SINTAXE DA IMAGEM VISUAL - O PODER DA IMAGEM DIANTE DA VIOLÊNCIA (Minhas análises e reflexões sobre fatos midiáticos mais ou menos recentes)

Recentes casos de desrespeito e/ou violência contra animais, gays, homossexuais e afrodescendentes relatados pela mídia provocam em quem as vê sentimentos de consternação e apiedamento, algumas vezes promovendo reflexões e atitudes políticas.

O FATO EM SI: O caso do assassinato de um yorkshire. Nestas imagens de vídeo muito difundidas recentemente pela mídia, dois fatos são destacados: a) a violência e morte de um cãozinho yorkshire; e b) a falta de respeito ao sentimento de uma criança presente aos fato, em uma atitude pouco formativa. É inegável que: existe crueldade no ato da enfermeira? Sim, existe. Existe desrespeito à criança presente aos fatos? Sim. Mas, o que está por trás e depois de passado o impacto das imagens em cada uma das pessoas e da sociedade como um todo?

DOIS SENTIMENTOS EM JOGO: 1.negar a crueldade do fato é uma forma de defesa contra o sentimento de dor, piedade e impotência que ela desperta; e o ser humano foge da dor por que assim, garante o seu bem estar e sonho de felicidade permanente. 2.Revolta contra a exploração sentimental do fato, comparável a atos de violência e desrespeito a gays e negros agredidos quotidianamente nas nossas cidades, mas, que parecem causar menos consternação e impacto social que possam desencadear atitudes políticas para erradicarem tais fatos. Tanto contra humanos como contra animais em situações de desrespeito, agreção e violência. OS "BIG BROTHERS" DA VIDA QUOTIDIANA E COMO ESTAS

IMAGENS SÃO CAPTADAS E EXPOSTAS (um pouco de sintaxe visual da imagem): Neste caso do assassinato do York, a cena foi filmada de cima para baixo, acentuando a pequenez do yorkshire diante da gigante humana má. Claro, não foi uma imagem planejada pelo câmera-man, mas, foi a única a que podia ter acesso ao sítio da ação retratada. É um caso típico para estudo da sintaxe da imagem visual. Também as câmeras de vídeo presentes em setores da Avenida Paulista têm flagrado ataques a homossexuais - ou a meros suspeitos de serem gays -,  e estas imagens também têm sido muito vistas e exploradas pela midia, principalmente pela televisão e internet. Mas, talvez com menos impacto midiático, na maioria das vezes passando pelo filtro fundamentalista religioso de muitas das pessoas que vêm estas imagens de gays, negros ou índios sendo agredidos. Nelas, produzindo mais um sentimento de que houve um castigo merecido pelas práticas julgadas condenáveis pelo seu credo religioso do que consternação e apiedamento e atitude política pelas/contra agreções visualisadas.  Exemplo dos políticos fundamentalistas religiosos presentes em nosso congresso.

O ATO DE VER NÃO É NEUTRO: O ato de ver é filtrado pelos conceitos que a vivência formou na cabeça de cada ser humano. Neste caso do assassinato do yorkshire, parece que a aprendizagem visual faz filtrar a imagem nua e crua pelo modo como nos engajamos filosófica e politicamente no mundo. Em um primeiro momento a reação é instintiva, orientando-se mais para a piedade e a revolta; em um segundo momento ela é reflexiva – dependente em cada um do instrumental reflexivo que possui - e do gráu de afastamento das imagens para poder ver de fora, atiçando seu senso crítico, conduzindo-o para a formação de um juizo de valor.

A FALTA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA CONTRA HOMOFOBIA: A falta até hoje de uma legislação específica para enquadrar a homofobia, incentiva a continuidade dos fatos lamentáveis de assassinatos, agressões e desrespeito aos gays, tornando nosso país um campeão em crimes contra os LGBTs. Às vezes, a legislação de proteção avança mais que a proteção a determinadas seres humanos estigmatizados. Já houve caso em que advogado para defender seu cliente teve que apelar para a legislação de proteção aos animais.

NOTA DE RODAPÉ: Sim, também tenho um yorshire, como também uma poodle. O York, é um cachorinho que teve sua origem no operariado britânico que o adotou por ser este em escala compatível com o tamanho de suas minúsculas e insalubres casas de operário; por isto adequado hoje a viver nos apartamentos que temos nas grandes cidades. O fato de conviver com estes animais, claro, me trouxe sentimentos conflitantes: apiedamento/revolta, mas, também análise e reflexão sobre o fato midiático. E agora, uma atitude política ao divulgar o que penso.

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