistas fictícais para satirizar a Companhia Negra de Revistas, De Chocolat e outros artistas Negros, como a atriz Ascendina Santos.


No capítulo 4, página 136, A crise de domésticas versus Companhia Negra de Revistas, Nirlene cita novamente a atriz.



Há outras citações da atriz no documento que disponibilizamos para download. As dúvidas sobre o verdadeiro nome de Rosa Negra continuam. A coincidência do nome da personagem em "Pirão de Areia" é curiosa, mas ao mesmo tempo não encontramos ainda nenhuma afirmativa de que seu nome era mesmo Ascendina.

Testemunho de Poéticas Negras.pdf

O que acham os amigos?


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Atualização II (01/06/2009)

"Repare nessa foto de grupo já publicada na Página. O detalhe eu destaquei. A foto é de 1927, ano de sucesso da Rosa Negra. Só os mais destacados são identificados na legenda. Mas há apenas uma negra no grupo, segurando o estandarte com o nome da peça. Pode ser ela." (Henrique)


Artigo de Jeferson Bacelar sobre a Companhia Negra de Revistas:

Companhia Negra de Revista.doc


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Atualização III (18/06/2010)


Leia nosso post publicado em setembro/2009, clicando aqui. Nele esclarecemos que Ascendina e Rosa Negra eram atrizes diferentes.

Exibições: 1461

Comentário de Cafu em 1 junho 2009 às 1:13
Ipi ipi ipi Hurra! Bravo, Helô! Demaiiiiis! Este material das Revistas "Para Todos" e "O Malho" vai nos manter ocupados por muito tempo. Bela descoberta, minha garimpeira 5 estrelas!

Mas repare bem: pelo que eu entendi, Ascendina é o nome da personagem que a Rosa Negra representa na peça Pirão de Areia, e não o nome verdadeiro dela. Saber o que não é, também, é importantíssimo!

Nossa! Fechamos a semana com chave de ouro! Amanhã tem mais. VALEU!

Beijos.
Comentário de Teatro de Revista em 1 junho 2009 às 1:31
Pois é, Cafu (olha eu aqui de novo)
Acabei de alterar um pouco o texto. Fui ver novamente e percebi que o primeiro nome era da personagem. Mas e o documento sobre Pixinguinha citando Ascendina como a estrela negra? Mais um mistério! kkkkkkk. E convenhamos, o nome não é nada comum. Como ela já usava o pseudônimo "Rosa Negra", quem sabe não deixaram seu próprio nome como o da personagem? Virou questão de honra!
Beijos. Helô.
Comentário de Teatro de Revista em 1 junho 2009 às 2:04
kkkkkkkkkkkkkkk. Quer moleza, Dona Cafu? Foi a pesquisa mais complicada que já vi na minha vida. É quase uma loteria, hahaha. Pensa que já não tentei o Chocolate? E olha que pesquisei várias marcas... Nestle, Garoto, Lacta... Ufa!
Beijos.
Comentário de Cafu em 1 junho 2009 às 2:05
KKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Quer moleza é Dona Helô? A Rosa Negra nos promete dificuldades. Sabe uma boa pista para seguirmos o rastro? Ver se nas 2 revistas tem material sobre a peça do De Chocolat (mencionada no artigo da Laura) Tudo Preto encenada pela Companhia Negra de Teatro. Ela estreou em 1 de agosto de 1926 e ficou em cartaz no Teatro Rialto por 2 meses. Como foi um grande sucesso de público é bem possível que "Para Todos" e "O Malho" comentem algo sobre ela. Eu tentei procurar mas não entendi direito como funciona a busca no site. Tóin tóin tóin! é um sofrimento ser analfanética funcional. :-(

Olha a crítica feita por um jornal da época e publicada no artigo de Tiago Melo Gomes que menciono no post sobre Rosa Negra:

