Usando os critérios que o STF tem utilizado para este julgamento, em que "um conjunto de coincidências" constitui prova é de se perguntar novamente, à luz da própria interpretação do Supremo: porque a falta de isonomia com outros processos (exemplos já citados - como valerioduto mineiro)? No caso deste (mensalão do PSDB), em que existe anterioridade dos episódios e que é apontado como o berço da "arquitetura das fraudes" de Marcos Valério não seria natural que o STF começasse exatamente por ai? Mesmo porque neste caso do Valerioduto mineiro, existe uma denuncia, publicada na Carta Capital de uma "verba" recebida pelo ministro Gilmar Mendes de quase 200 mil reais. Neste caso os julgamentos referenciados em contextos (para mim esta é uma visão legítima) e apoiado em indícios robustos teria obrigado o STF a mudar sua cultura desde o início de 2000. Ou conceitos como o defendido por Lux, que a "verdade é uma quimera" e todo o arrozoado que ele apresentou sobre os crimes "do colarinho branco" (em organizações criminosas) foram teses só aprendidas agora pelos juizes? Outro ponto importante: nos autos existem pareceres antagônicos entre o TCU e a PF (não apenas divergências, mas antagôncos). Em certo momento de sua fala, Lux disse que dos votos do relator e do revisor estavam ingualmente bem estruturados, que qualquer um dos juizes poderia seguir um ou outro sem compretimento da qualidade da decisão. Este não me parece um cenário de tomadas de decisões finais, porque estamos face uma "dúvida razoável". Todavia por tudo que li formei meu convencimento pessoal de que houve realmente prática de corrupção tanto pelo João Paulo, pelo Pizzolato e pela turma do Valério. O que para mim continua controverso é se o objeto da licitação no caso da Câmara foi executado ou não. Esta é uma questão fundamental e não está resolvida. Mais grave: não estando resolvida complica-se definir a fonte dos recursos que teriam alimentado os demais pagamentos dos outros acusados. Este não é um problema petista ou pesdebista. É um problema de fundo em que um conjunto de "coincidências" permite perguntar: por que o STF não começa por julgar o seu próprio contexto de deliberações?

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