Sean já virou guerra comercial - PAULO MOREIRA LEITE -

Quando eu crescer, vou querer ser adotado por uma família brasileira, assim como o menino Sean Goldman, de 9 anos.

Veja só: a familia brasileira conseguiu driblar duas vitórias na Justiça, que determinaram que o menino fosse devolvido a seu pai biológico. Agora, a família obteve uma sentença favorável Supremo Tribunal Federal até que o caso tenha uma solução final.

Do ponto de vista diplomático, o caso já provocou gestões do governo americano contra o Brasil.

A última novidade é que em retaliação pela atitude da Justiça o Congresso americano decidiu retaliar e suspendeu a votação que estende por um ano um programa de isenção tarifária que beneficia exportações brasileiras para os EUA. Como explica Sérgio D’Ávila, na Folha, a medida atinge 10% das vendas do Brasil para aquele país, ou cerca de US$ 3 bilhões.

O mais curioso é que essa notícia — que equivale a uma retaliação comercial — é tratada como questão secundária. Imagine se fosse — digamos assim — uma ação do MST que estivesse prejudicando nossas vendas para o exterior. O Brasil rico, chique e influente estaria pronto para declarar guerra a nossos acampados e pedir prisão para seus líderes, não é mesmo?

Não acho que a economia é tudo na vida. Eu acho que o país poderia sofrer retaliações dez vezes maiores e enfrentar pressões de todo tipo — se estivesse com a razão. Não está. Vivemos num mundo onde os laços de sangue definem as relações familiares, formam nossa personalidade e nossa realidade afetiva. Todo esforço para manter Sean longe de seu pai biológico é uma ação equivalente a sequestro — por mais que essa palavra seja forte e dolorosa num caso onde todos sabem que afeto e carinho estão presentes, por mais que o próprio menino tenha criado relações afetivas com a família adotiva.

Vamos combinar: com essa atitude da família brasileira, o pequeno Sean Goldman está recebendo um curso prolongado daquilo que a nossa sociedade tem de pior — a prepotência, a arrogância, a impunidade de quem chora menos porque pode mais.

(grifos meus)
http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite

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Comentário de Cabocla em 20 dezembro 2009 às 18:44
Nat, definitivamente, se vc quiser continuar discutindo sobre o garoto vc está perdendo seu tempo aqui.

Vc perdeu, a meu ver, as estribeiras de uma discussão civilizada.
Nela, não se chama as pessoas de preconceituosas, não se fica decepcionada por opiniões contrárias, tenta-se entender o que estão dizendo, não se usa tom agressivo.

A sua "prova" é uma carta dos advogados da família DELA...
Dá para pensar em "alguma" parcialidade ou não?
Assim como se fosse do advogado dele...

Não acuso Bruna de nada, se vc tivesse ido ao post indicado ( da Zezinha), verá que disse que como mãe eu talvez fizesse a mesma coisa, mas a justiça não poderia ter feito.
Não é uma questão de Estado, seja ele brasileiro, americano, francês, belga, o que o valha, é a justiça do local onde NASCEU que decide divórcio e guarda.

Vc acusa o pai de coisas graves e está cheia de certezas em uma história que gera dúvidas e aperto no peito em todos que querem o melhor para o menino.

Vamos fazer que nem Hitler para marcar os judeus.
Usaremos uma estrela naqueles que nós, em nossas certezas e sabedoria acima de qualquer discussão e suspeita, julgamos que podem ser pais.

Nós, mães, claro, sempre certas e querendo o melhor para os filhos.

