Teologia da destruição - Sergio Malbergier - FSP

O conflito entre palestinos e israelenses entrou de novo em erupção, cuspindo fogo e sangue nos dois lados do muro, principalmente no lado mais fraco militarmente, o palestino.

O choque atual era tão previsível quanto inevitável.

Após quase 40 anos sob a opressiva ocupação israelense e a corrupta e ineficiente liderança de Arafat, os desesperados palestinos de Gaza entregaram seu destino a Deus, ou melhor, ao grupo local que diz falar em nome dele, o Hamas.


E o suposto representante de Deus cobra sangue e morte. Quer transformar (e o faz nestes dias com grande sucesso) todo palestino em mártir na luta para libertar a Terra Santa dos infiéis.

O grupo palestino segue seu irmão mais velho e poderoso, o Hizbollah, que adotou agenda que interessa mais a seus patronos no Irã e na Síria que a seus conterrâneos e transformou os libaneses em mártires sem consultá-los ao atacar Israel e depois vender o conflito como uma vitória grandiosa e divina apesar de o Líbano que alega defender ter sido devastado pela resposta israelense!

É uma lógica tão ilógica quanto invencível, pois morrer é vencer em nome desse Deus que supostamente recompensa com dezenas de virgens no paraíso homens-bomba que se explodem em pizzarias e ônibus.

Assim, o Hamas disse neste mês que não renovaria o cessar-fogo com Israel. E passou a lançar diariamente de Gaza dezenas de foguetes contra cidades israelenses aos gritos já familiares de Deus é grande.

O governo israelense alertou durante dias que responderia com força letal se a barragem diária de foguetes lançada de Gaza não cessasse. E a força letal agra usada acaba apenas fomentando mais radicalismo entre a população palestina, o que o Hamas explora a la Hizbollah, com cinismo exemplar.

É o que vemos agora. Uma repetição extrema dos ciclos de ataques e contra-ataques que há décadas infernizam israelenses e palestinos e realimentam a guerra.

O pior é que a solução para o problema é evidente a todos os interessados de fato na paz: a criação de um Estado palestino viável em Gaza, Cisjordânia e partes árabes de Jerusalém que conviva em paz e segurança com o Estado de Israel.

Mas o extremismo islâmico seqüestrou a agenda palestina e não aceita a convivência com Israel. E, ironia sem graça da história, com o apoio crescente da esquerda global, numa aliança de forças tão contraditórias que só um anti-semitismo latente travestido de anti-sionismo raivoso pode explicar.

Não se deixe enganar. Para haver paz no Oriente Médio é preciso ouvir as vozes conciliadoras em meio aos gritos de guerra. É um conflito onde os oponentes são ao mesmo tempo vítimas e algozes. A única forma de resolvê-lo é apoiar os moderados dos dois lados e combater os radicais.

O resto é teologia da destruição ou ingenuidade.

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Comentário de Carlos em 8 janeiro 2009 às 17:55
Engraçado, extremismo só existe do lado Palestino?! Em nenhum momento deste artigo (carregado de preconceitos) o autor fala do extremismo israelense. Em nenhum momento, condena a guerra de extermínio que está sendo levada a cabo por Israel! Ele, assim como outros jornalistas defensores ardorosos das políticas daquele estado, sempre tentam justificar o atual mortícinio, dizendo que foi o Hamás quem rompeu com o cessar-fogo (quando se sabe que foi israel, ao matar seis palestinos do Hamás), que o Hamás é filhote do Hizbollah, que todos são apoiados por Irã e Síria, que do lado palestino só tem fanáticos. Tanta parcialidade, assim, sem justificativas decentes, beira ao fanatismo.
Comentário de Tuaregue Alemão em 10 janeiro 2009 às 11:12
Cabocla,
Ignácio Ramonet, livro "Propagandas Perniciosas" sería um bom presente ao Sergio?
Ou ele já sabe a cartilha toda, só nos falta percebe-la?
Tenho que concordar com o finalzinho, apoiar "radicalmente" os moderados.
De resto o texto só faz retórica subliminar.
Grato
Tuaregue

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