Sorgo é avaliado para a produção de etanol

DAYANA AQUINO
Da Redação - ADV


A demanda mundial por biocombustíveis favoreceu a retomada de pesquisas com o sorgo sacarino, na produção do etanol. A planta, que apresenta boas características para a produção do energético, tem como principal vantagem seu ciclo curto, permitindo sua utilização nos períodos de entressafra da cana de açúcar. As pesquisas, comandadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Milho e Sorgo, deverão ser concluídas em um prazo de dois anos.

Além do ciclo curto, de 3,5 meses, o sorgo também apresenta vantagens por permitir a mecanização total de sua produção, além de demandar menos irrigação do que as culturas do milho e da cana-de-açúcar, por exemplo, sendo mais adaptável ás áreas secas. Áreas marginais, onde a cana não é cultivada, podem receber plantações de sorgo. A Embrapa trabalha agora na adequação de colheitadeira mecânica para grandes áreas, o que ainda é uma etapa a ser solucionada.

Outra vantagem apontada por Rafael Augusto da Costa Parrela, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, é a geração de renda à agricultura familiar, pois os pequenos agricultores podem utilizar o sorgo sacarino em mini e microdestilarias para produção de etanol ou aguardente, em regiões com baixo índice de chuvas e solos ácidos, onde a cana não se desenvolve bem.

Parrela explica que a obtenção do álcool a partir do sorgo sacarino é a mesma utilizada na cana de açúcar. É extraído um caldo semelhante ao da cana, que passa por um processo de fermentação e destilação. O bagaço, resultante do processo, possui boa qualidade e pode ser usado na alimentação animal. Ele ressalta que o grão, não utilizado na produção do etanol, pode servir para a alimentação animal ou humana, o que neutraliza possíveis questionamentos sobre competição alimentar.

Atualmente, de acordo com o pesquisador, existe uma grande procura por diferentes tipos de sorgo, para fornecimento de matéria-prima na entressafra da cana, que vai de janeiro a março. A utilização da cultura para obtenção do energético reduziria a ociosidade das usinas até o ciclo de cultivo da cana ser encerrado.

“Diante das características reveladas em outros países, principalmente nos Estados Unidos da América, Índia, China e alguns países da Europa e também, o cenário mundial com grande demanda por biocombustíveis, o sorgo sacarino deve encontrar seus nichos no Brasil”, diz o pesquisador.

Pesquisa

De acordo com Parrela, o programa de desenvolvimento da planta foi iniciado ainda na década de 70, depois da implementação do Pró-álcool. Com a crise do programa, não havia mais recursos para pesquisa e as atividades foram paralisadas. Por conta da demanda mundial por biocombustíveis, o Governo Federal vem incentivando pesquisas na área, onde a pesquisa sobre o sorgo encontrou espaço, sendo retomada.

Três variedades de sorgo sacarino foram lançadas pela Empresa na década de 1980 (a variedade BRS 506 e os híbridos BRS 601 – que ainda permanece no mercado – e o BRS 602). O pesquisador conta que os materiais são bastante produtivos e apresentam rendimento de aproximadamente quatro mil litros por hectare de etanol em um período de três meses e meio.

Hoje, há 25 novas variedades de sorgo sacarino em desenvolvimento e avaliação pela Embrapa em diversas regiões brasileiras, por um período mínimo de dois anos. De acordo com o pesquisador, estas variedades são bastante promissoras e apresentam produtividade em torno de 50 toneladas por hectare.

Além disso, estão sendo realizados novos cruzamentos visando o desenvolvimento de linhagens sacarinas, inexistentes no Brasil. Também estão em andamento as pesquisas para a produção de biocombustível de segunda geração a partir da planta, o que seria produzido pelo bagaço (lignocelulose). Especificamente para essa tecnologia, estão em elaboração híbridos experimentais de sorgo.

Parrela comenta que a tecnologia de produção de biocombustíveis de 2ª geração, embora esteja em fase de desenvolvimento, estará disponível no curto prazo, o que fará necessário a existência de uma infraestrutura para atende a nova demanda energética.

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