Eles? eles nos cedem o esperma e se rolar, uma pensãozinha...
Comentário de Marise em 20 dezembro 2009 às 19:10
Eu como não defendo o Matriarcado e sim a igualdade entre os sexos, continuo com a mesma opinião que já coloquei no post do Zé. O menino deve ficar com o pai biológico. E,por favor...nenhuma vó substitui um pai ou mãe. Eu tenho netos e tenho certeza que jamais conseguiria substituir minhas noras ou meus filhos. Meu pai e minha mãe tinham o mesmo amor por nós, seus filhos. Meu marido e eu temos o mesmo amor por nossos filhos. Nunca imaginaria achar que os amo mais que meu marido. Algumas opiniões estão me parecendo "feministas" demais. Aliás um feminismo errado,pois o verdadeiro feminismo prega a igualdade.
E, me desculpem, mas não vou aceitar ser chamada de preconceituosa ou qualquer outro adjetivo por quem quer que seja. Um pouco de humildade e habilidade em tratar com os outros não faz mal a ninguém.
Comentário de Marise em 20 dezembro 2009 às 19:45
Nat,sinceramente? Eu não entro em blogs que usam este tipo de comentários que dizes. Eu também acho que pai e mãe é quem cria. Mas aqui o caso é diferente. O menino tem um pai que não o deu ou o abandonou. Gostando ou não:a mãe o sequestrou. Tinha motivo?Não sei.Mas poderia ter resolvido tudo isso dentro da lei no momento certo.
Comentário de Marise em 20 dezembro 2009 às 19:56
É melhor, mesmo.Talvez te faça bem uma gandaiazinha. Esfria os animos.
Comentário de Zé Via de Regra em 21 dezembro 2009 às 9:57
O que há de mais notavel em tudo o que foi dito, é a ideologia que grita nas entrelinhas, atestando o carater cultural (outra vez, zouzou?!) que entorna, vaza, explode mesmo sob cuidadosa vigilância do politicamente correto.

Zezita middle-class não detona classe média indivíduo, o vizinho, o cara legal que quebra galhos, o parente que recebe bem, se preocupa, chega junto. O preocupante é a ideologia, a absorção e amplificação em nível social das concepções mais devastadoras contra o princípio do humanismo e do multilateralismo, promovidas politicamente pela classe dominante. Uma delas: a dualidade poder/não-poder consumir, o utilitarismo ligado à eficiência dentro do processo produtivo.

O gringo é tido como aleijão social porque “não tem ocupação fixa”. Nesta associação de (más) ideias, é automaticamente oportunista, aproveitador, ganancioso, arrematando com feche de merde: logicamente incapaz de proporcionar felicidade conjugal a uma mulher que obviamente necessita trançar por shoppingues, butiques, coiffures, coutures e pet shops, porque senão o que as vizinhas vão penser, né, benhê?

Passa–se o rodo ideológico, qualificativo, amplo e irrestrito. Camelôs, catadores de latinhas, sem terras e sem tetos, artista mambembes, músicos independentes, escritores sem editoras, frilas afins: tremei e preparai vossos colchonetes. Vocês não estão aptos a seres socialmente prezíveis, e querem ser pais?!

Pais legítimos são os Dantas, Eikes, Ermírios ou Berlusconis da vida. Esses tem ocupação fixa, cacife pra bancar a felicidade de uma femme decente. A esses não tomam nada, eles é que tomam, de forma fixa e regular. Eles, e certas elas, herdarão a terra.

O que faz apropriada a imagem das estrelas costuradas na camisa do pijamas. Decadentes, desocupados, deficientes, vagabundos? Cadê nossa Luger?

Por si las moscas, como diria mestre Quevedo, pro caso de ainda restar vagabundos úteis nesta terra de winners, quiquiqui.

Comentário de NRA em 30 dezembro 2009 às 9:39
Uma das coisas mais espantosas nesse caso do menino Sean é a total inversão de valores e responsabilidades demonstradas por algumas pessoas para justificar a permanência dele no Brasil. Não vou nem entrar no mérito da primeira retenção ilícita cometida pela mãe do menino. Mas, quando ela morreu, o que a família deveria ter feito? Ora, várias leis brasileiras (Constituição Federal, Código Civil, ECA, etc) asseguram ao pai o direito de criar o filho e mais, o direito do filho de ser criado pelo pai. Então, como fiéis cumpridores da lei, eles deveriam ter entregue a criança ao pai, acertado um acordo de visitação e também promovido um esforço de transição. Era o que se esperaria de alguém que visa o bem-estar do menor. Mas, o que fizeram? Tentaram manter a guarda do menino "na marra", como o padastro entrando com um processo de paternidade sócio-afetiva, que nada mais foi que uma desculpa para, através de conchavos no judiciário estadual, obter a guarda do menino. E agora, um ano e pouco mais tarde, quando a justiça determina a volta do menino, tentam culpar o pai e o Gilmar Mendes por não se preocuparem com o bem-estar da criança!!! Pera lá!! Na ocasião propícia para tal, quem não se preocupou com o bem-estar do menor, quem não mediu as consequências do que poderia acontecer a ele, foi a família brasileira!! Querer transferir esse ônus para o pai e a justiça é uma profunda e injusta inversão de valores e responsabilidades!!

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