Apresentou-se ontem ao público a Companhia Negra organizada pelos
Srs. Jaime Silva e Chocolate. [...]
A troupe mostrou-se bem ensaiada, disciplinada. Com o timbre especial
da raça, há vozes interessantes; e os coros, com a orquestra ardorosamente
dirigida pelo Sr. Pixinguinha, são de agradável efeito.
Entre os artistas, distinguiram-se as Sras. Jandira Aimoré, Djanira Flora,
Dalva Espíndola, RosaNegra e a barbadianaMissMons—que se exibiu
numa curiosa dança africana, trajada de pele vermelha — e os Srs.Chocolat,
Mingote, Viana e Flores.
Tudo Preto tem lindos cenários de todas as cores e da lavra do Sr. Jaime
Silva.
A sala do Rialto estava absolutamente cheia, fazendo parte da assistência,
segundo nos informaram, parentes de todos os artistas—
João Luso.” (Jornal do Commercio, 01/08/1926)


Boa Noite, Miss Marple. Durma com os anjos e sonhe com rosas!
Beijo.
Comentário de Cafu em 1 junho 2009 às 2:23
Tá quente? Morno? Frio? Gelado? Pelando? Ainda não dá pra saber. A brincadeira continua... e nos divertiremos à beça.
"Ganhar ou perder, não sabemos. Torcer sempre podemos."
Comentário de Oscar Peixoto em 1 junho 2009 às 13:46
Estou boquiaberto e queixicaído!!!
abraços
Comentário de Teatro de Revista em 1 junho 2009 às 14:29
Helô e buscadores da Rosa,
O nome da Rosa Negra deve ser mesmo Ascendina dos Santos. Ela é mencionada pelo antropólogo da USP Jeferson Bacelar no artigo "A História da Companhia Negra de Revistas (1926-1927)", publicado em junho de 2007 na Revista de Antropologia da USP. Leiam o trecho:
"(...)A imprensa negra, por meio do Clarim da Alvorada, embora três semanas após a estréia, ressaltou que também no "teatro ligeiro" se concretizava "a crescente evolução do homem de cor". Em seguida, fala dos precursores, como Ascendina dos Santos, Eduardo das Neves e Patápio Silva, cuja obra de reconhecimento prosseguia com De Chocolat, Sebastião Cirino, os artistas da Companhia e outros inúmeros cantores e músicos consagrados.(...)"
A Rosa Negra era a atriz de maior destaque da Companhia Negra. O professor Bacelar deve ter colhido a informação pesquisando os jornais da época. O artigo é muito interessante e procura demonstrar que a curta vida da Companhia Negra pode ser explicada também por rejeições de fundo racista.
Helô, vou enviar o artigo por e-mail para você publicar.
Uma curiosidade. Acima do nome de Ascendina assinalado em vermelho por você há o registro: "1a. banhista Celinda Costa". Celinda Costa era a companheira do tio Agostinho. Não se casaram, mas viveram 14 anos juntos até 1934, quando ele morreu.
abraços
Henrique Marques Porto
Comentário de Teatro de Revista em 1 junho 2009 às 14:37
Essa página está quentíssima!!! Algumas informações estão sendo melhor e mais ricamente apresentadas aqui do que nas fontes de origem. Já podemos até começar a organizar tudo direitinho, porque pode resultar num trabalho bastante útil, além de agradável de se ver. Eita nois!!
Henrique Marques Porto
Comentário de Teatro de Revista em 2 junho 2009 às 1:43
Óscar
Bom saber que você fica boquiaberto e queixicaído não só quando vê a Anilza :O :O :D
Beijos.
Helô
Comentário de Teatro de Revista em 2 junho 2009 às 2:54
Helô e amigos.
Que maravilha de descobertas!!!
Haja tempo para ler tantas informações...
"Tô" vesga de passar o olho na tese da Nirlene... Quanta informação, principalmente sobre a Companhia Negra de Revistas da qual fiquei super apaixonada a partir da matéria que publiquei.
Helô, nós continuamos em sintonia em tudo. Que bom! Colocamos o mesmo link :-))))))))))
Helô, olha que coisa impressionante!! Quando eu estava selecionando aquelas fotos que lhe enviei por e-mail e me deparei com a possível Rosa Negra segurando o estandarte, achei que estava muito fácil a descoberta :))))))) Não inclui essa foto com as outras porque lembrei que já tinha sido postada. Mas que eu pensei na Rosa Negra, pensei...
Estou amando nosso trabalho. Gostaria de ter mais tempo... mas quem não gostaria...
Um super beijo.
Laura.

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